O Conselho Deliberativo do São Paulo vai votar o impeachment de Júlio Casares no dia 14 de janeiro, às 18h30, no MorumBis. A convocação da reunião extraordinária foi feita pelo presidente do órgão, Olten Ayres de Abreu Júnior, na noite desta terça-feira.
No encontro, Júlio Casares poderá se defender das acusações feitas no requerimento do processo. Ele é acusado de má gestão orçamentária, venda de atletas abaixo do valor de mercado e uso ilegal de camarote.
Depois, haverá a votação (secreta e apenas presencial). Para que seja aprovado, é preciso que o afastamento tenha voto favorável de maioria qualificada, dois terços do Conselho (177 votos). Isso iria impor um afastamento provisório do presidente.
Em até 30 dias após a votação do Conselho, uma Assembleia Geral de sócios do clube deverá ser instituída para ratificar a decisão do Conselho Deliberativo. Nesta instância, basta maioria simples.
O procedimento foi aberto por um pedido com 57 assinaturas (o mínimo era de 50). Entre os opositores de Casares, há o entendimento de que será difícil conquistar os votos necessários, mesmo diante do desgaste político vivido pelo dirigente.
Um dos motivos é o momento em que a reunião irá ocorrer, em janeiro, com parte dos conselheiros fora de São Paulo. Olten tinha até o dia 23 para convocar a reunião, cumprindo prazo de 30 dias após o recebimento do pedido de afastamento.
Nesta terça-feira, Casares teve respaldo do Conselho Consultivo, que emitiu parecer contrário ao impeachment. Na prática, o documento não é determinante, mas serve para embasar a discussão dos votos.
Se Casares for afastado no Conselho e pela Assembleia, ele é também banido do clube. Já em caso de renúncia, ele se mantém no Conselho Consultivo. Essa última situação é semelhante ao que viveu o ex-presidente Carlos Miguel Aidar. Em 2015, ele deixou o cargo, sob acusações de desviar recursos do clube.
Entenda a crise política no São Paulo
Em situação financeira complicada, o clube tinha uma coalizão forte que sustentava a gestão de Júlio Casares. A saída de Carlos Belmonte fragilizou a situação, mas ainda não impediu, por exemplo, que o próprio ex-diretor aprovasse o orçamento da gestão para 2026.
Entretanto, a instabilidade cresceu depois de episódios recentes. O primeiro foi o vazamento de um áudio que revelava um esquema clandestino de comercialização de um camarote no MorumBis em noites de shows.
Mara Casares e Douglas Schawrtzmann, diretores flagrados na gravação, se afastaram dos cargos. O Ministério Público de São Paulo pediu a abertura de um inquérito policia, enquanto o São Paulo abriu sindicâncias (interna e externa) para apuração.
Em paralelo, a Polícia Civil de São Paulo passou a investigar diretores por supostos desvios de verba em vendas de atletas do clube. Ao todo, 35 saques em dinheiro vivo das contas do São Paulo que somam R$ 11 milhões são alvos de investigação
Os escândalos criaram tensão na gestão são-paulina e possibilitaram que a oposição se fortalecesse para pedir o afastamento de Casares e visar a eleição de 2026.
Procurada pela reportagem, a defesa de Casares, representado pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, informou que "todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do Coaf, possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira."
"Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração", diz a nota.
A defesa de Casares afirma ainda que "a origem do lastro de tais movimentações serão esclarecidas ao longo da investigação para rebater qualquer ilação", reforçando que ainda não teve acesso ao inquérito policial.