A Justiça de São Paulo tenta cumprir, desde o fim do mês de julho passado, uma decisão de penhora de veículos em posse do ex-jogador e ídolo do Corinthians Marcelinho Carioca. A determinação se deu no âmbito de um processo movido em 1998, há 28 anos, ligado à morte de um adolescente em um sítio de Marcelinho. A informação foi publicada inicialmente pela ESPN e confirmada pelo Terra.
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A decisão é do juiz Alfredo Gehring Cardoso Falchi Fonseca, da 1ª Vara Cível da Comarca de Itapetininga (SP), que autorizou arrombamento e reforço policial, caso necessários, para que sejam cumpridas as determinações contra o ex-jogador. Ainda assim, a Justiça ainda não conseguiu cumprir a decisão.
Houveram, ainda, duas ocasiões em que os oficiais de Justiça tentaram contato com Marcelinho, mas não conseguiram localizar o ex-jogador, em 31 de agosto e 25 de setembro.
Os autores do processo contra Marcelinho Carioca são os idosos Servio Machado, de 75 anos, e Pedra Batista, 69, pais de Cristiano Donizeti, morto aos 17 anos após ser pisoteado por um cavalo do ex-jogador. Com o trânsito em julgado da ação, Marcelinho tem uma dívida de R$ 705 mil com o casal.
A defesa de Servio e Pedra tenta localizar bens em nome de Marcelinho Carioca, a fim de garantir o pagamento da dívida, mas não teve sucesso. Eles dizem jamais terem sido procurados pelo ex-jogador para qualquer tipo de apoio.
Bancos de dados da Justiça também não localizaram patrimônio, como veículos ou imóveis, em posse do ex-atleta, apenas contas bancárias vazias. Em 2024, foram descobertos imóveis de Marcelinho em São Paulo que seriam destinados a leilão, a fim de pagar dívidas de condomínio. O casal chegou a conseguir a penhora das matrículas dos bens e a Justiça determinou que Servio e Pedra recebessem uma parte do valor dos imóveis, mas, ainda assim o casal não teve acesso à indenização.
O Terra tenta contato com a defesa de Marcelinho Carioca. O espaço segue aberto para manifestação.
Relembre o caso da morte de adolescente em sítio de Marcelinho
Cristiano Donizeti, à época com 17 anos, foi contratado para trabalhar um sítio do então jogador do Corinthians em 1998. O processo movido em primeira instância aponta que o menor era inexperiente com animais e não possuía nível sóciocultural para realizar o trabalho ao qual foi contratado.
A Justiça também apontou que a propriedade de Marcelinho não tinha estrutura para o manejo de animais como cavalos. Cristiano, por sua vez, morreu após ser pisoteado por um dos animais.
Os pais de Cristiano acionaram Marcelinho na Justiça, que acabou condenado em todas as instâncias e não tem mais direito a recurso. As sentenças apontam que o ex-jogador teve culpa na morte do adolescente por ser dono do local, mesmo sem estar presente no momento do acidente.
À época, ele foi condenado a pagar R$ 100 mil em indenização. À época, foi levada em conta as condições financeiras, tanto do então jogador, quanto dos pais do adolescente morto.
"O fato de amarrar a outra ponta na cintura demonstra inexperiência, acrescido ao nível sociocultural da vítima, fator a ser considerado, pois é notório que a falta de educação, a pobreza faz com que a pessoa não tenha um discernimento muito claro no tocante ao risco da atividade, devendo o empregador ser cauteloso ao designar certas tarefas, primando pelo treinamento e esclarecimento, o que não aconteceu", diz trecho da sentença em 1ª instância.