A poucos dias de uma votação para o impeachment do presidente Júlio Casares, novos escândalos tomam conta dos bastidores do São Paulo. A nova notícia é de que a Polícia Civil investiga Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol do clube, pela abertura de 15 empresas no período em que esteve exercendo suas funções no time tricolor - entre 2021 e 2025.
Detalhes do inquérito foram divulgados na noite deste domingo (11) em reportagem do Fantástico, da TV Globo, e publicados pelo GE. A Polícia Civil analisa se a abertura destas empresas têm relação a um possível desvio de dinheiro dos cofres do São Paulo. A família Casares também passa pelo processo de investigação.
A denúncia que originou a abertura do inquérito foi enviada pelos Correios. O documento apontaria dirigentes do São Paulo como envolvidos em um esquema de desvio de verbas junto a empresas que prestariam serviços ao clube tricolor, além de agência de jogadores. O esquema favoreceria a abertura de lojas em shoppings centers.
Ainda segundo a investigação divulgada pelo Fantástico, haveria semelhanças entre as denúncias ocorridas no São Paulo com os episódios ocorridos no Corinthians com a empresa VaiDeBet. A investigação preliminar da Polícia Civil teria colhido 'evidências consistentes' que teriam credibilidade.
Delegado responsável pelo caso, Tiago Fernando Correia explicou como chegou ao nome de Nelson Marques Ferreira. Segundo ele, a denúncia teria mencionado um diretor que teria sido responsável pela abertura de 15 franquias, começando em 2021, justamente a data de início do mandato de Casares, que logo que assumiu a cadeira nomeou Nelson Marques Ferreira ao cargo que ocupou até o fim do ano passado. O delegado ressalta ainda que o São Paulo é uma vítima de todas as ações ilegais.
As investigações citadas por Tiago junto ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) dão conta de que houve movimentações financeiras entre 2021 e 2025 - 35 saques, especificamente - que totalizaram R$ 11 milhões. O mesmo valor o qual Júlio Casares se pronunciou recentemente, defendendo-se de eventuais acusações.
O que diz a defesa de Casares?
Documentos do Coaf apontam que houve movimentações suspeitas nas contas de Júlio Casares. Foram fiscalizadas transações durante 29 meses. A investigação diz que "a atipicidade deixa de ser pontual e revela-se estrutural".
Bruno Borragini, advogado de Casares, contou que as contas do seu cliente não têm qualquer envolvimento com os saques vindos do São Paulo. "Na iniciativa privada ele ganhava tanto em conta e também ao longo dessas funções que ele exerceu, ele recebeu boa parte em espécie. E ele guardou, quando ele assume a presidência do São Paulo, ele passa a suplementar a renda dele, como ele teve esse decréscimo, fazer esses depósitos em conta", explicou.
Segundo Casares, cujo processo de impeachment será votado na próxima sexta-feira (16), os R$ 11 milhões movimentados nos cofres do clube entre 2021 e 2025 foram 'gastos cotidianos'. Ou seja, pagamento em espécie de arbitragem e de 'bichos' aos jogadores. O documento completo foi enviado ao Conselho Deliberativo para compor a defesa do então presidente são-paulino.