Bruno Henrique ou Pedro: Quem deve ser titular do Flamengo?

Disputa também expõe o desafio de Leonardo Jardim para encontrar o ataque ideal do Flamengo

21 out 2026 - 12h32
(atualizado às 12h34)
Resumo
A disputa pela titularidade no ataque do Flamengo entre Bruno Henrique e Pedro vai além dos números. Embora o camisa 27 leve vantagem em gols e presenças na Libertadores, oferecendo velocidade e profundidade, Pedro é crucial na presença de área contra defesas fechadas. Mais do que escolher por fase ou estatísticas, a decisão do técnico Leonardo Jardim contra o Estudiantes deve priorizar a estratégia coletiva e as características do rival, buscando o melhor funcionamento ofensivo da equipe.

O Flamengo tem dois atacantes experientes, características complementares e uma decisão que não deveria se resumir à preferência por um nome. A questão é saber qual formação oferece mais soluções ao time de Leonardo Jardim contra o Estudiantes.

Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Foto: Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte / RTI Esporte

Na Copa Libertadores da América, Bruno Henrique leva vantagem sobre Pedro nos gols e nas titularidades. Mas o desempenho individual só faz sentido quando ajuda a explicar o funcionamento coletivo.

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O camisa 27 marcou cinco gols na competição continental, contra dois do centroavante, e começou nove partidas como titular, enquanto Pedro iniciou duas. Os números sustentam a preferência por Bruno Henrique, mas também exigem contexto: os dois exercem funções diferentes e não recebem necessariamente as mesmas oportunidades.

Bruno Henrique oferece profundidade, velocidade e capacidade para atacar espaços nas costas da defesa. Pedro trabalha mais próximo dos zagueiros, ocupa a área e pode ser decisivo quando o Flamengo precisa transformar posse de bola em chances de finalização. A escolha depende, portanto, do adversário, mas também da capacidade da equipe de criar condições para cada atacante render.

É nesse ponto que a responsabilidade de Leonardo Jardim ultrapassa a escalação. Não basta escolher o jogador com melhores números e esperar que o problema esteja resolvido. O treinador precisa definir como o Flamengo pretende atacar, quais espaços deseja ocupar e de que maneira seus meias e pontas vão abastecer o centroavante.

Se Pedro recebe poucas bolas em condições de finalizar, a análise não pode se limitar à ausência de gols. Por outro lado, Bruno Henrique marca mais, é necessário avaliar quanto sua movimentação contribui para abrir espaços aos companheiros. A estatística ajuda a orientar a decisão; não substitui a análise do jogo.

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O Flamengo precisa de um plano, não de um duelo de nomes

O último gol de Pedro pelo clube, no recorte apresentado, foi marcado em 20 de setembro, contra o Red Bull Bragantino, encerrando uma sequência de cinco partidas sem balançar as redes. O dado pesa na comparação, mas não define sozinho a qualidade do centroavante.

O Flamengo precisa cobrar regularidade de seus atacantes sem transformar cada período sem gols em crise individual. Também precisa evitar que a discussão sobre titularidade esconda uma questão maior: a capacidade de produzir ofensivamente contra adversários de estilos diferentes.

Em partidas nas quais o rival concede espaço, Bruno Henrique pode ser a escolha mais funcional. Quando o Flamengo precisa ocupar a área e superar uma defesa compacta, Pedro oferece recursos específicos. Em determinadas circunstâncias, a utilização dos dois também pode ser considerada, desde que o restante da formação preserve equilíbrio e intensidade.

A decisão de Leonardo Jardim deve refletir um plano reconhecível, não apenas a tentativa de premiar o jogador em melhor fase. Um time que disputa títulos precisa ter alternativas, mas também saber quando e por que utilizá-las.

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Pelos números da Copa Libertadores da América, Bruno Henrique merece começar na frente. Pedro, entretanto, não deve ser reduzido à seca de gols, assim como o camisa 27 não pode ser tratado como solução automática.

O desafio do Flamengo não é escolher quem tem o nome mais forte. É fazer com que suas opções ofensivas funcionem como um time. Hoje, os números favorecem Bruno Henrique; a qualidade da decisão será medida pelo que o ataque rubro-negro produzir em campo.

(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.

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