Ex-árbitros da Fifa questionam decisões diferentes nos casos de Balogun e Quansah

9 jul 2026 - 23h43

A forma ‌como a Fifa lidou com dois casos de cartão vermelho na Copa do Mundo voltou a ser alvo de críticas nesta quinta-feira, após o defensor inglês Jarell Quansah receber um gancho de duas partidas, enquanto o atacante norte-americano Folarin Balogun escapou da suspensão automática por uma falta semelhante.

Isso deixou ex-árbitros internacionais sem conseguir conciliar as duas decisões.

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Quansah foi expulso na vitória da Inglaterra ⁠sobre o México nas oitavas de final, depois que uma análise de vídeo considerou o seu ‌carrinho com a chuteira erguida como uma falta grave. Posteriormente, ele recebeu uma suspensão de duas partidas, contra a qual a Federação Inglesa de Futebol afirmou não poder recorrer.

Balogun, por ‌outro lado, foi expulso durante a vitória dos Estados Unidos ‌sobre a Bósnia nos 16 avos de final, mas recebeu uma punição de uma ⁠partida que a Fifa, órgão que rege o futebol mundial, posteriormente suspendeu.

O gancho de Balogun foi suspenso sob um período condicional de um ano, nos termos do Artigo 27 do código disciplinar, disse a Fifa, embora não tenha explicado publicamente por que considerou essa sanção apropriada no caso dele.

O fato de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter pessoalmente instado o presidente da ‌Fifa, Gianni Infantino, a rever o caso de Balogun apenas intensificou a polêmica, embora a Fifa ‌tenha insistido que a conversa ⁠não teve influência alguma ⁠em sua decisão.

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"A Fifa falhou em seu dever para com o esporte ao adiar a suspensão de Balogun. ⁠Ela permitiu interferência externa do presidente", escreveu o ‌ex-árbitro Keith Hackett nas redes sociais ‌nesta quinta-feira.

"A Fifa, principal entidade reguladora, está em falta. Mas ambos os jogadores cometeram faltas graves, puníveis com cartão vermelho."

INFRAÇÕES PRATICAMENTE IGUAIS

Jonas Eriksson, que foi árbitro da Fifa por 16 anos a partir de 2002, disse que, se Balogun recebeu uma suspensão de ⁠uma partida, Quansah também deveria ter recebido, porque os dois incidentes em campo foram praticamente equivalentes em termos de intensidade e agressividade.

"O que todos esperam dos árbitros são decisões corretas, sim, mas o mais importante é sempre a coerência", afirmou Eriksson à Reuters.

"Que você perceba: ok, o jogador A recebe a mesma punição que o ‌jogador B. O time A recebe a mesma punição que o time B. Sabe, é isso que se espera. E esse não é o caso quando se trata de Quansah ⁠e Balogun."

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Eriksson disse que a suspensão da punição de Balogun nunca foi adequadamente explicada, o que contribuiu para o alvoroço.

A Bélgica contestou, sem sucesso, a elegibilidade de Balogun antes de sua vitória nas oitavas de final contra os Estados Unidos, mas a Fifa ainda não disse publicamente por que decidiu suspender a punição do atacante com base no Artigo 27.

"Se não conseguem explicar como interpretam a situação — se foi uma decisão incorreta do árbitro ou uma aplicação errada das regras do jogo —, nós não sabemos", disse Eriksson, cujo livro "House of Cards" explora o "jogo sujo por trás do jogo" para os árbitros da Fifa.

"Resta apenas a você, a mim e a todos os demais adivinhar. Mas, tendo isso em mente, o cartão vermelho para Quansah e a suspensão são, para mim, simplesmente um mistério."

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