A Justiça argentina determinou que Claudio Tapia, presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), não deixe o país até nova deliberação. Em relação direta à condução administrativa do esporte local, a decisão insere o mandatário no centro de um processo que redefine o momento institucional da entidade em ano de Copa do Mundo.
O bloqueio migratório teve formalização no âmbito de uma investigação em curso sobre suposta sonegação fiscal. Ao impor a restrição nessa quinta-feira (19), o Judiciário não alterou a situação de Tapia no cargo, mas estabeleceu limite objetivo à sua circulação internacional. Ou seja, quando há necessidade de assegurar disponibilidade do réu perante a autoridade judicial.
Além da decisão, a Justiça também o convocou a depor sobre o caso no próximo dia 5 de março. A Receita Federal Argentina (ARCA) sustenta que houve retenção e não recolhimento de impostos e contribuições previdenciárias entre março de 2024 e setembro de 2025. O tesoureiro Pablo Toviggino, também citado no processo, falará em sessão no dia seguinte.
Ao fundamentar a decisão, o juiz declarou haver "motivos suficientes para suspeitar do envolvimento dos indivíduos mencionados nos eventos sob investigação" e determinou: "Dada a gravidade dos eventos investigados (…) é apropriado decretar a proibição de viagem para os indivíduos mencionados". O documento não define prazo para eventual revisão da medida.
O que muda na prática para Tapia?
A entidade também responde por possível lavagem de dinheiro, e autoridades chegaram a realizar busca e apreensão na sede da federação em dezembro de 2025. Agentes visavam a coleta de documentos relacionados a transações com instituição financeira privada.
É importante destacar que a restrição imposta ao presidente pode impactar diretamente na agenda internacional. Isso porque o mandatário tem Finalissima, em 27 de março, no Catar, contra a Espanha — compromisso que antecede a Copa do Mundo 2026 para a Argentina.
Agora, porém, esses compromissos internacionais passam a depender de autorização expressa da Justiça. Assim, a rotina política do dirigente, cuja agenda tradicionalmente inclui viagens fora do país, sofre uma alteração direta em meio à proximidade do Mundial, que acontece entre junho e julho.
O contexto institucional
A AFA atribuiu o episódio a "campanha difamatória" ligada a disputa comercial por amistosos. Segundo a entidade, o denunciante "tem a aprovação do governo nacional, mais precisamente do Ministro da Justiça, Mariano Cúneo Libarona" e declarou sofrer "um ataque coordenado" do governo de Javier Milei.
A senadora Patricia Bullrich solicitou à Confederação Sul-Americana de Futebol, em dezembro de 2025, "uma investigação minuciosa dessa máfia que controla a AFA e mancha o futebol argentino". Já em novembro, Tapia afirmou que não "é a primeira vez" que o futebol argentino lida com situações assim e garantiu que "ainda tem muitos anos pela frente" no cargo.
O dirigente preside a AFA desde 2017 e concentra, desde então, papel decisivo nas articulações institucionais da entidade. Sua atuação ganhou projeção internacional após a conquista da Copa do Mundo de 2022, no Catar, quando consolidou interlocução direta com federações estrangeiras e organismos internacionais.
A entidade ainda não informou se solicitará revisão da medida, e o processo segue em tramitação. Não há, ao menos por ora, definição sobre prazo para eventual reavaliação da restrição. Importante frisar que a determinação judicial não antecipa julgamento de mérito, pois trata-se de uma medida cautelar.
O caso permanece sob análise e deve produzir novos desdobramentos à medida que a investigação avance.
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