Impeachment no São Paulo: Casares perde ainda mais apoio e vê otimismo da oposição para afastamento

Votação online é cobrada por conselheiros, enquanto há divergência sobre votos necessários para afastar presidente

9 jan 2026 - 00h24
(atualizado às 07h59)
Resumo
Júlio Casares enfrenta crise política no São Paulo com investigações por má gestão, perda de apoio interno e possibilidade de impeachment, enquanto a oposição se fortalece visando as eleições de 2026.

Em meio a uma campanha vira-voto pelo afastamento de Júlio Casares da presidência do São Paulo, o dirigente perdeu ainda mais apoio de conselheiros. Cerca de 125 integrantes do Conselho Deliberativo deixaram a coalizão de situação, incluindo até mesmo o grupo Participação, do qual o presidente faz parte.

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O movimento não significa que eles irão votar a favor do impeachment, que será pautado no dia 14, no MorumBis. Entretanto, isso anima opositores, que vêm articulando apoio para aprovar o afastamento de Casares. Fontes ouvidas pelo Estadão argumentam que, mesmo se o impeachment não for aprovado, a gestão de Casares ganhará um teor "figurativo" diante do enfraquecimento.

A mobilização agora é também para que seja permitida a votação online e não apenas presencial. Opositores de Casares se preocupam com a ausência de conselheiros em férias.

O presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres Abreu Júnior, tinha até o dia 23 para convocar a reunião, que poderia ser em fevereiro. A convocatória, porém, veio logo depois do parecer do Conselho Consultivo contrário ao afastamento.

Vinícius Pinotti, que tem sido cotado como candidato de oposição para as eleições deste ano, se manifestou sobre o sistema de votação. Ele está em viagem de férias no Japão e abriu voto pelo afastamento de Casares.

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"A medida é necessária para garantir a correta apuração dos fatos, a instabilidade institucional e o respeito às instâncias do clube", escreveu em nota.

"O afastamento não representa pré-julgamento. O cidadão Júlio Casares mantém integralmente seu direito de defesa, com pleno acesso ao contraditório e ao devido processo legal", completou.

Há uma confusão sobre a quantidade de votos necessários para o afastamento. O artigo 112 do Estatuto do São Paulo prevê a destituição com votos de dois terços (171) dos conselheiros.

Entretanto, o texto se contradiz, no artigo 58, em que a destituição é apontada como uma das medidas que necessita de 75% de aprovação do Conselho Deliberativo. Assim, o número seria de 191 votos, já que há 255 conselheiros. É este o número que Casares deseja que seja levado em conta.

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No dia da reunião, é esperada mobilização de torcidas organizadas do São Paulo do lado de fora do MorumBis. No encontro, Casares terá a chance de apresentar sua defesa sobre as acusações às quais responde.

O pedido de impeachment foi assinado por 57 conselheiros. Eles acusam Casares de má gestão orçamentária, venda de atletas abaixo do valor de mercado e uso ilegal de camarote.

Se Casares for afastado no Conselho, em até 30 dias, uma Assembleia Geral de sócios do clube deverá ser instituída para ratificar a decisão do Conselho Deliberativo. Nesta instância, basta maioria simples dos sócios. Um afastamento bane o presidente do clube, tirando-o também do Conselho Consultivo - o que não acontece em caso de renúncia. Se o dirigente for absolvido, o caso é arquivado.

Julio Casares, presidente do São Paulo, é alvo de pedido de afastamento feito por grupo de oposição
Julio Casares, presidente do São Paulo, é alvo de pedido de afastamento feito por grupo de oposição
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Entenda a crise política no São Paulo

Em situação financeira complicada, o clube tinha uma coalizão forte que sustentava a gestão de Júlio Casares. A saída de Carlos Belmonte fragilizou a situação, mas ainda não impediu, por exemplo, que o próprio ex-diretor aprovasse o orçamento da gestão para 2026.

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Entretanto, a instabilidade cresceu depois de episódios recentes. O primeiro foi o vazamento de um áudio que revelava um esquema clandestino de comercialização de um camarote no MorumBis em noites de shows.

Mara Casares e Douglas Schawrtzmann, diretores flagrados na gravação, se afastaram dos cargos. O Ministério Público de São Paulo pediu a abertura de um inquérito policia, enquanto o São Paulo abriu sindicâncias (interna e externa) para apuração.

Em paralelo, a Polícia Civil de São Paulo passou a investigar diretores por supostos desvios de verba em vendas de atletas do clube. Ao todo, 35 saques em dinheiro vivo das contas do São Paulo que somam R$ 11 milhões são alvos de investigação.

Os escândalos criaram tensão na gestão são-paulina e possibilitaram que a oposição se fortalecesse para pedir o afastamento de Casares e visar a eleição de 2026.

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A defesa de Casares, representado pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, informou que "todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do Coaf, possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira."

"Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração", diz a nota.

Os representantes ainda afirmam ainda que "a origem do lastro de tais movimentações serão esclarecidas ao longo da investigação para rebater qualquer ilação", reforçando que ainda não teve acesso ao inquérito policial.

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