Vozinha, do colo da bisavó para o mundo

21 jun 2026 - 11h31
(atualizado às 11h56)

Goleiro de Cabo Verde fecha o gol contra a Espanha e vira sensação na estreia de seu país numa Copa do Mundo.O futebol mundial ganhou mais um ídolo: Vozinha. O goleiro de 40 anos da seleção de Cabo Verde se tornou uma estrela internacional da noite para o dia, na histórica estreia de seu país na Copa do Mundo de 2026 - e também o orgulho dessa pequena nação futebolística.

Vozinha, um jogador de 40 anos e sem contrato, é o alicerce da equipe nacional de Cabo Verde
Vozinha, um jogador de 40 anos e sem contrato, é o alicerce da equipe nacional de Cabo Verde
Foto: DW / Deutsche Welle

No surpreendente empate em 0 a 0 na primeira partida de Cabo Verde numa Copa do Mundo, em 15 de junho, contra ninguém menos que a atual campeã europeia e uma das favoritas ao título mundial, a Espanha, Josimar José Évora Dias teve uma atuação para entrar para os livros de história cabo-verdianos.

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"Foi um empate com gosto de vitória para Cabo Verde", escreveu um jornal esportivo de Portugal, onde Vozinha vive há anos. Sete defesas de alto nível contra uma equipe espanhola dominante o transformaram no "homem do jogo" - e, em poucas horas, em um fenômeno viral na internet.

A Espanha finalizou 27 vezes, e Vozinha manteve seu gol intacto com reflexos espetaculares. O azarão Cabo Verde, um país insular de língua oficial portuguesa com cerca de 500 mil habitantes, impressionou o mundo do futebol - e também as redes sociais.

O número de seguidores dele saltou de cerca de 50 mil para quase 10 milhões após a partida. "Um sonho se tornou realidade! Representar Cabo Verde no maior palco do futebol mundial é uma honra indescritível", escreveu Vozinha depois do jogo.

O orgulho da família

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"Como pai e cabo-verdiano, estou incrivelmente orgulhoso", disse o pai de Vozinha, José Pedro Dias, à DW. Para ele, esse momento é difícil de descrever. "Não apenas por causa do meu país, mas porque meu filho está lá representando Cabo Verde."

A atuação contra a Espanha o emocionou, mas não o surpreendeu. "Sinceramente, não fico totalmente surpreso. Sempre senti que algo assim era possível, que meu filho era capaz disso."

Andarilho e sem clube

A carreira de Vozinha é a de um típico nômade do futebol. Nascido em 1986 na ilha de São Vicente, ele começou nas equipes locais de Cabo Verde, como o Batuque e o Mindelense, antes de seguir, ainda cedo, para o exterior.

Sua carreira o levou a vários clubes, incluindo o Progresso Associação do Sambizanga, em Angola, o Zimbru Chișinău, na Moldávia, o AS Trenčín, na Eslováquia, e o AEL Limassol no Chipre, onde conquistou seu maior título por clubes, a copa local, em 2019. Ele também jogou pelo Gil Vicente, de Portugal.

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Recentemente, estava no Chaves, da segunda divisão portuguesa, onde disputou 19 partidas na última temporada. No entanto, seu contrato não foi renovado, e Vozinha está sem clube.

Que justamente um jogador de 40 anos e sem contrato se torne o alicerce da equipe nacional em sua primeira Copa do Mundo combina perfeitamente com sua história.

No colo da bisavó

Essa história começa nas ruas de Mindelo, a capital da ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Lá, o futebol não era um hobby, mas parte da vida cotidiana. "Ele sempre jogou futebol. Mal saía da escola, os amigos já o esperavam", lembra o pai. "Muitas vezes eu precisava tirá-lo do campo à força. Mas o menino estava completamente absorvido pelo jogo. Não era um passatempo, era a vida dele."

O apelido também tem uma origem muito pessoal. "Ele era o menor em campo", conta o pai. "Quando os outros o provocavam, ele sempre corria para a bisavó." Ela morava na mesma casa e se tornou sua figura de proteção. "Ele sempre dizia: 'Vou até minha vozinha'."

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Esperança de visto para o segundo jogo

Enquanto o goleiro faz história em campo, a família dele vive a Copa com muita emoção. Sua mãe, Ana Cândida Évora, mora em São Vicente. Após problemas iniciais com o visto, as autoridades dos EUA permitiram sua entrada e a de outros familiares. "Estou muito orgulhosa. Estou tão emocionada que mal consigo comer", disse.

Toda a família aguarda ansiosamente para vê-lo ao vivo no estádio. "No segundo jogo estarei lá, ao lado do meu filho", disse Évora antes de viajar para os Estados Unidos. Na mala, ela levou um cachecol e uma camisa dos Tubarões Azuis, como é conhecida a seleção de Cabo Verde.

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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