Em outubro do ano passado, a GWM deu um passo arrojado ao lançar o Haval H9, modelo a diesel que chega para compor a escassa oferta de utilitários esportivos de sete lugares. Com isso, a empresa entrou na briga em um segmento de consumidores mais conservadores: o de SUVs grandes, com motores a diesel e vocação fora de estrada.
Ali, ele encara os clássicos Toyota SW4 e Chevrolet Trailblazer, mas não sem boas armas para concorrer com os tradicionais. A primeira delas — e talvez a mais forte — é o preço: o modelo chinês, vendido em versão única, sai por R$ 335 mil. O valor é significativos R$ 110 mil menor do que o da versão topo de linha do SW4, oferecida por R$ 446.690.
Assim, o cliente que está em dúvida entre os dois SUVs e leva para casa o modelo da GWM economiza 25%. Um argumento de vendas e tanto que parece já estar funcionando.
Desde o começo do ano, a marca vendeu 3,6 mil unidades do modelo. O resultado é 18% inferior ao do concorrente japonês, mas muito significativo para um utilitário esportivo recém-chegado.
Tamanho é documento
Por falta de espaço os ocupantes do Haval H9 não sofrerão. O modelo tem 4,95 m de comprimento, 2,85 m de entre-eixos, 1,98 m de largura e 1,93 m de altura. Com isso, o SUV ganha vantagem em relação ao Jeep Commander, que também tem sete lugares, mas dimensões menores.
O espaço interno do carro é generoso se a terceira fileira de bancos não estiver em uso. Caso haja ocupantes ali, a acomodação é mais justa, mas longe de ser desconfortável.
Com os sete passageiros, o porta-malas é, digamos, escasso: são 88 litros. Mas o problema se resolve caso os bancos da terceira fileira estejam rebatidos, o que garante ao compartimento generosos 791 litros.
Agora, se for para fazer uma mudança, também dá para contar com o Haval H9. Com todos os bancos traseiros rebatidos, o modelo ganha 1.580 litros. O único incômodo é que, nesse formato, os assentos ficam levemente inclinados, o que impede um piso totalmente plano para apoiar a carga.
De lambuja, na traseira, onde ficaria o estepe do veículo (acomodado na parte externa, abaixo do assoalho), há um pequeno compartimento para levar objetos que suporta até 10 kg. É uma praticidade interessante para os trilheiros de plantão, que podem deixar ali, por exemplo, roupas e calçados sujos antes de entrar novamente no SUV.
Design coerente, mas genérico
Os chineses já comprovaram ter muitos predicados para fabricar bons carros. Algo que ainda está em debate, no entanto, é o design. Há quem diga que muitos modelos têm aparência um tanto quanto genérica, e este talvez seja o caso do GWM Haval H9.
Ele usa códigos bastante associados a veículos com vocação off-road, como os faróis redondos e o desenho mais quadrado, lembrando o Land Rover Defender e modelos da Jeep. Assim, o utilitário fica coerente com a categoria, mas sem qualquer preocupação em dar continuidade ao design da família Haval da GWM. Não se assemelha em nada ao irmão mais novo, o H6.
E como anda o Haval H9?
O SUV grande da GWM é equipado com motor 2.4 turbodiesel de quatro cilindros e 184 cv de potência. Com isso, marca a entrada da fabricante em um segmento mais bruto, distante dos carros eletrificados pelos quais a marca chinesa ficou conhecida no Brasil.
Com tração 4x4, o modelo tem vocação para estradas difíceis. Mesmo pesado, com seus 2.525 kg, não sobrecarrega o motor, que dá conta de impulsionar o veículo sem sinal de cansaço. A transmissão é automática de 9 marchas (9AT), com uma manopla diferente, inspirada na aviação. Com esses predicados, o modelo compete também com o Mitsubishi Pajero Sport — outro SUV consagrado no segmento.
Ao volante, um incômodo está no pedal de freio, que precisa de certa força para responder rapidamente, como se o SUV fosse pesado demais para parar instantaneamente. Outro inconveniente é a direção, que parece leve para um veículo mais bruto e pesado, tirando um pouco da sensação de ter o SUV à mão.
Entre os pontos positivos está a posição de dirigir. Os bancos elétricos e a coluna de direção com ajuste de altura e profundidade permitem acomodar motoristas de diferentes estaturas com bastante conforto.
Luxinhos mesmo para encarar a lama
Falando em conforto, o Haval H9 conta com comodidades como massagem nos bancos do motorista e do passageiro, além de resfriamento e aquecimento desses assentos. Na segunda fileira, os passageiros podem controlar o próprio ar-condicionado e também resfriar os bancos — recurso ainda pouco usual entre os SUVs grandes com vocação para encarar a lama.
Outro atributo exclusivo do H9 no segmento é o estribo lateral retrátil, que desce quando a porta abre e se recolhe quando ela fecha. O veículo conta com o pacote ADAS de assistência à direção, trazendo tecnologias como piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência, assistência de permanência em faixa e alerta de ponto cego. Apesar de interessantes, esses sistemas podem ser um tanto invasivas, com avisos sonoros em excesso.
O H9 segue a tradição dos carros chineses de ostentar uma grande tela no centro do painel, de 14,6 polegadas. O sistema tem conexão sem fio com Android Auto e Apple CarPlay, além de concentrar os controles de todos os recursos de segurança e conforto do carro. Ainda assim, há botões físicos no console central para facilitar o acesso a recursos básicos, como o ar-condicionado.
Mais um ponto positivo é o que a fabricante chama de visão panorâmica 540º. Trata-se de um sistema que combina imagens de câmeras frontais, traseiras e laterais para criar uma projeção 3D de tudo o que está ao redor do veículo (incluindo o chassi transparente). Isso permite enxergar obstáculos ou buracos na estrada logo à frente, uma facilidade para quem vai encarar vias de terra com o carro.
Conclusão: o Haval H9 vale a pena?
Os pontos negativos do Haval H9 não são capazes de ofuscar a lista de qualidades do modelo. Com tantos recursos, incluindo atributos inéditos na categoria até então, o SUV já teria força para competir com os concorrentes tradicionais. A enorme vantagem no preço é o argumento que faltava para atrair os consumidores mais conservadores e deixar a concorrência bastante apreensiva.