O presidente Lula criticou o Flamengo e outros clubes que protestam contra a proibição das casas de apostas no Brasil. Ao classificar as bets como prejudiciais à população pobre, Lula rebateu a dependência financeira do esporte, lembrando que o futebol nacional acumulou conquistas mundiais sem esses patrocínios. Como alternativa para a sustentabilidade econômica dos clubes, o mandatário sugeriu a diversificação de receitas e a transição para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os clubes brasileiros que se posicionaram contra as restrições às casas de apostas e citou o Flamengo durante seu discurso. Ao abordar a dependência financeira do futebol em relação às chamadas bets, Lula afirmou que as equipes precisam buscar alternativas de receita e rejeitou o argumento de que a modalidade esportiva seria prejudicada pela ausência desses patrocinadores.
"Eu sei que tem algumas pessoas incomodadas que nós acabamos com as bets. E nós temos que dizer, em alto e bom som, que as bets viraram neste país uma desgraça para o povo pobre", declarou o presidente. Na sequência, Lula contestou a reação dos dirigentes: "O futebol era muito mais vivo quando não tinha bets. Fomos cinco vezes campeões do mundo sem bets. Depois das bets, mais nada".
O presidente também mencionou conquistas internacionais de clubes brasileiros para sustentar seu posicionamento. "O Flamengo foi campeão do mundo sem bet, São Paulo foi três vezes sem bets, Grêmio foi sem bet, Internacional foi sem bet, o Corinthians foi duas vezes sem bet", afirmou. Lula ainda criticou a possibilidade de os torcedores serem incentivados a apostar para financiar as equipes, lembrando que já possuem despesas com ingressos e camisas.
Durante o pronunciamento, Lula sugeriu que os clubes considerem a transformação em empresas, por meio do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). "Os times podem virar empresas. Vocês estão lembrados que há três décadas todo mundo só falava em virar empresa. Agora pode virar empresa, por que não estão virando?", questionou. Para o presidente, essa seria uma alternativa para reduzir a dependência das receitas provenientes das apostas.
Ao encerrar sua manifestação, Lula voltou a criticar a presença das plataformas de apostas na rotina dos brasileiros. "Por que encontraram a facilidade do cassino? Encontraram a facilidade dentro da casa das pessoas pelo celular? Então, não vai ter mais isso. Vão ter que se virar, montar empresas e fazer o futebol funcionar como funciona em muitos lugares do mundo", declarou, reforçando sua posição sobre o tema.
O pronunciamento acontece em meio à reação dos clubes contra a Medida Provisória que proibiu as apostas online no Brasil. No empate por 2 a 2 com o Santos, na quinta-feira (8), o Flamengo entrou em campo com a frase "Proibir não é proteger" estampada na parte frontal da camisa, no espaço anteriormente destinado ao patrocinador máster.