Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection leva a série a um novo patamar

Twisted Reflection aposta em uma história mais ambiciosa e combates estratégicos para expandir o universo da franquia

16 mar 2026 - 11h57
Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection leva a série a um novo patamar
Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection leva a série a um novo patamar
Foto: Reprodução / Capcom

A Capcom vive uma fase impressionante em relação ao ritmo de lançamentos. A empresa tem mantido uma sequência constante de jogos importantes e, curiosamente, sem grandes intervalos entre eles. Pouco tempo após colocar no mercado Resident Evil Requiem, o estúdio já retorna com outra produção relevante ao lançar Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection.

Mesmo pertencendo à mesma casa, os dois jogos seguem caminhos bem diferentes. Enquanto Requiem aposta em uma experiência mais sombria, Stories 3 investe em uma aventura de RPG por turnos com forte foco narrativo. O resultado é um capítulo que mostra mais ambição do que os títulos anteriores da sub-série, ampliando o universo de Monster Hunter com uma trama maior, conflitos políticos e um mundo que parece sempre à beira de um colapso.

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Gêmeos do Destino 

Monster Hunter Stories 3 é a história mais madura da série até então. Na pele do príncipe ou princesa do Reino de Azuria e também líder da Patrulha de montadores de Monsties, a narrativa gira em torno de dois pontos cruciais. O conflito entre o reino de Azuria e o reino Vermeil, que estão em um ponto crítico e beirando uma guerra, além de uma praga que avança pouco a pouco, transformando criaturas e até mesmo o cenário em formas cristalizadas. Tudo isso nos coloca em uma trama em que a sobrevivência de todos está em nossas mãos, até mesmo das criaturas que estão à beira da extinção.

Fora esses dois cenários que se desenvolvem ao longo de todo o jogo, nosso personagem também possui uma jornada pessoal. Somos apresentados a ela logo ao iniciar o jogo pela primeira vez, em uma bela cinemática que nos leva a um ponto importante da trama. Esse momento gira em torno do nascimento de dois Rathalos que, segundo as lendas dentro da história, são considerados um sinal do fim dos tempos. 

A única forma de impedir isso seria se livrar de um deles, mas essa ideia claramente não dá certo. Um dos Rathalos acaba fugindo com a ajuda de um personagem que ninguém esperava, enquanto o outro se torna nosso principal Monstie e praticamente um protagonista ao nosso lado. O perigo de ter essas duas feras soltas acaba se provando real, e uma chama antiga ligada a essa maldição volta à tona, já que elas simbolizam uma guerra civil que havia acontecido há muito tempo.

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Não estava esperando que a história deste Monster Hunter fosse ser tão boa, principalmente quando comparada aos dois títulos anteriores. Preciso ser sincero, olhando para eles de forma geral, as histórias eram meio bobinhas, e os protagonistas não ajudavam muito. 

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Twisted Reflection consegue ser grandioso em vários aspectos. Mesmo sendo um tema relativamente comum, como uma guerra civil em um cenário mais medieval, a forma como tudo é conduzido funciona muito bem e dificilmente alguém não se sente fisgado já nos primeiros momentos. Em vários pontos parecia que eu estava assistindo uma mistura de Game of Thrones com Como Treinar o Seu Dragão dentro do universo de Monster Hunter, e foi uma combinação que funcionou muito bem. Espero sinceramente que esse seja o caminho para os próximos jogos da série.

Além da história principal ser excelente, preciso dizer que os “Arcos”, que são aventuras paralelas dos outros patrulheiros do nosso grupo, também são divertidos de realizar, principalmente os que giram em torno de Eleanor, Kora e Simon. Ainda assim, os outros patrulheiros não ficam muito atrás. No geral, são missões mais leves de jogar, que fazem a gente esquecer um pouco de toda a tensão e das questões políticas presentes na campanha principal.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Controle de Monsties 

Monster Hunter sempre é lembrado por suas batalhas exageradas contra monstros gigantes, que muitas vezes exigem elaborar uma estratégia para vencê-los, em vez de simplesmente sair usando uma espada longa ou um arco e torcer para dar certo. Twisted Reflection não fica muito atrás disso e entrega batalhas até mais grandiosas, mesmo sendo um jogo de turno. Arrisco dizer que esse estilo de combate combina até mais com a proposta do que o sistema clássico presente em outros jogos da franquia.

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Por mais que seja difícil jogos de turno terem grande variedade nas lutas, o título consegue fugir bem dessa mesmice. A lógica durante os combates segue aquele certo padrão em que algumas criaturas têm fraquezas contra determinados elementos, enquanto outras praticamente não sofrem dano. O grande diferencial aqui são os tipos de ataque, que seguem uma lógica parecida com um jokenpô, onde força derrota técnico, veloz derrota força e técnico derrota veloz. Isso nos obriga constantemente a trocar de Monstie durante as batalhas para que elas não se tornem longas demais.

Existem outros sistemas que tornam as batalhas bem únicas, como a possibilidade de montar em nosso Monstie ao preencher sua barra e realizar animações bem bonitas com golpes muito mais fortes. Também existem os ataques sincronizados com sua dupla de batalha, a escolha de quais partes do monstro destruir, algo que exige atenção para saber se a arma atual causa o dano necessário, e duas mecânicas que podem tornar os confrontos longos até demais. 

A primeira é a barra de alma serpe, que atordoa o monstro quando é zerada. A segunda são as lutas contra monstros indomáveis, que na maioria das vezes são criaturas afetadas pela cristalização. Isso nos obriga a traçar toda uma estratégia para derrotá-las, e algumas acabam sendo difíceis por conseguirem realizar golpes carregados e revidar quando são atacadas, fazendo com que a gente torça para não perder os três corações que nosso personagem possui e ter que recomeçar toda a luta.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Explorar em Twisted Reflection também merece destaque. É sempre divertido entrar em tocas de monstros e ficar torcendo para que um ovo brilhe com uma luz diferente, para então sair correndo antes que algum monstro acorde ou apareça no local. Poder usar qualquer Monstie como montaria também é muito bom, principalmente quando é necessário ter diferentes tipos para alcançar locais de difícil acesso, como ilhas que só podem ser alcançadas voando ou pela água, enquanto outros são melhores para subir montanhas e enfrentar terrenos mais complicados.

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Meu único ponto negativo na exploração é a questão dos Monsties que voam. Infelizmente, não é totalmente livre sair voando pelo mapa, já que é preciso passar por correntes de ar para ganhar impulso. Sem elas, o Monstie começa a perder altitude com o tempo. As missões secundárias espalhadas pelo mundo também são bem fraquinhas e esquecíveis, servindo mais como uma forma de ganhar experiência e receitas para novas armas e armaduras.

A noite também tem um papel importante no jogo. Nesse período, é possível encontrar monstros mais fortes que não aparecem durante o dia. O mais interessante são os monstros invasivos, criaturas que ocupam habitats de espécies em extinção. Enfrentá-las traz uma dinâmica diferente. Em vez de partir diretamente para o combate, primeiro é preciso estudar o local onde elas estão, coletando rastros. Depois disso, durante o confronto, o objetivo passa a ser mais sobreviver do que derrotar o inimigo. A ideia nesses encontros é fazer a criatura fugir para então conseguir pegar o ovo da espécie que está em risco de desaparecer.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Uma mecânica que pode consumir boas horas de jogo é justamente a que envolve esse tema dos monstros em extinção. Conforme a história avança, principalmente após desbloquear as interações com monstros invasivos e os acampamentos que podemos montar, passa a ser possível controlar a restauração do ecossistema de cada área. O sistema é bem simples. Nele, podemos dispensar alguns Monsties que temos no grupo, aumentando a quantidade deles que pode aparecer naquela região.

Essa mecânica é muito divertida de experimentar, pois cada monstro solto na área possui um sistema de ranque. Além disso, novas variações da mesma criatura podem surgir com o tempo naquela região. Isso acaba tornando monstros antes extintos quase comuns durante a exploração. Sem contar que existe uma boa chance de entrar em uma toca e encontrar um deles com ranque alto e até com duplo elemento, tornando-o quase uma criatura perfeita para usar em combate.

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Foto: Reprodução / Matheus Santana

Uma coisa que me surpreendeu bastante durante a jogatina foi perceber como a RE Engine consegue ser tão versátil. Sair de Resident Evil Requiem, lançado próximo a este Monster Hunter e que apresenta gráficos muito bonitos e até realistas em alguns momentos, torna curioso observar o resultado aqui. O jogo está longe de ser feio, muito pelo contrário. 

É facilmente um dos Monster Hunter mais bonitos já feitos, muito por conta da direção de arte e do estilo visual mais estilizado. Cada monstro, personagem e cenário chama atenção, parecendo quase uma versão jogável de uma animação saída do estúdio Ghibli. 

Mesmo jogando no Xbox Series S, não tenho nada a reclamar em relação à qualidade e ao desempenho do título. Por mais que ele seja o console mais fraco da linha Series da Microsoft, ainda é possível escolher entre três modos gráficos, incluindo Desempenho, Equilibrado e Qualidade. Por ser um jogo de turno, preferi jogar no modo Qualidade, e o nome faz jus ao que entrega até mesmo no Series S, com bons gráficos e taxa de quadros estável durante toda a experiência.

Considerações

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection - Nota 9
Foto: Divulgação / Game On

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection consegue se destacar não apenas dentro da sub-série, mas também dentro da própria franquia. A história mais madura, os conflitos entre reinos e a jornada do protagonista dão um peso narrativo que os jogos anteriores não alcançavam, tornando a campanha muito mais interessante de acompanhar.

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O combate por turnos também mostra que esse estilo combina muito bem com o universo da série. As mecânicas de tipos de ataque, a troca constante de Monsties e os sistemas que envolvem exploração e coleta de ovos ajudam a manter o jogo variado durante boa parte da aventura. Somado à direção de arte estilizada e ao bom desempenho técnico, Twisted Reflection reforça que essa vertente da franquia ainda tem muito espaço para crescer.

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection está disponível para PC. PlayStation 5, Switch 2 e Xbox Series.

Esta análise foi feita no Xbox Series S, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Capcom.

Fonte: Game On
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