Depósitos para familiares e recebimento quantia milionária: as acusações contra presidente do São Paulo
Pressão para a saída de Julio Casares aumenta na proporção que novos escândalos são divulgados
O presidente do São Paulo, Julio Casares, enfrenta acusações de movimentações financeiras suspeitas, vendas irregulares de camarotes, má gestão orçamentária e outros casos investigados pela Polícia Civil e pelo Conselho Deliberativo, que avalia seu impeachment.
O São Paulo viu seus bastidores serem tomados por polêmicas desde o fim de 2025. Presidente do Tricolor Paulista desde 2021, Julio Casares encara uma tempestade de acusações contra sua gestão.
- Está no Tiktok? O Terra Esportes chegou por lá para te manter informado de um jeito diferente e divertido. Siga nosso perfil, curta e compartilhe!
Em meio a um inquérito da Polícia Civil que investiga movimentações atípicas em sua conta, o Conselho Deliberativo do clube vai votar o impeachment do mandatário tricolor. Na reunião, ele poderá se defender das acusações internas de má gestão orçamentária, venda de atletas abaixo do valor de mercado e uso ilegal de camarote.
-
R$ 1,5 milhão recebido por Casares
De acordo com relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) divulgados pelo UOL, Casares recebeu depósitos em espécie de R$ 1,5 milhão em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025.
O valor corresponde a quase metade de toda a movimentação financeira do dirigente no período, com apenas 19,3%, cerca de R$ 617 mil, referentes aos salários do período.
Ainda segundo o site, há registros de até 12 operações no mesmo dia e depósitos de R$ 49 mil. A partir de R$ 50 mil, o Coaf é alertado automaticamente da transação.
Em pronunciamento assinado pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, a defesa do presidente são-paulino afirmou que “a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhados e esclarecidos no curso das investigações - com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais - justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso o integralidade do inquérito policial”.
-
Saques da conta do clube
O inquérito policial também analisa 35 saques em dinheiro em espécie feitos das contas do São Paulo entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025. De acordo com o Estadão, o valor total chega a R$ 11 milhões.
Nas duas primeiras operações, um funcionário do clube fez a retirada do valor na agência bancária. Posteriormente, o clube contratou uma empresa de carro forte para realizar a retirada em 28 operações.
Todos os saques foram feitos durante a gestão de Casares, mas não há evidências de que ele tenha se beneficiado das movimentações. Em nota, o São Paulo afirmou que não há saques sem registros.
“A movimentação financeira do clube é informada à Receita Federal. Não existem saques sem registro e a devida contabilização de quem deu origem aos gastos, inclusive com a documentação fiscal”, disse o clube.
-
Dinheiro na conta da filha de Casares
De acordo com o ge, a Polícia Civil também identificou "manobras financeiras de alta sofisticação para a dissimulação de valores" em uma conta em nome de Deborah de Melo Casares, filha de Julio Casares e Mara Casares.
Segundo a análise das autoridades, houve uma ação coordenada envolvendo a empresa Otto Estúdio de Beleza, que a filha do dirigente são-paulino é sócia. As contas jurídica e física de Deborah eram abastecidas no mesmo dia, o que indica uma estratégia de pulverização de valores, segundo o inquérito.
Em 22 de novembro de 2024, por exemplo, Mara depositou R$ 49,5 mil na conta da filha, enquanto a conta da empresa recebeu R$ 37,5 mil em espécie. O relatório diz que as contas física e jurídica receberam um total de R$ 157,1 mil no período.
-
Vendas de camarotes
Ainda no ano passado, áudios divulgados pelo ge mostram Douglas Schwartzmann dizendo que Mara Casares recebeu um camarote do superintendente Márcio Carlomagno e comercializou ingressos para o show da Shakira, em fevereiro de 2025.
Esses bilhetes, então, teriam sido repassados para uma intermediária chamada Rita de Cassia Adriana Prado, que os teria vendido por até R$ 2,1 mil.
Com a repercussão do caso, Schwartzmann e Mara se afastaram das diretorias adjunta de futebol de base e feminina, cultural e de eventos, respectivamente.
Em publicação em uma rede social, a ex-esposa de Casares afirmou que o áudio foi tirado de contexto, “traz uma conotação que não reflete a verdade dos fatos nem a minha intenção” e “em nenhum momento houve benefício pessoal”.
-
Canetas emagrecedoras
Também em dezembro, o UOL revelou que o médico Eduardo Rauen indicou um fornecedor irregular do medicamento Mounjaro a jogadores do São Paulo. As canetas emagrecedoras também eram comercializadas por R$ 5.599,00, valor acima do de mercado, que varia de R$ 1.523,06 a R$ 4.067,81.
Na época, o clube disse que “foram realizados tratamentos médicos individualizados, indicados de forma pontual após avaliações clínicas criteriosas em apenas dois atletas do time profissional, e não de maneira generalizada, contínua e indiscriminada”.