Ameaçado pelo rebaixamento no Brasileirão, o Grêmio enfrenta uma crise exposta por Renato Portaluppi, que apontou falhas de planejamento, reforços frustrados como Krovinovic e problemas na adaptação de estrangeiros como Amuzu. Contudo, o artigo ressalta que a diretoria e o próprio treinador compartilham a culpa pelas decisões equivocadas nos bastidores e pelo baixo rendimento em campo, alertando que a negligência profissional e a falta de soluções rápidas podem custar a permanência na Série A.
Renato Portaluppi não quis esperar o fim do Campeonato Brasileiro para expor os problemas que ameaçam empurrar o Grêmio para a Série B. Ao apontar falhas de planejamento, contratações frustradas e dificuldades de comunicação com estrangeiros, como Francis Amuzu, o treinador escancarou uma crise que vai muito além dos resultados.
O Grêmio não chegou a essa situação por acaso. Quando contratações não funcionam e o rendimento coletivo desaba, não há espaço para tratar os erros como acidentes de percurso.
Alguém avaliou mal, alguém tomou decisões e alguém precisa responder por elas. Filip Krovinovic virou exemplo de uma aposta que não entregou o retorno esperado. Mas a discussão não pode terminar no jogador.
Quem recomendou sua contratação?
Quem concluiu que ele atendia às necessidades da equipe? E quem deveria ter percebido que a escolha não funcionava?
Contratar mal custa dinheiro. Demorar a corrigir o erro custa pontos. Para um time ameaçado pelo rebaixamento, a conta pode ser muito mais cara.
A questão envolvendo Francis Amuzu é igualmente reveladora. Contratar estrangeiros exige planejamento para facilitar a adaptação, a comunicação e a compreensão das orientações técnicas. Nada disso deveria ser novidade para um clube do tamanho do Grêmio.
Se a barreira linguística virou problema, a pergunta é simples: por que não foi tratada antes? Apresentar dificuldades previsíveis como justificativa para o fracasso é admitir que o planejamento falhou justamente onde deveria funcionar.
Renato Portaluppi, porém, também precisa entrar nessa conta. O treinador tem razão ao cobrar a estrutura, mas não pode se colocar como espectador de uma crise da qual participa.
Se a direção responde pelas contratações, o trabalho em campo também precisa ser avaliado.
O Grêmio não pode terceirizar a culpa
O perigo é transformar a luta contra o rebaixamento em uma disputa para definir quem errou menos. Os problemas citados por Renato Portaluppi não são enigmas do futebol.
Contratar com critério, integrar estrangeiros e montar um elenco equilibrado são obrigações elementares de um departamento profissional. Quando essas tarefas falham, a crise não pode ser explicada apenas pela falta de sorte.
O torcedor gremista não precisa de uma coleção de justificativas. Precisa saber quem tomou as decisões, por que elas deram errado e o que será feito para impedir que a história se repita.
Renato Portaluppi abriu o jogo, mas isso não encerra a discussão. Explicar os erros não significa corrigi-los, muito menos escapar da responsabilidade.
O rebaixamento não começa na última rodada. Pode começar nos bastidores, em contratações mal avaliadas e em problemas que ninguém se preocupou em resolver. O Grêmio agora corre contra o tempo para não descobrir tarde demais o preço dessa negligência.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.