Uma das frases mais repetidas nas redes sociais durante o duelo entre Brasil e Escócia resume com precisão o sentimento geral: Galvão Bueno em Copa do Mundo é fora da curva. É simplesmente impossível negar o bem que o maior locutor da história do país faz para as transmissões da Seleção Brasileira, mesmo vestindo a camisa do SBT, com pouca audiência.
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Como a emissora possui um pacote restrito de jogos e Galvão comanda apenas os compromissos do Brasil, ele tem aparecido pouco na tela. Essa é a dose exata para o seu lendário mau humor. Longe do desgaste do cotidiano, as ranzinzices do narrador viraram o tempero nostálgico que o torcedor tanto sentia falta.
E bota mau humor nisso. Galvão distribuiu broncas para todos os lados. Sobrou para a arbitragem de Cesar Ramos, que cometeu o crime de anular o segundo gol de Vinicius Júnior, gol que seria, por sinal, o centésimo gol da Seleção narrado por Galvão em Copas.
Sobrou também para a própria produção do SBT, cornetada ao vivo quando exibiu um VT sem o áudio da sua narração original. Sobrou até para um colega de profissão estrangeiro que estava em pé na cabine de imprensa atrapalhando a sua visão. Galvão simplesmente conseguiu que o homem se sentasse.
Mas quem acha que Galvão é apenas reclamação não entende a sua genialidade. Ao ver a dinâmica do jogo contra os escoceses, o narrador não hesitou em mandar um recado direto para o banco de reservas. “Vem na minha”, disparou, avisando Carlo Ancelotti de que aquele não era o momento ideal para colocar Neymar em campo.
Galvão Bueno atua em campo como aquele camisa 10 clássico da Seleção: o cara que chama a responsabilidade quando o jogo aperta, assume a braçadeira de capitão e dita o ritmo de toda a partida.
Nada contra Everaldo Marques, um dos principais narradores da TV brasileira, ou a Cazé TV, mas todos precisam comer muito arroz com feijão para um dia, quem sabe, fazer frente a Galvão.