A vitória do Brasil sobre a Argentina por 3 a 1 reuniu mais de 28 mil torcedores no Beira-Rio, provando o forte interesse pelo futebol feminino. Contudo, o público expressivo não anula as cobranças sobre a CBF. A entidade é criticada por usar a mobilização apenas como publicidade em vez de investir de forma contínua em calendários sólidos, transmissões acessíveis e na valorização das competições nacionais, passos essenciais para transformar eventos pontuais no crescimento real da modalidade.
Os 28.386 torcedores na Arena Beira-Rio, neste sábado, 10, deram uma resposta contundente no na vitória do Brasil sobre a Argentina por 3 a 1, em Porto Alegre. A arquibancada compareceu. Agora, falta a CBF demonstrar que sabe fazer mais do que comemorar o público nas redes sociais.
Na primeira partida da Seleção Feminina no estádio colorado, Porto Alegre mostrou que existe interesse pela modalidade. O problema é transformar essa mobilização em rotina. E isso não se resolve com fotografia de arquibancada cheia, discurso otimista ou postagem institucional.
A CBF adora celebrar números quando eles favorecem sua imagem. Mas o desenvolvimento do futebol feminino exige trabalho menos vistoso: calendário consistente, competições valorizadas, transmissão acessível e investimento contínuo. É justamente aí que a comemoração precisa dar lugar à cobrança.
Quase 30 mil pessoas não podem ser tratadas como uma descoberta extraordinária. O potencial estava ali antes do amistoso. Se a entidade ainda precisa de uma ocasião especial para transformar esse interesse em notícia, é porque a tarefa de consolidar a modalidade continua longe de concluída.
A CBF não pode transformar torcida em peça publicitária
O público em Porto Alegre enfraquece a desculpa de que falta interesse pelo futebol feminino. O que não faltam são motivos para exigir mais de quem organiza a modalidade em âmbito nacional.
A CBF tem poder para ampliar a exposição, fortalecer as competições e criar condições para que o futebol feminino cresça além dos jogos da Seleção. Não pode se comportar como espectadora de um sucesso que também tem obrigação de construir.
Organizar um amistoso e divulgar o número de presentes é a parte fácil. Difícil é garantir que a modalidade continue recebendo atenção quando não houver uma arquibancada cheia para ilustrar o discurso oficial.
Sem continuidade, o estádio cheio vira argumento de marketing. A imagem melhora; a estrutura, não necessariamente.
A torcida entregou. A CBF ainda precisa provar
Os 28.386 torcedores merecem aplausos. A entidade merece cobrança. O que será feito para ampliar a presença do público? Como fortalecer os campeonatos nacionais? Que medidas concretas vão garantir mais visibilidade e investimento?
Se a resposta se limitar a celebrar o comparecimento, a CBF terá confundido repercussão com resultado. O público fez sua parte, mas não pode carregar sozinho uma modalidade que precisa de planejamento e compromisso institucional.
A arquibancada cheia é uma vitória do futebol feminino. Para a CBF, é uma obrigação renovada. Vender a festa como prova de competência é fácil. Demonstrar trabalho depois que ela termina é o que realmente importa.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.