Dirigentes de clubes como Flamengo e Atlético-MG articulam ações para tentar barrar o acordo entre Corinthians e Caixa Econômica Federal sobre a dívida de cerca de R$ 630 milhões da Neo Química Arena. Os rivais alegam favorecimento indevido com recursos públicos. O acerto preliminar prevê a suspensão de pagamentos e retenções por um ano, além de contrapartidas como a transferência de operações bancárias do clube para a Caixa, abertura de agência no estádio e negociação dos naming rights.
A negociação entre o Corinthians e a Caixa Econômica Federal para resolver a dívida da Neo Química Arena provocou insatisfação nos bastidores do futebol brasileiro. Dirigentes de outros clubes questionam as condições oferecidas ao time paulista e avaliam maneiras de impedir que o acordo seja concretizado.
Segundo informações divulgadas pelo jornalista Venê Casagrande, dirigentes ligados ao Flamengo e ao Atlético-MG estão entre os insatisfeitos e já teriam iniciado conversas para tentar barrar a negociação. O entendimento desse grupo é que recursos públicos estariam sendo utilizados para beneficiar o Corinthians.
A insatisfação acontece em meio às tratativas para a renegociação da dívida do estádio, estimada em aproximadamente R$ 630 milhões. Na sexta-feira (16), Corinthians e Caixa assinaram um termo de confidencialidade para avançar nas discussões sobre as condições do compromisso financeiro.
Entre os pontos acertados está a suspensão, pelo período de um ano, dos pagamentos relacionados à dívida e da retenção de receitas de bilheteria e premiações esportivas. A medida dará maior fôlego financeiro ao Corinthians enquanto as partes discutem uma solução para o débito.
A participação da Caixa, uma instituição financeira pública, é justamente o ponto que estaria provocando questionamentos entre os dirigentes de outros clubes. Eles consideram que as condições negociadas poderiam representar um tratamento favorável ao Corinthians.
A proposta também contempla a possibilidade de instalação de uma agência da Caixa dentro da Neo Química Arena. A unidade seria destinada ao atendimento da população da Zona Leste de São Paulo, ampliando a presença comercial do banco na região.
Outra possibilidade envolve a transferência das operações financeiras do Corinthians para a Caixa, incluindo contas bancárias, pagamento de salários e movimentação das receitas do estádio. A instituição também poderia administrar serviços relacionados ao programa Fiel Torcedor.
As negociações incluem ainda os direitos de nome da arena, atualmente vinculados à Neo Química. O Corinthians avalia que esse ativo pode alcançar R$ 70 milhões anuais, valor utilizado como referência nas discussões para uma eventual quitação da dívida.