Corinthians recebe ultimato para regularizar pagamentos do RCE sob risco de ter contas bloqueadas

Ministério Público dá 15 dias para clube resolver pendências que somam aproximadamente R$ 10 milhões

22 out 2026 - 19h01
(atualizado às 19h01)
Resumo
O Corinthians recebeu um prazo de 15 dias do MP-SP para quitar cerca de R$ 10 milhões em atraso no Regime Centralizado de Execuções (RCE), sob risco de ter suas contas bancárias bloqueadas e perder a blindagem contra penhoras. Além das parcelas pendentes, a administradora judicial apontou falta de prestação de contas e inconsistências financeiras milionárias. O clube afirmou que dialoga com os envolvidos e tomará as medidas cabíveis na Justiça para manter o plano e regularizar sua situação.

Em grave crise financeira, o Corinthians recebeu nesta quinta-feira, 22, um ultimato da administradora do Regime Centralizado de Execuções (RCE) para regularizar os pagamentos em atraso do plano sob risco de sofrer bloqueios nas contas bancárias. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deu 15 dias, a partir da última terça-feira, 20, para o clube resolver as pendências, que somam aproximadamente R$ 10 milhões.

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Em nota, o Corinthians informou que "mantém diálogo com os agentes envolvidos e adotará as medidas necessárias para preservar o RCE" e que "segue trabalhando em diferentes frentes para reorganizar seu fluxo de caixa, reduzir seu endividamento e criar condições para o cumprimento sustentável de seus compromissos". (Leia a nota completa ao fim da matéria).

O RCE é um mecanismo jurídico adotado pelo Corinthians para organizar e parcelar cerca de R$ 200 milhões em dívidas cíveis e trabalhistas, concentrando processos em uma única vara judicial. Ele evita bloqueios de contas bancárias, permitindo pagar credores de forma ordenada com receitas do clube, visando reestruturação financeira.

Osmar Stabile, presidente do Corinthians, não tem conseguido honrar os compromissos do clube.
Osmar Stabile, presidente do Corinthians, não tem conseguido honrar os compromissos do clube.
Foto: Fabio Vieira/Estadão / Estadão

A ação corre na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. O valor em atraso é composto por um saldo remanescente de R$ 2,4 milhões relativo à parcela de julho de 2026 — quitada com atraso e de forma apenas parcial em 58,33% — e pelo não pagamento da parcela de agosto de 2026, fixada em R$ 7,6 milhões.

A administradora judicial Laspro Consultores Ltda. informou ao juízo que o Corinthians também falhou em entregar os documentos e demonstrativos contábeis das competências de agosto e setembro de 2026, além de manter a lista de pagamentos do site oficial desatualizada desde junho. A administradoras citou "gravidade" no cenário da prestação de contas do RCE e recomendou que o clube seja intimado a apresentar a documentação pendente no prazo de cinco dias.

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A fiscalização e o MP-SP apontam irregularidades como a dedução não comprovada de R$ 26.034.838,02 atribuída à Caixa Econômica Federal e a uma confissão de dívida de R$ 38.092.456,80 com o FIDC Daycoval, envolvendo conversão indevida de contingência ilíquida e abatimento de fundo de reserva.

Também são citadas situações como a reclassificação de R$ 32,77 milhões da Nike como operação financeira em vez de patrocínio, e a ausência de identificação do número do processo e da vara nos depósitos judiciais realizados pelo Banco do Brasil.

Tanto o MP quanto a administradora têm recebido petições de credores que pleiteiam o encerramento imediato do RCE e a liberação das penhoras. Credores como a Link, agência do empresário André Cury, e a Pix Star, detentora da marca Pixbet - ex-patrocinadora do Corinthians -, estão entres aqueles que pedem a impugnação do plano.

A situação tem sido conduzida com cautela. Apesar da advertência formal, os dois órgãos defendem a manutenção temporária da suspensão das execuções individuais para evitar o colapso desordenado das atividades do clube.

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Caso o Corinthians não comprove o depósito dos valores devidos e não sane as pendências dentro dos prazos, a proteção legal será revogada com base no artigo 23 da Lei nº 14.193/2021. A partir daí, com a perda da blindagem patrimonial, as execuções serão retomadas imediatamente e os bloqueios de contas bancárias serão reativados, assim como eventuais penhoras.

Em março deste ano, a Justiça de São Paulo avisou ao Corinthians que poderia recorrer a uma intervenção judicial no clube caso fossem identificadas novas "inconsistências de receitas" nas documentações entregues pela diretoria no âmbito RCE.

Confira o posicionamento do Corinthians na íntegra:

O Sport Club Corinthians Paulista reforça que o Regime Centralizado de Execuções (RCE) é um instrumento de grande importância para o processo de reorganização financeira do Clube e para a construção de uma solução sustentável em relação às suas obrigações.

O Corinthians acompanha permanentemente a execução do plano e está tratando, de forma técnica e responsável, todos os pontos relacionados aos pagamentos, compromissos financeiros, operações realizadas e receitas vinculadas ou comprometidas.

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Os esclarecimentos específicos a respeito dos questionamentos apresentados, incluindo valores, critérios adotados, fluxo de pagamentos, contratos, cessões de recebíveis e demais aspectos mencionados, serão prestados formalmente nos autos, com a documentação e o detalhamento necessários, assim como serão apresentados ao Administrador Judicial nos canais adequados.

O Clube ressalta que mantém diálogo com os agentes envolvidos e adotará as medidas necessárias para preservar o RCE e sua finalidade, sempre buscando compatibilizar o cumprimento de suas obrigações com a manutenção das atividades e a recuperação do equilíbrio econômico-financeiro da instituição.

Por fim, o Corinthians reconhece os desafios do atual cenário financeiro e segue trabalhando em diferentes frentes para reorganizar seu fluxo de caixa, reduzir seu endividamento e criar condições para o cumprimento sustentável de seus compromissos. O Clube entende, também, que questões dessa complexidade devem ser tratadas com responsabilidade e, por essa razão, evitará antecipar publicamente informações.

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