Pipistrello and the Cursed Yoyo reforça o potencial dos estúdios brasileiros

Com humor, referências locais e uma aventura inspirada nos clássicos, jogo da Pocket Trap traz carisma e jogabilidade clássica

21 jul 2025 - 10h59
Pipistrello and the Cursed Yoyo reforça o potencial dos estúdios brasileiros
Pipistrello and the Cursed Yoyo reforça o potencial dos estúdios brasileiros
Foto: Reprodução / PM Studios

O mercado brasileiro de games tem ganhado cada vez mais visibilidade com títulos que vão além do esperado. Horizon Chase, Mullet MadJack e outras produções recentes mostram como o país está pronto para criar experiências completas, com personalidade e execução. Agora, é a vez da desenvolvedora Pocket Trap apresentar um projeto que resgata o espírito de aventuras clássicas, com toques de criatividade local e identidade bem marcada.

Pipistrello and the Cursed Yoyo une combate, humor e uma estrutura de mundo inspirado em grandes nomes do gênero. Ao invés de seguir fórmulas repetidas, o título abraça o estilo retrô com fluidez moderna e acertos que o colocam entre os melhores lançamentos independentes do ano, e não apenas entre os nacionais.

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Problemas na família

Pipistrello and the Cursed Yoyo começa com um clássico drama familiar. Pippit, nosso protagonista, não é muito próximo da família e só pensa em competir nos campeonatos de ioiô. Em uma de suas visitas à tia, a excêntrica madame Pipistrello — uma magnata responsável pelo império de energia que abastece a cidade de Nova Voltânia —, ele acaba sendo pego de surpresa quando a mansão é atacada por um grupo de empresários misteriosos.

O plano do bando, que chama atenção pelo visual caricato de mafiosos, era transformar a própria madame em uma fonte de energia infinita. Com isso, pretendiam dominar a cidade sob suas próprias regras e lucros. Pippit tenta impedir a ação usando seu ioiô, mas a situação sai do controle. No processo, sua tia acaba sendo dividida em quatro baterias, e parte dela vai parar dentro do próprio ioiô. Achando que haviam eliminado todas as ameaças, os vilões não contavam com o início da jornada de herói do jovem Pippit.

A trama se desenvolve com bom humor e uma narrativa leve, repleta de personagens carismáticos. Os diálogos são hilários, tanto com os vilões quanto com NPCs espalhados por Nova Voltânia. A localização em português é um show à parte, recheada de referências à cultura brasileira. Em um dos momentos mais inusitados, um personagem da cidade surge imitando o jeito de falar de uma figura clássica do Hermes e Renato, tirando sarro do sotaque paulista, uma das muitas piadas que ajudam a dar personalidade ao universo do jogo.

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Trabalho de localização diverte com toques bem brasileiros
Foto: Reprodução / Matheus Santana

O mestre do ioiô

É difícil não comparar Pipistrello and the Cursed Yoyo com os Zeldas clássicos. O título bebe bastante da fonte desses jogos, especialmente da era Super NES, como A Link to the Past. Não apenas pela visão do personagem, mas por toda a estrutura geral da aventura. Dá até para dizer que Pipistrello é o mais próximo que temos de um Zelda repaginado para o público atual.

A exploração é divertida, especialmente pelos cenários e pela forma como o estúdio incluiu localizações inspiradas no Brasil. Pippit pode conversar com NPCs e realizar missões secundárias bem rápidas, como buscar um lanche na lanchonete ou reencontrar membros da sua família. Também é possível interagir com figuras curiosas como uma mamãe pombo, que dá dicas úteis. Pelo mapa, encontramos orelhões de táxi que funcionam como pontos de viagem rápida e só são desbloqueados com moedas obtidas ao derrotar inimigos ou encontradas pelo cenário. Além disso, há segredos trancados atrás de habilidades que só são adquiridas mais tarde, o que reforça aquela vontade de voltar em fases anteriores para finalmente pegar aquele item que ficou para trás.

O ioiô é o verdadeiro protagonista ao lado de Pippit. Ele é usado tanto no combate quanto na resolução de puzzles. Podemos atacar de longe, fazer combos e até realizar manobras inspiradas nos truques clássicos — como o famoso “passear com o cachorrinho”, que permite atravessar superfícies aquáticas, algo frequente no jogo. Usar o ioiô para atacar uma parede e ver os inimigos caírem um a um nunca deixa de ser divertido. Além disso, ele é essencial para transportar chaves ou baterias até áreas inacessíveis.

Nova Voltânia entrega várias piadas e expressões brasileiras
Foto: Reprodução / Matheus Santana

Os inimigos também merecem destaque. Há os tradicionais slimes, bem conhecidos de RPGs como Dragon Quest, mas aqui com um visual próprio, usando toucas, por exemplo. Outro destaque vai para um inimigo que parece uma capivara saindo de uma obra, algo que só reforça o charme do jogo.

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Durante a aventura, desbloqueamos “bótons” que funcionam como melhorias no combate. Um dos mais úteis é o de olho, que revela a vida dos inimigos. Mas cada bóton consome pontos de BP, e a limitação exige decisões estratégicas sobre quais manter equipados. O único problema é que só dá para gerenciar esses bótons em mesas de ferramentas, marcadas no chão. Isso exige retornar ao esconderijo usado na história, o que pode atrapalhar o ritmo quando você está longe.

O sistema de melhorias também foge do padrão. Apesar de aumentarem coisas como BP, recuperação de vida e dano, elas vêm com um sistema de dívidas. Nossa prima Pepita só libera os upgrades após assinarmos um contrato, e o valor da dívida aparece ao lado do contador de moedas. Enquanto estivermos devendo, efeitos negativos entram em ação, como reduzir o dano ou impedir inimigos de largarem vida. Apesar disso, o jogo permite reembolsar os upgrades se a dificuldade apertar. No meu caso, não senti grandes problemas mesmo com esses efeitos ativos.

Considerações

Pipistrello and the Cursed Yoyo - Nota 9
Foto: Divulgação / Game On

Pipistrello and the Cursed Yoyo é mais uma prova do quanto o mercado brasileiro está pronto para brilhar em qualquer plataforma. Com um protagonista carismático, narrativa bem-humorada e uma cidade recheada de referências locais, o jogo da Pocket Trap entrega uma aventura sólida e divertida, capaz de agradar tanto quem cresceu com os Zelda antigos quanto quem busca algo diferente no catálogo atual.

A estrutura bem pensada, o uso criativo do ioiô como mecânica principal e o sistema de upgrades que mistura risco e recompensa mostram atenção aos detalhes e ao equilíbrio. Mesmo com pequenas limitações no gerenciamento de habilidades, o ritmo da aventura se mantém estável, e a vontade de explorar Nova Voltânia nunca desaparece.

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No fim, fica a impressão de que Pipistrello and the Cursed Yoyo não é só um passo importante para a Pocket Trap, mas também um recado claro do quanto o Brasil pode contribuir com originalidade, competência e bom humor ao cenário global de jogos.

Pipistrello and the Cursed Yoyo está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Switch, Xbox One e Xbox Series X|S.

Esta análise foi feita no Xbox Series S, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela ID@Xbox.

Fonte: Game On
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