A proibição da publicidade de bets a partir de 5 de outubro ameaça o varejo esportivo com o encalhe de camisas de clubes. Presentes em 14 times da Série A, as marcas estampadas geram risco de prejuízos milionários aos lojistas, que temem liquidar os estoques abaixo do custo de compra. O setor agora debate com clubes e fabricantes soluções como substituição das peças ou compensações financeiras para definir quem arcará com as perdas causadas pelo fim repentino dessa exposição comercial.
O fim da publicidade das bets criou um problema para o varejo esportivo: o destino das camisas de clubes ainda em estoque. As peças poderão ser vendidas com as marcas até 5 de outubro; depois, a exposição das empresas será proibida.
A Agência RTI Esporte apurou que o principal temor do varejo está no custo das camisas já adquiridas. Em algumas operações, as lojas pagam 70% a 75% do preço final, deixando margem de 25% a 30%. Qualquer venda abaixo desse valor gera prejuízo.
Uma camisa oficial de R$ 600 pode custar R$ 420 a R$ 450 ao lojista. Se liquidada por R$ 350, a perda chega a R$ 70 a R$ 100 por peça. Em 1.000 unidades, o prejuízo potencial seria de R$ 70 mil a R$ 100 mil.
Quem vai pagar a conta?
O problema vai além da retirada das camisas das prateleiras. A mudança afeta fabricantes, clubes e varejistas, que terão de encontrar uma solução para o estoque já produzido e distribuído. Empresas como a adidas, que fornecem uniformes para clubes brasileiros, podem precisar discutir alternativas comerciais com os parceiros.
Uma possibilidade é substituir ou alterar as peças, mas isso dependerá dos acordos entre fabricantes, clubes e lojas. A questão envolve uma cadeia comercial que começa na produção e passa por distribuição, compra pelo varejo e venda ao consumidor. Qualquer mudança no produto pode gerar um novo custo.
Bets estavam presentes na Série A
O problema ganhou escala porque as bets estavam presentes em 14 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, ampliando o volume de produtos potencialmente afetados pela mudança da MP das Bets.
Em 2025, por exemplo, os patrocínios de casas de apostas já representavam 7,9% das receitas dos clubes da Série A, segundo levantamento com base nos balanços financeiros dos times. O dado mostra o peso que esse mercado ganhou nas finanças do futebol brasileiro.
Liquidação pode aumentar a perda
A saída mais rápida para o varejo seria reduzir os preços e acelerar a venda das peças. O problema é que qualquer valor abaixo do custo de aquisição transforma a operação em prejuízo milionário. Outra possibilidade é negociar com fabricantes e clubes a substituição das peças ou uma compensação comercial.
A medida, porém, exigiria definir quem assumirá o custo do novo fardamento. O impacto, portanto, não termina na publicidade dos uniformes. O fim das bets também coloca em jogo estoque, margem e caixa de lojas, além da relação comercial entre clubes, fabricantes e varejistas.