A histórica eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo não representa apenas o fim do sonho do hexacampeonato. A derrota coroa um dos ciclos mais turbulentos da história recente da Seleção Brasileira, marcado por crises administrativas na CBF, quatro treinadores diferentes em menos de quatro anos e uma sequência de lesões de nomes importantes da Seleção.
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O Brasil registrou a pior campanha desde o Mundial de 1990, quando também caiu nas oitavas de final. Na ocasião, a derrota foi para a Argentina. A eliminação amplia o debate sobre o planejamento adotado desde a saída de Tite, após a Copa do Catar, em 2022.
A instabilidade começou fora de campo. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) atravessou uma das maiores crises institucionais de sua história durante o ciclo. Em maio de 2025, Ednaldo Rodrigues desistiu de tentar retornar à presidência da entidade, encerrando a disputa pelo comando da CBF. Dias depois, Samir Xaud foi eleito presidente.
Dentro das quatro linhas, a Seleção também jamais encontrou continuidade. Após a saída de Tite, o Brasil passou por quatro treinadores diferentes. Ramon Menezes comandou a equipe de forma interina logo depois do Mundial de 2022. Em seguida, Fernando Diniz, também como interino.
Em janeiro de 2024, Dorival Júnior assumiu, mas deixou o cargo em março de 2025 após resultados abaixo das expectativas. A aposta final foi Carlo Ancelotti, contratado para liderar a reta decisiva de preparação para a Copa, mas com pouco tempo para implementar seu trabalho.
Com curto período para trabalhar, o técnico italiano ainda precisou lidar com uma série de baixas importantes para a Copa. Rodrygo sofreu a lesão mais grave do grupo ao romper o ligamento cruzado anterior do joelho direito e o menisco. Estevão, uma das principais promessas da nova geração, rompeu completamente o músculo posterior da coxa direita pouco mais de um mês antes da competição.
O treinador ainda deve baixas importantes na defesa. Éder Militão voltou a apresentar problemas musculares no bíceps femoral, enquanto Wesley sofreu uma grave lesão no músculo adutor da coxa esquerda.
Nem mesmo Neymar conseguiu chegar em plenas condições. O camisa 10 sofreu uma lesão de grau dois na panturrilha durante o Campeonato Brasileiro, atuando pelo Santos, e desembarcou na Copa ainda em recuperação. Apesar de permanecer no grupo, teve a preparação comprometida e não conseguiu exercer o protagonismo esperado em sua despedida dos Mundiais.
Com um elenco desfalcado, pouco tempo de trabalho da comissão técnica e um ambiente de instabilidade que acompanhou todo o ciclo, a Seleção se despede da Copa sem conseguir apresentar um futebol convincente.