Que Vini Jr., com quatro gols, e Matheus Cunha, com três, estão na briga pela artilharia da Copa do Mundo, quase todo mundo já sabe. O que é segredo para muita gente é que dois dos três grandes destaques do Brasil nas estatísticas do Mundial são defensores: Gabriel Magalhães e Douglas Santos. A eles se junta o ‘craque’ do time nos números da Copa: Bruno Guimarães.
O camisa 8 é o grande garçom da Seleção e o segundo maior do Mundial, com quatro assistências para gol. Mais do que ele, apenas a sensação francesa Michael Olise, com cinco.
Mas a importância de Guimarães para o time de Carlo Ancelotti aparece também em outros números, que destacam principalmente sua movimentação em campo. O volante do Newcastle é o brasileiro que mais tenta furar as defesas adversárias entre as linhas e o terceiro jogador da Copa que mais se apresenta aos companheiros para receber a bola, com 282 tentativas desse tipo.
Apesar de ser o jogador que claramente mais cresceu na Seleção desde a chegada de Carlo Ancelotti, Bruno Guimarães chegou à Copa cercado de incertezas derivadas das lesões que sofreu durante a temporada europeia. Nos Estados Unidos, porém, dirimiu todas elas e virou peça fundamental no esquema do técnico italiano, ganhando ainda mais destaque nos jogos em que o Brasil aplicou a formação 4-3-3.
“Bruno é um jogador muito importante, contínuo no jogo, sempre com boa presença no sistema defensivo e ofensivo”, elogiou Ancelotti após o jogo contra o Japão. “Estamos muito felizes com ele, porque o Bruno tem um coração muito grande.”
Força defensiva do lado esquerdo
Se Bruno é o grande cérebro da Seleção, Gabriel Magalhães é a principal referência defensiva. Como se não bastasse formar com Marquinhos a dupla de zaga mais prestigiada da Copa, o zagueiro ainda mostra cada vez mais qualidade na saída de bola, o que faz dele incrivelmente o segundo jogador com mais passes na Copa (397) e o terceiro com mais participações ativas durante as partidas (802). Foi de Gabriel, inclusive, o passe para o gol de Casemiro, que empatou o jogo contra o Japão.
Com saída de bola apurada e poderio defensivo inegável, Gabriel segura o corredor do lado esquerdo do Brasil com Douglas Santos, um dos heróis improváveis da Seleção. Questionado em quase todas as convocações e dúvida no time titular, em disputa com Alex Sandro e Bremer, o lateral do Zenit tomou conta da posição e se destaca nos números de distância (41,3 km percorridos), velocidade (170 sprints) e pressão sobre o adversário (32).
Cabe a Gabriel e Douglas proteger o lado esquerdo para que Vini Jr. tenha menos obrigações defensivas e possa potencializar suas qualidades no ataque. Nas palavras do lateral, ele faz um jogo “feijão com arroz” que é “simples, mas com excelência”.
“Me preparei muito para chegar à Seleção depois de 9 anos. Estou fazendo o que o Mister está pedindo”, diz o lateral, que voltou a vestir a camisa verde-amarela quase uma década após ser campeão olímpico na Rio-2016. “São nove anos longe da seleção, mas mesmo com 32 anos, bagagem, experiência, a gente está falando de Seleção Brasileira. Mas eu estava esperando pra viver essa responsabilidade, e eu me preparei forte fisicamente e mentalmente pra esse momento.”