MotoGP: Acidente na Hungria reacende debate sobre segurança nas largadas

Incidente envolvendo Jorge Martín acontece semanas após acidente na Catalunha e reforça discussões sobre mudanças nas largadas

10 jun 2026 - 14h02
Grid de largada da MotoGP
Grid de largada da MotoGP
Foto: Divulgação / MotoGP

O GP da Hungria voltou a colocar em pauta a segurança das largadas na MotoGP. Duas semanas após o acidente envolvendo Johann Zarco e Álex Márquez na primeira curva do GP da Catalunha, a categoria presenciou um novo incidente na primeira curva, desta vez envolvendo Jorge Martín, Marco Bezzecchi, Raúl Fernández, Fermín Aldeguer e Fabio Di Giannantonio. 

Apesar de nenhum dos pilotos ter sofrido ferimentos, o acidente teve consequências esportivas. Após análise dos comissários, Martín foi considerado responsável pelo incidente e recebeu uma punição de dupla volta longa, que deverá ser cumprida na próxima etapa do campeonato, em Brno. 

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O episódio acontece justamente em um momento em que a MotoGP discute mudanças para reduzir os riscos nas largadas. Após os acontecimentos na Catalunha, a categoria passou a avaliar medidas como o aumento do espaço entre as motos no grid e a proibição do dispositivo de largada, sistema utilizado para manter a moto mais baixa e melhorar a aceleração nos primeiros metros da corrida. 

Entre os pilotos, as opiniões foram divididas. Fabio Di Giannantonio foi um dos mais críticos após a prova e defendeu uma postura mais cautelosa por parte dos competidores nas primeiras curvas, argumentando que mudanças no regulamento terão pouco efeito sem uma adaptação do comportamento dos próprios pilotos. 

Por outro lado, Pecco Bagnaia apontou as condições da pista como um fator importante para o acidente. O italiano já havia alertado antes da corrida sobre a baixa aderência em trechos que receberam novo asfalto e, após a prova, avaliou que a perda de controle de Martín teve relação direta com as características da superfície na entrada da primeira curva. 

A avaliação foi semelhante à de Joan Mir. O campeão mundial de 2020 destacou a dificuldade de controlar a moto na linha interna da curva 1 e explicou que o trecho oferece apenas uma trajetória realmente segura, aumentando o risco de incidentes em disputas mais agressivas logo após a largada.

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Jack Miller também chamou atenção para o recapeamento recente realizado naquela área do circuito. Segundo o australiano, o novo asfalto ainda não teve tempo suficiente para ganhar aderência adequada, o que teria contribuído para as dificuldades enfrentadas pelos pilotos durante a frenagem. 

Outro ponto levantado por Miller e também por Diogo Moreira foi o uso do dispositivo de altura na largada. O sistema melhora a aceleração inicial, mas exige uma frenagem forte para retornar a moto à configuração normal. Na avaliação dos pilotos, a combinação entre velocidades mais altas, frenagens intensas e um asfalto com pouca aderência pode aumentar significativamente o risco de acidentes nas primeiras curvas. 

Com mais um incidente de grandes proporções registrado em poucas semanas, a pressão para que a MotoGP implemente mudanças cresce dentro do paddock. A expectativa é que a categoria avance nas discussões sobre os procedimentos de largada e sobre o futuro dos dispositivos de altura, que devem ser removidos das largadas após a pausa de verão

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