Crisol: Theater of Idols traz boas ideias que nem sempre funcionam

Ilha isolada, estátuas vivas e um sistema de combate que usa o sangue do protagonista dão o tom dessa experiência de horror

13 mar 2026 - 14h42
Crisol: Theater of Idols traz boas ideias que nem sempre funcionam
Crisol: Theater of Idols traz boas ideias que nem sempre funcionam
Foto: Reprodução / Blumhouse Games

Nos últimos anos, a indústria de games tem atraído empresas conhecidas de outros setores do entretenimento. Um dos exemplos mais curiosos é a entrada da Blumhouse Productions no mercado de jogos, estúdio famoso no cinema por produzir filmes de terror como O Telefone Preto e Atividade Paranormal. A iniciativa deu origem à divisão Blumhouse Games, criada justamente para apoiar projetos menores com ideias criativas dentro do gênero de horror.

Crisol: Theater of Idols faz parte desse movimento e tenta levar para os jogos a mesma proposta que tornou o estúdio conhecido no cinema. Em vez de apostar em grandes produções, o foco aqui está em atmosfera, conceitos diferentes e um terror que mistura religião, folclore e um cenário inspirado na cultura espanhola.

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O sangue tem poder

Em Crisol: Theater of Idols, controlamos Gabriel, um soldado enviado para uma missão que acaba acordando perdido em uma ilha conhecida como Tormentosa, localizada em uma versão alternativa da Espanha, aqui chamada de Hispania. Ao chegar na ilha, Gabriel percebe que todos desapareceram, além de encontrar animais mortos espalhados por quase todas as vielas e ruas da pequena cidade chuvosa localizada no local.

Sua missão nessa ilha é um grande mistério, já que ela foi dada por uma ordem divina do Deus do Sol. O único conhecimento e ordem constante que esse próprio Deus passa para Gabriel é deter um culto que está tentando despertar ídolos do folclore único e sombrio de Tormentosa.

Um dos pontos mais fortes do jogo acaba sendo justamente a história. O trabalho feito pelo estúdio ao usar uma ilha isolada com fortes inspirações na Semana Santa espanhola casou muito bem com o que a narrativa propõe, principalmente com os inimigos sendo estátuas que remetem a essas figuras santas. Sem contar todo o mistério em volta da própria ilha, que dá munição para esse tema. 

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Foto: Reprodução / Matheus Santana

O clima melancólico com cenários abandonados chama muito a atenção, principalmente quando passamos por locais onde dá para ver que estava acontecendo alguma festa, ou até mesmo no próprio circo, que é um lugar que visitamos várias vezes para conversar com outros personagens. Sem contar tudo o que gira em torno de Dolores, uma figura que nos persegue em momentos-chave e que também aparece na capa do jogo. Suas aparições são sempre muito boas e roubam a cena quando acontecem.

Dá para notar que a desenvolvedora fez a lição de casa e seguiu aquele famoso pensamento de “posso copiar, mas sem fazer igual”. As inspirações em Bioshock e Resident Evil são bem claras, com este último aparecendo mais nos quebra-cabeças ao longo da história. 

Ainda assim, isso não chega a ser um ponto negativo. Muito pelo contrário. Explorar as vielas dessa cidade abandonada sob um clima chuvoso é algo bem único, e cada encontro com as estátuas cria momentos tensos, principalmente por conta de uma mecânica presente no combate. Com o passar do jogo, esses confrontos acabam se tornando divertidos, principalmente conforme novas armas e poderes vão sendo adquiridos.

Essas inspirações, principalmente em Bioshock, não ficam apenas no ambiente isolado parecido com o da franquia da Take-Two. Boa parte das interações e do andamento da história acontece por diálogos via rádio com Gabriel, uma dinâmica parecida com a de Jack e Andrew Ryan. A diferença é que aqui Gabriel é bem mais comunicativo e tenta entender constantemente o que está acontecendo ao seu redor.

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Foto: Reprodução / Matheus Santana

Por um lado, o jogo apresenta ideias muito boas na jogabilidade, mas também traz um problema que faz parecer que ele saiu na época errada. Durante as sequências de ação contra as estátuas, o título tem como diferencial o seu sistema de munição. Em vez de usar cartuchos normais, as armas utilizam o sangue de Gabriel, e a cada recarregamento o personagem perde parte da própria vida.

É um sistema que faz o jogador pensar várias vezes se vale a pena recarregar a arma quando a vida está baixa. Curiosamente, essa mecânica funciona muito bem, mas é uma pena que o gunplay não acompanhe essa mesma qualidade. Os momentos de tiroteio acabam sendo um pouco travados, os inimigos quase não reagem aos tiros e ainda não temos uma mira tradicional. A sensação lembra bastante jogos de tiro da sexta e sétima geração.

Essa questão do sangue não fica exclusiva apenas às armas usadas por Gabriel. Em certos pontos da ilha, é possível sugar o sangue de animais e até mesmo de alguns humanos para recuperar vida ou adquirir itens que ajudam a avançar na trama.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Outro problema agravante do jogo é a quantidade de quedas de desempenho, além de problemas na mixagem de áudio, com atrasos e sons abafados. O pior de tudo são os crashes constantes que acontecem. Enquanto jogava, a cada cerca de 30 minutos, o jogo simplesmente fechava, muitas vezes enquanto eu apenas explorava o cenário em busca de touros de prata e plasmarina para recuperar a vida do protagonista.

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É uma pena que o título apresente esses problemas, porque toda a ambientação, os gráficos e até mesmo as cenas da história são muito bem feitos. Em alguns momentos, até parece que o jogo vai além do escopo de um título AA dentro da indústria, entregando uma qualidade visual acima da média nesses aspectos. Agora resta torcer para que esses problemas de otimização e áudio sejam resolvidos, mas até o momento não há sinais claros de que isso vai acontecer.

Por fim, o título conta com legendas em português, com um trabalho de localização muito bom. Cartazes e certos elementos originalmente em espanhol foram bem adaptados, principalmente os nomes das armas, dos deuses que atormentam Gabriel e dos itens encontrados ao longo do jogo, que tiveram traduções bem adequadas.

Considerações

Crisol: Theater of Idols - Nota 7
Foto: Divulgação / Game On

Crisol: Theater of Idols tem ideias muito interessantes, principalmente na ambientação e no conceito do combate que utiliza o próprio sangue do protagonista como recurso. A atmosfera construída pela ilha de Tormentosa, somada às inspirações religiosas e ao mistério em volta da história, cria momentos bastante marcantes ao longo da campanha.

Por outro lado, problemas técnicos e limitações no combate acabam impedindo que o jogo alcance todo o potencial que demonstra em sua proposta. Ainda assim, o título mostra como projetos menores podem apostar em conceitos criativos dentro do terror e reforça a intenção da Blumhouse de explorar esse espaço dentro da indústria dos videogames.

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Crisol: Theater of Idols está disponível para PC. PlayStation 5 e Xbox Series.

Esta análise foi feita no Xbox Series, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela ID@Xbox.

Fonte: Game On
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