Grafites marcam protestos da torcida do São Paulo ao redor do Morumbis

Mensagens começaram a ser pintadas em novembro do ano passado

15 jan 2026 - 19h41
Resumo
Protestos com grafites criticam a gestão de Julio Casares no São Paulo, enquanto ele enfrenta investigações, acusações de irregularidades e um possível impeachment votado pelo Conselho Deliberativo do clube.
Manifestações em grafites ao redor do Morumbis
Manifestações em grafites ao redor do Morumbis
Foto: Raul Godoy/Terra

Os arredores do Estádio Morumbis estão marcados por protestos nesta quinta-feira, 15, dia que o São Paulo recebe o São Bernardo pela segunda rodada do Campeonato Paulista. As homenagens a ídolos e à história do clube nos muros da Avenida Jules Rimet deram lugar às críticas ao presidente Julio Casares e sua gestão.

A primeira das pinturas coloca dirigentes representados por idosos usufruindo de bens enquanto o estádio definha ao fundo. A crítica também ilustra o aumento das dívidas do clube desde 2018.

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Mais ao lado, um muro tem o pedido pela saída do executivo Rui Costa, Casares e “sua corja”. Na obra, o presidente são-paulino é colocado como um rato.

Manifestações em grafites ao redor do Morumbis
Foto: Raul Godoy/Terra

Por fim, a sequência de desenhos é concluída com um palhaço ao lado da mensagem “tempos difíceis”. O duelo contra o São Bernardo marcará o primeiro jogo do São Paulo com os grafites de protesto, que começaram a ser pintados em novembro de 2025, após o início de escândalos e acusações contra a diretoria.

Em meio aos protestos, o estádio permanecia vazio a pouco mais de duas horas para o início da partida contra o São Bernardo, marcada para 21h45 desta quinta, 15.

Manifestações em grafites ao redor do Morumbis
Foto: Raul Godoy/Terra

Os bastidores conturbados no Morumbis

Desde o fim de 2025, a gestão liderada por Júlio Casares começou a estampar as capas policiais. Com um inquérito instaurado pela Polícia Civil, o Conselho Deliberativo do clube vai votar o impeachment do presidente são-paulino nesta sexta-feira, 16. São necessários votos de 191 dos 254 conselheiros aptos para que o mandatário seja destituído do cargo. 

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A principal acusação que envolve o nome do presidente aponta depósitos em espécie de R$ 1,5 milhão em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025.  Por meio dos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, a defesa do presidente são-paulino afirmou que “a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhados e esclarecidos no curso das investigações - com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais - justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso o integralidade do inquérito policial”.

A Polícia Civil também identificou "manobras financeiras de alta sofisticação para a dissimulação de valores" em uma conta em nome de Deborah de Melo Casares, filha de Julio Casares. O relatório diz que as contas física e jurídica receberam um total de R$ 157,1 mil.

Sem ter o nome de Casares citado no caso, as autoridades analisam 35 saques em dinheiro em espécie feitos das contas do São Paulo, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025.

O primeiro caso a vir à tona envolve Mara Casares, ex-esposa do presidente são-paulino. Ainda no ano passado, áudios divulgados pelo ge mostram o dirigente Douglas Schwartzmann dizendo que Mara recebeu um camarote do superintendente Márcio Carlomagno e comercializou os ingressos para o show da Shakira, em fevereiro de 2024. O ato é considerado ilegal.

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Em publicação em uma rede social, a ex-esposa de Casares afirmou que o áudio foi tirado de contexto, “traz uma conotação que não reflete a verdade dos fatos nem a minha intenção” e “em nenhum momento houve benefício pessoal”. Ela se afastou da diretoria feminina, cultural e de eventos do clube.

Também em dezembro, o UOL revelou que o médico Eduardo Rauen indicou um fornecedor irregular do medicamento Mounjaro a jogadores do São Paulo. As canetas emagrecedoras também eram comercializadas por R$ 5.599,00, valor acima do de mercado, que varia de R$ 1.523,06 a R$ 4.067,81.

Na época, o clube disse que “foram realizados tratamentos médicos individualizados, indicados de forma pontual após avaliações clínicas criteriosas em apenas dois atletas do time profissional, e não de maneira generalizada, contínua e indiscriminada”.

Fonte: Portal Terra
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