O técnico do Irã, Amir Ghalenoei, acredita que o início invicto da sua seleção na Copa do Mundo ficará marcado na história do futebol iraniano, após um pré-torneio turbulento e marcado por problemas relacionados à guerra, complicações nas viagens e tempo limitado de preparação.
Após o empate na estreia contra a Nova Zelândia, o Irã conseguiu mais um ponto neste domingo ao empatar em 0 x 0 com a Bélgica em Los Angeles e agora soma dois pontos no Grupo G.
A Bélgica, que teve um jogador expulso, dominou a posse de bola, mas não conseguiu furar a disciplinada defesa iraniana. O goleiro Alireza Beiranvand realizou uma série de defesas para garantir o resultado. O Irã também criou perigo nos contra-ataques e esteve perto de arrancar a vitória.
Ghalenoei disse que o resultado tem que ser analisado no contexto das dificuldades que sua equipe enfrentou nos últimos seis meses.
"Quero voltar seis meses no tempo", afirmou aos repórteres. "Estivemos em condições de guerra por seis meses. Nosso campeonato nacional não estava em andamento."
O técnico disse que atrasos na emissão de vistos, restrições de viagem e amistosos cancelados atrapalharam gravemente os preparativos, com os jogadores divididos entre aqueles que atuam dentro e fora do país.
"Muitas seleções cancelaram os jogos que disputariam contra nós. Chegamos à Copa do Mundo nas piores condições possíveis", afirmou.
O Irã teve menos de 16 horas de treino antes de enfrentar a Bélgica e continua lidando com agendas de viagem exigentes durante o torneio. A equipe deve retornar para sua base em Tijuana, no México, antes de se preparar para o confronto de sexta-feira contra o Egito, em Seattle.
Apesar desses desafios, Ghalenoei disse que evitar a derrota nas duas primeiras partidas foi uma conquista histórica.
"Jogar sem perder em duas partidas é uma grande conquista. Isso ficará registrado na história do nosso futebol", disse. "Não acho que nenhuma seleção do mundo teria conseguido suportar tais condições e jogar assim."
Ghalenoei reservou elogios especiais para Beiranvand, dizendo que ele é "um dos maiores goleiros da história do futebol iraniano" após o veterano garantir um ponto valioso para o Irã com sete defesas.
"Esses jogadores estão dando tudo de si e jogando com o coração", disse Ghalenoei. "A história e as futuras gerações vão se lembrar deles."