Quase dois meses após o Palmeiras rescindir o contrato de patrocínio com o Grupo Fictor, o CEO e fundador da holding, Rafael Góis, foi alvo de uma operação da Polícia Federal para combater fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, que superaram R$ 500 milhões.
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O acordo previa que a empresa pagasse anualmente R$ 25 milhões ao clube para exibir sua marca nas costas do time principal, do masculino e do feminino, e também na propriedade máster e costas dos uniformes das categorias de base. O valor poderia chegar a R$ 30 milhões, a depender de bônus por metas atingidas.
O contrato de patrocínio seria de três anos e envolvia também os naming rights de um torneio sub-17 organizado pelo clube paulista, que passou a se chamar Copa Fictor. Com dívidas de R$ 4,2 bilhões, o grupo pediu recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Na época, o clube afirmou que o acordo foi rompido "em razão de inadimplemento contratual e do pedido de recuperação judicial realizado pelo grupo", respaldando-se no que foi previsto no contrato. A Fictor deve ao Palmeiras R$ 2,6 milhões ao Palmeiras, conforme declarou à Justiça em seu pedido de recuperação judicial. O valor é referente ao pagamento da parcela de patrocínio mais recente e de bonificações por resultados esportivos, que deveriam ter sido feitos em janeiro.
Procurado pelo Terra, o clube afirmou que não vai se manifestar sobre o caso, mas afirmou que avalia outras providências legais.
Envolvimento com o Banco Master e recuperação judicial
De acordo com a PF, houve uma tentativa da Fictor em comprar o Banco Master. Em 17 de novembro de 2025, a empresa afirmou ter fechado um acordo para a aquisição do banco de Daniel Vorcaro, em conjunto com um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos. No entanto, no dia seguinte, o Master foi liquidado pelo Banco Central, tendo o negócio desfeito.
O grupo pediu a suspensão e o bloqueio de dívidas por um prazo de 180 dias para a Fictor Holding e a Fictor Invest. Na época, a empresa emitiu um comunicado afirmando que pretende quitar todas as dívidas sem deságio, ou seja, sem negociar abatimento nos valores, mas apenas o prazo do recebimento.
"A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável", escreve a empresa.
Operação da PF
A ação da PF na manhã desta quarta-feira, 25, busca cumprir 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, em cidades dos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia. Além de Góis, o ex-sócio dele, Luiz Rubini, também é alvo de buscas da Polícia Federal.
A investigação começou em 2024, quando foram identificados indícios de um esquema estruturado voltado à prática de fraudes bancárias e lavagem de capitais. O grupo atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas de fachada, inclusive vinculadas ao grupo econômico específico, para movimentar recursos ilícitos.
Segundo as autoridades, há evidências de que parte desses valores tinha origem em células criminosas vinculadas ao Comando Vermelho (CV), facção com origem no Rio de Janeiro.
Os criminosos estruturavam as atividades por meio da criação, em larga escala, de pessoas jurídicas fictícias, com padrões previamente definidos, tais como capital social simulado, objeto social genérico e sócio único, destinadas à obtenção fraudulenta de crédito junto a instituições financeiras.
A investigação apurou que os responsáveis pelo Grupo Fictor atuavam como núcleo de sustentação financeira e operacional, papel relevante e estruturante no funcionamento da organização criminosa.
A função consistia em injetar recursos para simular movimentações financeiras entre empresas vinculadas à organização, especialmente por meio do pagamento cruzado de boletos, criando artificialmente aparência de liquidez e saúde financeira. Além disso, o grupo também atuava na criação e gestão de empresas de fachada.
Até o momento, a Fictor não se manifestou sobre a operação. A defesa de Luiz Rubini e Rafael Góis também não foi localizada.
**Com informações do Estadão