Os Estados Unidos garantiram a classificação rumo à segunda fase da Copa do Mundo e quebraram um tabu que durava 96 anos. Empurrada por um Lumen Field lotado, a seleção norte-americana venceu a Austrália por 2 a 0 nesta sexta-feira, pela segunda rodada da fase de grupos, e confirmou o bom momento vivido no torneio. Desde a Copa de 1930, os EUA não ganhavam os dois primeiros jogos. Os gols foram marcados por Burgess, contra, e Freeman, em uma partida que terminou cercada por reclamações australianas contra a arbitragem.
Mesmo sem Christian Pulisic, preservado após sofrer uma pancada na estreia, os Estados Unidos mostraram novamente a força de um elenco que parece cada vez mais confortável com a condição de anfitrião. Organizada taticamente e intensa na pressão sem a bola, a equipe norte-americana conseguiu impor seu ritmo durante boa parte do confronto e reforçou a impressão de que pode ser uma das seleções mais incômodas desta Copa do Mundo.
A Austrália, por sua vez, encontrou dificuldades para reproduzir o desempenho que havia apresentado na vitória sobre a Turquia. As mudanças promovidas por Tony Popovic antes da partida chamaram atenção e a equipe demorou a encontrar soluções ofensivas. Quando conseguiu crescer no jogo, esbarrou em uma atuação segura dos norte-americanos e em decisões da arbitragem que provocaram muita reclamação do lado australiano, ingrediente que ajudou a elevar a temperatura do confronto no segundo tempo.
COMO FICA O GRUPO D?
Com a segunda vitória em dois jogos, a equipe norte-americana lidera o Grupo D, com seis pontos, abrindo três sobre a Austrália. Os Estados Unidos já começa a pensar na segunda fase. Já Turquia e Paraguai buscam os primeiros pontos na madrugada deste sábado, à zero hora, em Santa Clara.
PRÓXIMA RODADA
A jornada decisiva do Grupo B está agendada para quinta-feira (dia 25). Os Estados Unidos desafiam a Turquia, em Los Angeles, enquanto a Austrália vai decidir a classificação contra o Paraguai, em Santa Clara.
COMO FOI O JOGO?
Antes mesmo da bola rolar, os técnicos chamaram atenção pelas escolhas. Mauricio Pochettino optou por preservar Christian Pulisic, que sofreu uma pancada na estreia e sequer ficou no banco de reservas. Do outro lado, Tony Popovic deixou entre os reservas Metcalfe e Irankunda, autores dos gols da vitória sobre a Turquia na primeira rodada.
A ausência de sua principal estrela não diminuiu o ímpeto dos donos da casa. Logo aos dez minutos, Balogun voltou a mostrar por que é uma das principais armas ofensivas da equipe. O atacante arrancou pela esquerda e cruzou rasteiro. Na tentativa de cortar, Burgess desviou contra o próprio patrimônio e colocou os norte-americanos em vantagem.
Bem organizada defensivamente, a seleção dos Estados Unidos neutralizou a principal arma australiana, as bolas longas, e passou praticamente ilesa pelo primeiro tempo. Sem sofrer pressão, ainda encontrou espaço para ampliar antes do intervalo. Aos 43, Dest arriscou de fora da área após cobrança de escanteio. A bola desviou na defesa, subiu e encontrou Freeman, que cabeceou para as redes. O lance chegou a ser anulado por impedimento, mas o VAR revisou a jogada e confirmou o segundo gol.
A entrada de Metcalfe e Irankunda na volta do intervalo mudou o panorama da partida. Mais agressiva, a Austrália passou a ocupar o campo ofensivo e empurrou os Estados Unidos para trás. Foi justamente nesse momento que surgiram os lances mais discutidos.
Aos gritos dos jogadores australianos, Metcalfe reclamou de uma agressão de Tyler Adams dentro da área. A arbitragem mandou o jogo seguir e sequer foi chamada para uma revisão mais longa. Pouco depois, uma bola levantada na área encontrou Irankunda, que cabeceou. A finalização bateu no braço de Berhalter, gerando nova onda de protestos dos australianos. Mais uma vez, o árbitro não assinalou pênalti.
As decisões aumentaram a irritação da Austrália, que seguiu pressionando em busca de uma reação. Irankunda foi o jogador mais perigoso da equipe na reta final, enquanto Metcalfe deu mais intensidade ao meio-campo. Apesar do volume ofensivo, os australianos esbarraram na organização defensiva norte-americana e na falta de precisão nas conclusões.
O final da partida ainda foi marcado pela cãibra do árbitro Felix Zwayer, que precisou ser suplementado para conseguir continuar em campo e assinalar o encerramento do jogo.
ESTADOS UNIDOS 2 X 0 AUSTRÁLIA
- ESTADOS UNIDOS - Freese; Dest (Scally), Richards, Robinson (Trusty), Ream e Freeman; Adams, McKennie e Tllman; Pepi (Berhalter) e Balogun (Wright). Técnico: Mauricio Pochettino.
- AUSTRÁLIA - Beach; Circati, Italiano, Bos, Souttar e Burgess (Geria); Oneill, Okon-Engstler (Irvine); Leckie (Volpato), Touré (Irankunda) e Velupillay (Metcalfe). Técnico: Tony Popovic.
- GOLS - Burgess (contra), aos dez, e Freeman, aos 43 minutos do primeiro tempo.
- CARTÕES AMARELOS - Balogun, Richards e Robinson (Estados Unidos); Bos, Circati, Italiano e Souttar (Austrália).
- ÁRBITRO - Felix Zwayer (ALE).
- PÚBLICO - 66.925 torcedores.
- LOCAL - Lumen Field, em Seattle (EUA).