Poucas franquias de anime receberam tantas adaptações para os videogames quanto Sword Art Online. Ao longo dos anos, a série passou por diferentes gêneros e propostas, mas muitas vezes ficou a sensação de que faltava justamente aquilo que tornou Aincrad tão marcante. A ideia de sobreviver em um mundo onde cada batalha pode ser a última e cada avanço representa mais um passo rumo à liberdade.
Echoes of Aincrad parece entender isso melhor do que qualquer outro jogo recente da franquia. Durante a prévia, ficou claro que a Bandai Namco está tentando resgatar o espírito dos primeiros episódios do anime, colocando a sobrevivência, a formação de grupos e a exploração dos andares de Aincrad como elementos centrais da experiência.
Um novo sobrevivente em Aincrad
Ambientado no universo de Sword Art Online e sem Kirito como protagonista da trama, Echoes of Aincrad nos leva diretamente aos dois primeiros andares de Aincrad. Desta vez, acompanhamos um personagem inédito dentro da franquia, que segue a mesma lógica apresentada no anime original. Caso morra dentro do jogo, sua vida também chega ao fim no mundo real.
Pelo que pude jogar, este é de longe o título da franquia que mais transmite uma sensação de novidade. Não apenas dentro dos videogames, mas também para o próprio universo de Sword Art Online. Toda a estética medieval e a constante sensação de sobrevivência fazem jus ao que a obra sempre tentou transmitir. O tom de RPG presente na demonstração me surpreendeu bastante, principalmente pela forma como a aventura incentiva criar laços com companheiros, explorar masmorras, evoluir o personagem e, acima de tudo, tentar sobreviver.
A estrutura das missões que experimentei é relativamente simples, pois abraça totalmente a proposta de ser um jogo dentro de outro jogo. Grande parte delas tem aquele clima clássico de RPG em dungeons, mas o saldo geral foi bastante positivo, principalmente porque os companheiros que nos acompanham são expressivos e úteis, alertando sobre baús escondidos e ameaças próximas.
Uma das coisas que mais me agradou na jogabilidade foi o fato de ela não seguir a tendência dos soulslikes. Em vez disso, o jogo busca fortes inspirações em Dragon's Dogma, algo que considero uma direção muito mais interessante. A movimentação do personagem correndo com o escudo, pulando obstáculos e até mesmo rolando pelo cenário lembra bastante o título da Capcom. Inclusive, me surpreende que mais jogos não tenham seguido esse caminho antes.
O combate, por sua vez, consegue equilibrar momentos acessíveis e confrontos mais exigentes. Enquanto os inimigos comuns, como os Kobolds, não oferecem tanta resistência, as batalhas contra chefes exigem mais atenção. Um dos chefes que enfrentei na primeira dungeon, que funciona como tutorial, trazia uma mecânica em que era necessário destruir várias partes do corpo para derrotá-lo. Um detalhe que me pegou de surpresa foi a presença de desmembramentos em alguns inimigos. Não é nada explícito, mas ainda assim não esperava ver algo do tipo em um jogo da série. Isso acontece inclusive durante as lutas contra chefes, conforme certas partes do corpo são destruídas.
Outro aspecto bastante interessante é a forma como a inteligência artificial dos companheiros foi trabalhada. Principalmente para os padrões dos jogos de Sword Art Online, ela parece muito mais útil e flexível. É possível definir prioridades de ataque, ordenar que o companion foque em um único alvo ou deixá-lo agir livremente. Também existe um modo chamado Troca, no qual personagem e companheiro concentram seus ataques no mesmo inimigo. Sempre que uma esquiva perfeita é realizada, os golpes passam a alternar entre os dois, criando um ritmo bastante dinâmico durante os confrontos.
Jogando esta prévia no PC, uma questão que sempre me deixa com um pé atrás é o desempenho, principalmente por conta da Unreal Engine 5. Por incrível que pareça, o jogo rodou muito bem, com poucas quedas de desempenho que mal duravam um segundo. Os gráficos também estão muito bonitos. Mesmo com os personagens seguindo um estilo mais próximo do anime e os cenários apostando em um visual realista, tudo funciona em conjunto sem causar estranheza.
Considerações
Mesmo sendo apenas uma prévia, Echoes of Aincrad deixou uma impressão bastante positiva. A combinação de exploração, combate mais dinâmico, companheiros realmente úteis e uma ambientação que faz jus ao universo de Aincrad ajuda a criar algo que parece mais próximo da fantasia que os fãs imaginaram ao assistir ao anime pela primeira vez.
Ainda existem muitas perguntas sobre a estrutura completa da campanha e sobre como o conteúdo irá se sustentar ao longo de dezenas de horas, mas o que foi apresentado até agora aponta para uma direção muito mais ambiciosa do que a vista nos jogos anteriores da franquia. Se conseguir manter essa qualidade até o lançamento, Echoes of Aincrad tem potencial para se tornar uma das adaptações mais interessantes de Sword Art Online nos videogames.
Echoes of Aincrad chega em 10 de julho para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.