Desde que Nioh estreou em 2017, a franquia se tornou uma das mais populares e importantes da Koei Tecmo. Os principais motivos para isso são sua jogabilidade profunda e viciante, aliada com suas narrativas envolvendo a história e figuras históricas do Japão, misturadas com o folclore daquele país.
Nioh 3 pega tudo aquilo que foi introduzido nos dois jogos anteriores e complementa com suas próprias novidades, com o grande destaque sendo o sistema de Troca de Estilo, que permite alternar entre os estilos samurai e ninja apertando apenas um botão, mudando a forma como você joga e até mesmo os tipos de armas e habilidades que você utiliza.
Viajando pelo tempo no Japão
A história de Nioh 3 começa no ano de 1622, no período Edo, com o protagonista Takechiyo Tokugawa, controlado pelo jogador, prestes a se tornar o próximo Xogum. Tudo parecia estar ocorrendo normalmente, até que Kunimatsu Tokugawa, irmão caçula de Takechiyo, é consumido por ódio e inveja, caindo na escuridão e sendo possuído por uma força sinistra, gerando uma invasão Yokai ao Castelo de Edo.
A paz desaparece, os aliados de Takechiyo são derrotados, e quando tudo parecia perdido, o protagonista viaja no tempo graças ao poder misterioso de seu Espírito Guardião, chamado Kusanagi.
Ao despertar, Takechiyo se vê no passado, no ano de 1572, de volta ao período Sengoku, tendo de lutar lado a lado com seu avô, Ieyasu Tokugawa, contra as forças de Takeda Shingen e dos Yokai. A partir daí, a história vai se desenrolando com o jogador, na pele de Takechiyo, cuja aparência você pode customizar como bem entender, tendo que explorar períodos diferentes da história japonesa, para deter a entidade maligna que possuiu não apenas seu irmão, mas outras figuras históricas do Japão.
A trama é repleta de novos personagens, mas também existem NPCs dos jogos anteriores que os jogadores veteranos da franquia irão reconhecer. Dito isso, não é necessário jogar Nioh 1 e 2 para entender a trama.
Jogabilidade renovada
O principal destaque no gameplay de Nioh 3 é, sem nenhuma dúvida, conforme dito anteriormente, o sistema de Troca de Estilo. Ele permite que você jogue tanto como samurai quanto como ninja, cada um com suas próprias vantagens e desvantagens.
Resumidamente, o samurai tem um poder de ataque maior, pode realizar o Pulso de Ki para recuperar parte do Ki usado e purificar terrenos contaminados com Reino Yokai. Ele também consegue aparar ataques, mudar sua postura de luta e fazer uso do Domínio das Artes, que aprimora os ataques fortes e artes marciais.
No caso do ninja, ele é focado na agilidade e no uso do Ninjutsu, desviando das investidas inimigas e surpreendendo o oponente, podendo realizar combos rápidos e avassaladores se feitos corretamente.
Cada um deles é mais útil de acordo com a situação. No meu caso, em alguns chefes eu utilizava os ataques rápidos do ninja para poder quebrar rapidamente o Ki e a postura deles, e em seguida trocava para samurai para efetuar ataques mais fortes.
Chefes e inimigos mais poderosos, em alguns momentos, emitem uma aura vermelha. Isto é sinal que vão realizar um Ataque Impetuoso. É nessa hora que você precisa efetuar uma Troca de Estilo, de samurai para ninja ou vice-versa, para poder interromper esses ataques no momento em que forem executados e, ao mesmo tempo, causar dano na vida e no ki do inimigo.
Eu me vi trocando entre um estilo e outro diversas vezes, nunca ficando preso apenas a um deles. Samurai foi inicialmente o que mais utilizei, mas depois que aprendi a tirar vantagem da rapidez do ninja, também passei a usá-lo com mais frequência. A variedade de habilidades e armas que cada personagem possui é gigantesca, oferecendo inúmeros tipos de combinações diferentes para abordar o jogo. Além disso, você pode resetar seus pontos de atributos e habilidades sempre que desejar, o que lhe permite testar novas builds sem restrições.
Na prática, esse sistema permite que você tenha dois personagens em um só, deixando a jogabilidade mais dinâmica do que a dos dois Nioh anteriores. Tanto o ninja quanto o samurai tem técnicas que permitem atacar e contra-atacar os oponentes de forma eficaz, desde que você decore os movimentos que cada tipo de arma oferece.
Em Nioh 3, também estão presentes os poderes especiais obtidos com os Espíritos Guardiões. Com eles você consegue efetuar ataques poderosos de tempos em tempos, chamados de Habilidades Espirituais, e eventualmente realizar uma transformação na qual fica imortal e mais forte por alguns segundos.
Após várias horas de jogo, você também libera a Quebra Impetuosa da Habilidade de Guardião, permitindo contra-atacar o Ataque Impetuoso do inimigo com uma Habilidade Espiritual, lhe dando mais uma ferramenta bastante útil na hora de encarar chefes e adversários formidáveis.
Além disso, você pode se esgueirar onde há mato alto e andar agachado para não ser visto e fazer ruído, permitindo acertar os inimigos com um ataque surpresa pelas costas ou por cima dele.
Mesmo após dezenas de horas de jogo, você ainda se verá desbloqueando mais recursos para melhorar suas habilidades e mudar a forma como encara os inimigos.
Mapas abertos e o Umbrasal
A adição de mapas abertos é outra mudança importante em Nioh 3, lhe dando um novo grau de exploração. Por causa disso, finalmente o personagem consegue pular livremente (inclusive, são pulos duplos), mecânica que alguns fãs de Nioh vinham pedindo há tempos. Essa adição permite não apenas explorar de forma mais rápida os muitos cantos dos mapas abertos do jogo, mas também realizar ataques aéreos, seja como samurai ou como ninja.
Enquanto você progride no game, o mapa vai se expandindo e aí você passa a ter acesso a todas as regiões dele. Cada uma é recomendada ao seu personagem em um nível específico, portanto se você for em uma de nível elevado e não estiver preparado, a dificuldade aumentará. O oposto também ocorre, com você tendo mais facilidade se deixar as regiões de nível mais baixo por último.
Eu sempre fui fã de mapas abertos onde cada trecho deles tem inimigos de uma determinada faixa de nível, e é isso que temos aqui. Particularmente, recomendo fazer as regiões na ordem de nível, já que os espólios que você recebe quase sempre são de acordo com o nível dos inimigos que você derrota.
Outro aspecto que chama a atenção é que existe um Nível de Exploração em cada região do mapa, que aumenta de acordo com seus feitos nela, como capturar bases inimigas, completar missões secundárias (chamadas de Contos), interagir com yokai amigáveis, entre outras coisas. Fazer esse nível subir permite que a região se revele para você, juntamente com as localizações de todos os pontos de exploração e itens colecionáveis. Trata-se de uma forma inteligente de eliminar as famigeradas Ubi Towers e, ao mesmo tempo, recompensar o jogador por focar na exploração. Aliás, explorar é fundamental para encontrar recompensas valiosas que permitam aumentar suas habilidades ativas e passivas.
À medida que você progride na aventura, também recebe poderes dos seus Espíritos Guardiões que fazem com que você se locomova com mais agilidade no mapa e acesse locais até então intransponíveis. Viagem rápida está disponível, claro, podendo ser feita por meio dos muitos Santuários presentes nos mapas.
Outra novidade em Nioh 3 é a adição do Umbrasal e Umbrasal Inferiores, que são regiões onde os yokai são mais fortes. Destruí-los permite que você liberte o potencial dos seus Espíritos Guardiões e também das Almessências obtidas dos yokai que você derrotou, que te fornecem itens especiais para serem usados nos combates.
Tomar dano ou morrer no Umbrasal provoca algo chamado Erosão Vital, fazendo com que sua barra de vida fique reduzida, sendo necessário derrotar inimigos, causar dano, retornar ao seu túmulo após reviver ou tomar elixires para recuperar parte da vida máxima que foi perdida.
Há diversos Umbrasais Inferiores no mapa, assim como Estacas do Embrasal isoladas para serem destruídas e aumentar sua Habilidade Espiritual, mas há também os Umbrasais principais que são defendidos por um chefe poderoso e contém Armas do Umbrasal, que aumentam o dano desferido aos inimigos e até mesmo lhe concedem habilidades especiais que, uma vez aprendidas, podem ser utilizadas livremente. No entanto, trata-se de uma faca de dois gumes, pois você fica com menos vida máxima ao usar essas armas, então é preciso ter cautela.
Multiplayer e aliados
Nioh 3 tem as missões principais que avançam a história e as missões secundárias que você acessa nos mapas e nos Santuários por meio do Pergaminho de Batalha. Elas podem ser jogadas sozinho ou via multiplayer cooperativo, bastando que você crie uma sala e espere outros jogadores se juntarem a você, ou então entre na sala de alguém que esteja precisando de ajuda.
Caso você prefira encarar os desafios do jogo sozinho, ainda assim poderá contar com o auxílio de NPCs que podem ser invocados por meio dos Túmulos Benevolentes, que são túmulos azuis tanto de personagens do próprio jogo quanto de clones dos personagens dos jogadores, mas controlados pela IA. Você também pode criar um Túmulo Benevolente próprio para que seu clone auxilie outros jogadores e ganhar recompensas quando isso acontece.
Há também um lugar importante que você precisa visitar com frequência, chamado Fenda Eterna. Lá existem personagens que ajudam no seu treinamento, além de uma ferreira que pode te fazer armas e armaduras, ou melhorar os equipamentos que você já possui, de forma similar ao que ocorria nos Nioh anteriores, mas assim como outros aspectos da jogabilidade, também apresenta algumas mudanças.
Neste local há também a Casa de Chá Secreta, que permite juntar-se a um Clã e ganhar renome nas batalhas de clã com base nas suas ações online. Isso fornece benefícios ao seu personagem e Glória, que pode ser trocada por itens.
Gráficos um pouco ultrapassados, muitos chefes reciclados e alguns problemas técnicos
Se você jogou Nioh 1, 2 e agora pretende jogar o 3, ou até mesmo já fez isso com a demo gratuita liberada há alguns dias, graficamente a franquia não tem grandes mudanças entre um título e outro, embora elas existam.
Esses poucas mudanças visuais presentes em Nioh 3, juntamente com as áreas abertas, fazem ele exigir um pouco mais do hardware em comparação com os dois jogos anteriores. Felizmente, ao menos no PC, a otimização não está ruim, sendo possível jogá-lo sem muitos transtornos. Usando um Ryzen 5 7600, 2x16GB, uma GeForce RTX 5070 Ti e um SSD NVMe no Windows 11 25H2, consegui jogar tranquilamente com a qualidade máxima em 1440p nativo e 90 fps+ ou 4K com DLSS e 90fps+. Com o Frame Gen, deu tranquilamente para manter a performance cravada em 120fps+ em 4K com DLSS.
Se você tem uma placa de vídeo do nível de uma RTX 4070 ou 5070, provavelmente deve conseguir jogar em 1440p com DLSS mantendo ao menos 60 fps. Já no caso daqueles que possuem uma RTX 4060 ou 5060, o ideal é focar em 1080p com alguns recursos gráficos reduzidos para obter uma boa taxa de quadros.
Caso você não tenha acesso ao DLSS por estar usando uma Radeon ou uma GeForce GTX, infelizmente o jogo, ao menos no momento da publicação deste texto, contava apenas com suporte para FSR 3, cuja qualidade é muito inferior ao do upscaling da NVIDIA. O ideal seria que a Koei Tecmo adicionasse o FSR 4 em algum momento. Até lá, recomendo que use o XeSS 2.0 da Intel, que também está presente no game.
Falando da versão para PS5, eu joguei o game no console da Sony apenas com a demo gratuita. O desempenho deixava um pouco a desejar na área aberta, assim como a qualidade visual, muito inferior ao que obtive jogando no PC.
No caso de problemas técnicos, eu tive alguns crashes enquanto jogava e o HDR sempre precisava ser religado ao rodar o game no PC. Também esbarrei com um bug bastante grave envolvendo qualquer Umbrasal principal, causando crash na hora de entrar nele se o HDR estava ligado. Felizmente, desligando o recurso, o problema não aparecia. Também vi em diversos momentos inimigos ficando presos no cenário, algo que não deveria acontecer.
Outra coisa que me incomodou é que há muitos chefes no game já foram mostrados em Nioh 1 e 2, e acabam sendo novidade apenas para quem está estreando na série com o terceiro jogo. Há chefes inéditos, claro, mas gostaria que a Koei Tecmo tivesse focado em trazer mais chefes únicos em vez de reciclar tantos que já haviam aparecido nos jogos anteriores.
Considerações
Nioh 3 se renova com algumas ótimas adições na jogabilidade e mapas abertos que recompensam generosamente os jogadores que decidirem explorá-los, tornando-se o jogo definitivo da franquia. A possibilidade de alternar de forma instantânea entre samurai e ninja abre novas opções nos combates, permitindo lutas mais dinâmicas contra chefes e inimigos poderosos. Apesar de algumas ressalvas, é um dos títulos mais completos do gênero, mostrando que a Koei Tecmo ainda sabe o que é preciso para entregar RPGs de ação de qualidade.
O lançamento de Nioh 3 será em 6 de fevereiro para PC e PlayStation 5.
Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Koei Tecmo.