Logo na entrada de Teresópolis, o visitante se depara com a frase que define a cidade como ‘A Casa da Seleção Brasileira’. Não dá para negar que o clima de lar existiu e levou aos jogadores o apoio dos torcedores que passavam o dia parados em frente ao portão da Granja Comary. O carinho, porém, foi apenas do portão para fora e não teve retribuição.
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Após um desembarque triunfal em helicópteros fretados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), os atletas passaram seus quatro dias isolados nas instalações da entidade na serra carioca.
Bastava qualquer carro adesivado passar pela guarita do condomínio que os torcedores com camisas da Seleção Brasileira e de seus times ficavam eufóricos com a esperança de ter um registro de algum ídolo, o que não aconteceu.
Os únicos a chegarem de carro foram Casemiro, Douglas Santos e Carlo Ancelotti. Sem qualquer alarde, porém, passaram irreconhecíveis, como se fossem moradores do condomínio que tem o mesmo nome do centro de treinamentos.
“Trouxe o meu filho para a gente poder tentar pelo menos ter um contato próximo com os jogadores. Ver pelo menos da grade. Mas está sendo impossível. Chegaram de helicóptero na quarta-feira e vim ontem para cá. A gente tentou assistir o treino, pelo menos de longe. Portão fechado. Hoje eu vim de novo, portão fechado. É uma pena para os torcedores que vêm”, conta o professor que se identificou como Paulo.
Durante a conversa com a reportagem, o morador de Teresópolis também reforçou que entende o momento de concentração dos atletas, mas lamentou pelo filho: “É a primeira Copa que meu filho realmente vai ver. Acho que causa um afastamento. Ele chegou em casa quase chorando que não conseguiu ver o Vinícius Júnior, o Neymar.”
Assim como Paulo, outros teresopolitanos destacaram o afastamento que vem de outras concentrações para Copas do Mundo. Um motorista de aplicativo chegou a brincar que Ronaldinho Gaúcho costumava ir ao portão para dar autógrafos, enquanto a geração atual prefere se isolar sem dar atenção aos torcedores.
Outras lamentações também iam para o lado da falta de promoção de treinos abertos pela CBF, que abriu o treino de sábado apenas para familiares dos atletas acompanharem. Para evitar curiosos, a entidade também colocou tapumes e telas de proteção ao redor dos gramados da Granja Comary.
O momento de maior proximidade aconteceu na saída da delegação rumo ao Rio de Janeiro. Aos gritos de ‘eu acredito’ do público, o ônibus com os jogadores passou pela via de acesso ao condomínio, onde os torcedores estavam.