São Judas Tadeu: como o santo virou padroeiro do Flamengo

Devoção começou em 1953, durante jejum de títulos estaduais, e ganhou força com o tricampeonato carioca e um episódio marcante em 2001

28 out 2026 - 14h04
(atualizado às 14h04)
Resumo
Celebrado em 28 de outubro, São Judas Tadeu tornou-se padroeiro do Flamengo na década de 1950, quando o clube recorreu ao santo para quebrar um jejum de títulos estaduais. Com o apoio do padre Góes, o time conquistou o tricampeonato carioca (1953-1955), consolidando a devoção que levou a imagem do santo à Gávea e ao Maracanã. A mística foi reforçada no gol histórico de Petkovic em 2001, narrado por Apolinho, e a data também oficializou o Dia do Flamenguista no calendário da cidade do Rio de Janeiro.

O dia 28 de outubro, antes de mais nada, tem significado especial para os torcedores do Flamengo. A data celebra São Judas Tadeu, conhecido na tradição católica como intercessor das causas difíceis e padroeiro do clube.

Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo
Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo
Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo / RTI Esporte

A ligação entre o santo e o Rubro-Negro começou na década de 1950, quando a equipe buscava encerrar um período sem títulos do Campeonato Carioca. Em 1953, o Flamengo estava havia nove anos sem conquistar o estadual.

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Naquele contexto, o presidente Gilberto Cardoso e o dirigente Fadel Fadel procuraram o Santuário de São Judas Tadeu, no Cosme Velho, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O encontro deu origem a uma tradição religiosa que permanece associada à história do clube.

Padre Góes aproximou o santo do Flamengo

Os dirigentes foram recebidos pelo padre Góes, pároco da igreja e torcedor rubro-negro. O religioso foi convidado a celebrar uma missa na sede da Gávea para o elenco comandado pelo técnico paraguaio Fleitas Solich. A cerimônia reuniu jogadores como Dida, Evaristo, Dequinha e Zagallo.

Durante a celebração, padre Góes incentivou os atletas a acender velas e manter a fé na busca pelo título estadual. A equipe venceu o Campeonato Carioca de 1953 e voltou a levantar a taça em 1954 e 1955. O tricampeonato consecutivo consolidou a associação entre São Judas Tadeu e o Flamengo.

Imagem foi entronizada na Gávea em 1957

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A participação do padre Góes na rotina rubro-negra, aliás, continuou depois dos títulos. O religioso celebrava missas com a camisa do Flamengo sob a batina e comparecia a estádios para acompanhar a equipe.

Em dezembro de 1957, a imagem de São Judas Tadeu foi oficialmente entronizada na sede social da Gávea. Com o passar dos anos, a devoção também chegou ao vestiário do time no Maracanã, onde a imagem do santo passou a fazer parte da preparação em dias de jogos.

Petkovic eternizou a ligação em 2001

Um dos episódios mais lembrados dessa relação ocorreu na decisão do Campeonato Carioca de 2001, contra o Vasco. O time comandado por Mário Jorge Logo Zagallo precisava vencer por dois gols de diferença para conquistar o título.

Na transmissão da partida, o radialista Washington Rodrigues, conhecido como Apolinho, declarou: "E acaba de chegar São Judas Tadeu!". Pouco depois, aos 43 minutos do segundo tempo, Petkovic marcou de falta e garantiu a conquista rubro-negra.

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A narração ficou marcada na memória dos torcedores e reforçou a associação popular entre o santo e os momentos decisivos do clube. Recentemente, a frase de Apolinho foi imortalizada em um mosaico feito pela torcida rubro-negra.

28 de outubro também celebra o flamenguista

A data de São Judas Tadeu também passou a marcar o Dia do Flamenguista no calendário oficial do município do Rio de Janeiro, em 2007. Para os torcedores, a celebração reúne devoção religiosa e tradição esportiva.

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