Opinião: Clássico entre Corinthians e Palmeiras vira caso de polícia e prova que futebol é machista e parece ‘5ª série’

Dérbi quente na NeoQuímica Arena mostra que volta das torcidas visitantes pode ficar ainda mais distante

13 abr 2026 - 08h26
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Corinthians e Palmeiras fizeram de tudo no clássico de ontem na NeoQuímica Arena, em São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro, menos jogar futebol.  O dérbi esteve mais perto de um ringue de boxe ou de uma sala de aula da 5ª série.

Antes mesmo da bola rolar, o clássico foi tratado como “guerra” pelos jogadores do Corinthians. Neste ponto, é importante fazer mea culpa. Nós, da imprensa, muitas vezes inflamos esse discurso bélico no futebol. O time alvinegro agora não sabe o que é vencer há 9 rodadas no Brasileirão. Porém, estreou com vitória no meio de semana pela Libertadores.

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Todo esse clima de tensão resultou em uma equipe que entrou em campo pilhada, mostrando que já tem o dedo do treinador Fernando Diniz, conhecido por saber trabalhar o psicológico dos jogadores. No entanto, essa pilha era muito mais para jogar para arquibancada do que para tratar bem a bola.

Do outro lado, o Palmeiras mostrou que também tem cada vez mais a cara da sua comissão técnica. Ou seja, apresenta muito mais uma postura fria europeia, longe do sangue fervente latino. Mas não se engane, não teve bonzinho durante os 90 minutos de bola mais parada do que rolando.

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Se na última semana o debate do futebol brasileiro foi pautado pelo machismo após a falar de Neymar sobre ‘estar de chico’, o corintiano André mostrou que a história está longe de acabar. Em um gesto obsceno, o volante colocou a mão nas partes íntimas em direção ao palmeirense Andreas Pereira. Logo após a ação, ele parece lembrar da chance de expulsão, abaixa a cabeça e tenta disfarçar como se estivesse apenas ajeitando o calção. Porém, não existe nada mais homem hetero olhado para outro e dizendo: ‘Pega no meu p***’, né?.

Vai falar que você não presencia momentos como esse pelo menos desde a 5ª série? Sim, homens tem a necessidade de provar a sua superioridade falando ou mostrando a sua genitália. E que fique claro que isso não é uma exclusividade de André. Há poucos dias, Allan, também jogador do Corinthians, foi expulso pelo mesmo comportamento. E o gesto obsceno mais contundente do passado recente foi feito justamente por Abel Ferreira, treinador do Palmeiras.

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E sabe aquela história de “te espero na saída do portão da escola”? Teve isso no clássico também. No túnel que dá acesso aos vestiários, Palmeiras e Corinthians trocaram acusações de agressões. Do lado alviverde, Luighi foi o alvo, enquanto Bidon e Gabriel do Paulista teriam sido alvos na equipe corintiana.

André, jogador do Corinthians, recebe cartão vermelho do árbitro durante partida contra o Palmeiras
André, jogador do Corinthians, recebe cartão vermelho do árbitro durante partida contra o Palmeiras
Foto: MARCELLO ZAMBRANA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

O Corinthians tentou um acordo para evitar queixas na polícia, mas o Palmeiras não aceitou e a situação vai ser investigada, assim como é preciso investigar e punir os responsáveis pelas ofensas racistas ao goleiro palmeirense Carlos Miguel.

O jogador, que já defendeu o time de Parque São Jorge, foi alvo de insultos raciais por parte das arquibancadas.

Depois de toda essa confusão, não se engane torcedor, a volta dos clássicos com duas torcidas em São Paulo parece longe de virar uma realidade. Continua sendo uma aberração, mas difícil não imaginar que a tensão da 5ª série não passaria do campo para as arquibancadas.

Fonte: Portal Terra
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