A Polícia Civil investiga um ex-diretor do São Paulo por conexão com abertura de 15 empresas e possíveis desvios milionários, enquanto o clube e membros da gestão enfrentam acusações de irregularidades financeiras e comerciais.
Às vésperas da votação do impeachment do presidente Júlio Casares, novos escândalos vêm à tona no São Paulo. Neste domingo, 11, a TV Globo revelou que a Polícia Civil investiga o ex-diretor adjunto de futebol do clube, Nelson Marques Ferreira, pela abertura de 15 empresas, entre 2021 e 2025.
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As autoridades apuram se a abertura destas empresas têm alguma relação a um possível desvio milionários de dinheiro vivo dos cofres do clube. A família Casares também passa pelo processo de investigação. O inquérito aponta indícios de associação criminosa, apropriação indébita e furto qualificado.
De acordo com a emissora, o caso passa a ser investigado a partir de uma denúncia anônima recebida pelas autoridades. "Nós recebemos uma denúncia dando conta de que havia uma série de desvios estruturados e sistemáticos no âmbito do São Paulo Futebol Clube", revela o delegado Tiago Correia, responsável pela investigação.
Entre os citados, está Marques Ferreira, que deixou o cargo em novembro do ano passado. O delegado aponta que em 2022 e 2023, ele teria aberto cerca de 15 franquias e 15 empresas em shopping centers. Isso chamou a atenção da polícia.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) foi acionado e levantou os dados das contas do São Paulo, nas quais foram encontrados 35 saques em espécie, entre 2021 e 2025, somando R$ 11 milhões.
O relatório demonstra ainda que os dois primeiros saques, um total de R$ 600 mil, foram feitos por um ex-funcionário do clube. Depois, uma empresa de carros-forte é usada pelo São Paulo para fazer a retirada do dinheiro vivo na boca do caixa.
Conforme a polícia, o banco era informado pela retirada dos valores pelo departamento financeiro do clube e o valor era levado para a tesouraria após o saque. Foram localizados 33 saques feitos com o carro-forte. Em 2024, foi o ano de maior movimentação, com 11 retiradas que totalizam R$ 5,2 milhões; já em 2025 são mais R$ 1,7 milhão, em cinco saques.
Ainda segundo o delegado, esse modus operandi de usar uma empresa de valores, ao invés de uma pessoa física, dificulta o rastreio da quantia. A polícia busca agora entender o motivo dos valores terem sido sacados, para quem foram entregues e onde foram aplicados.
O inquérito também apura a conta conjunta mantida por Julio Casares com a ex-esposa, Mara Casares. Isso porque, segundo o relatório do Coaf, o presidente do São Paulo recebeu cerca de R$ 1,5 milhão em depósitos em espécie, entre janeiro de 2023 e maio de 2025. A defesa nega que os valores tenham ligação com os saques do clube, dizendo que a quantia têm origem e lastro.
Mara está afastada do cargo de diretora de eventos após a reportagem revelar um esquema de comercialização clandestina, em grandes shows, de camarotes do estádio do São Paulo. Um áudio mostra o ex-diretor Douglas Schwartzmann dizendo que só topou entrar no esquema porque Mara garantiu confiança na pessoa envolvida. Na época, a defesa dele afirmou que a divulgação se trata de uma "campanha difamatória".
Tanto a defesa dele, quanto à de Mara, afirmam que o material divulgado saiu fora de contexto e que ocorria "um julgamento antecipado” dela.
Enquanto isso, a defesa do São Paulo esclarece que o clube não é alvo da investigação. Além disso, aponta que os valores sacados em espécie são contabilizados e usados para despesas, entre elas alimentos, bebidas, arbitragem e outras necessidades do dia a dia.
A defesa de Marques Ferreira não foi localizada.