A agenda do ator e diretor carioca Gui Ferraz, de 35 anos, está a todo vapor. Isso porque ele acabou de estrear como Tiago Brandão, na novela Quem Ama Cuida, da Rede Globo, e logo mais surge como o intérprete de Jairzinho, na minissérie Brasil 70: A Saga do Tri, que estreou no dia 29 de maio, na Netflix.
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"Emendei um trabalho no outro. Foi bem satisfatório e bem prazeroso. Tem desafios, mas, apesar de ter me envolvido muito no projeto durante as gravações, quando comecei a gravar para a novela eu conseguir desligar rapidamente do Jairzinho. O Tiago, meu personagem, me trouxe uma curiosidade muito interesante. Encerrei um ciclo maravilhoso e entrei no universo do Tiago", afirma em entrevista ao Terra.
A relação com o futebol vem desde criança. O ator, inclusive, já chegou a jogar federado por um clube. Apesar de um período de pausa no hobby por estar desanimado, ele conta que voltou a jogar futebol e nunca mais parou.
"Recebi o convite do diretor de elenco Gabriel Domingues (O Agente Secreto). Já tinha feito alguns testes com ele, mas não havíamos conseguido trabalhar juntos. Fiz o primeiro teste e se passaram dois meses, até achei que não fosse rolar mais. Mas depois recebi um e-mail para um novo teste e, nesse momento, já sabia que eu faria o Jairzinho. Uma semana depois, fiz um teste presencial em São Paulo, com toda a estrutura da minissérie", relata.
O teste presencial -- que era o último -- deu o impulso que faltava para ele sentir que tinhas chances de interpretar o ex-jogador de futebol Jairzinho, considerado um dos maiores atacantes da história e conhecido mundialmente como o Furacão da Copa. Ele é o único jogador na história que marcou gols em todos os jogos de uma mesma edição da Copa do Mundo, feito que ocorreu em 1970.
"Pude me aprofundar na história desse grupo e da família que formaram. Sou dos anos 1990, então é óbvio que não vi eles jogarem, mas sempre ouvi falar dessa escalação como a 'melhor seleção de todos os tempos'. Quando tive que estudar e me aprofundar sobre o Jairzinho foi difícil porque não tinham muitos registros históricos sobre a vida dele. Tive que ouvir outros jogadores para conhecer mais dele", diz.
Uma coincidência também acendeu uma chama no ator de que estava no papel certo. Jairzinho jogava na mesma posição em que Gui joga. Além das características de futebol, há também as similares à personalidade dele no campo. "Foi como seu estivesse vivendo algo que eu já tivesse vivido", acrescenta.
A rotina de preparação para o papel seguiu a mesma dos jogadores de futebol. O uso dos uniformes da Seleção Brasileira foram necessários até mesmo sob a temperatura de 7 graus. Gui e os outros atores faziam os ensaios das jogadas, depois havia preparação com treino de força de academia e, dependendo do horário, mais um treino de futebol.
"Saíamos 4h30 para ensaiar e só voltávamos à noite para casa. A preparação físcia foi muito intensa, principalmente para mim, porque o Jairzinho era o jogador mais forte junto com o Pelé. Sempre fui bastante atlético, mas foi um processo bem exaustivo e prazeroso. Deu para sentir um pouco a vida dos jogadores profissionais, que têm uma carga de treino muito mais forte", complementa.
Questionado sobre suas expectativas para a Copa do Mundo 2026 com a seleção comandada por Carlo Ancelotti, o ator revela que está muito positivo em relação à escalação do técnico italiano.
"Os jogadores da Copa de 70 foram muito desacreditados pela imprensa e pela torcida. O Pelé não era uma unanimidade e foi questionado o tempo inteiro, assim como os outros jogadores. Acho que a sensação que temos agora é muito parecida com a copa de 70. Acredito que o Hexa vem sim", finaliza.