O Corinthians quitou os salários de setembro do elenco e funcionários após a Caixa liberar R$ 13,5 milhões de uma conta-reserva da Neo Química Arena, cuja parcela de R$ 27 milhões foi suspensa. Apesar do alívio imediato, o clube ainda deve direitos de imagem, férias e premiações. Para resolver a dívida de R$ 630 milhões do estádio, a diretoria negocia com o banco o uso de receitas dos naming rights e novos produtos financeiros.
O Corinthians regularizou, nesta quinta-feira, os salários de setembro do elenco masculino, comissão técnica e funcionários. O pagamento foi viabilizado por recursos liberados pela Caixa dentro das tratativas pela dívida da Neo Química Arena.
A Agência RTI Esporte apurou que a liberação dos recursos ajudou a aliviar o caixa do Timão e viabilizar o pagamento dos salários atrasados. Os vencimentos de setembro, previstos pela CLT, deveriam ter sido depositados na quarta-feira, mas o clube não cumpriu o prazo.
Os recursos fazem parte de uma conta-reserva prevista no contrato relacionado ao financiamento da Arena. A Caixa autorizou a liberação de R$ 27 milhões, sendo que metade desse montante foi disponibilizada ao Corinthians neste primeiro momento.
Os outros R$ 13,5 milhões ainda aguardam uma definição sobre a data de transferência. Com o dinheiro disponível, o Timão conseguiu colocar em dia os salários dos funcionários, jogadores do futebol masculino e integrantes da comissão técnica referentes ao mês de setembro.
Direitos de imagem continuam pendentes
O pagamento, porém, não encerra todas as pendências financeiras do Corinthians com o elenco profissional. O clube ainda possui valores em aberto referentes aos direitos de imagem de julho e agosto.
O Corinthians ainda tem débitos com férias e premiações. A regularização dos salários resolve uma pendência imediata, mas a pressão financeira permanece enquanto o clube negocia com a Caixa a dívida da Neo Química Arena, estimada em R$ 630 milhões.
Corinthians negocia solução para dívida da Arena
Nas últimas semanas, por exemplo, o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, apresentou uma proposta que envolve os naming rights da Neo Química Arena em uma operação destinada a solucionar o débito com a instituição financeira.
Os naming rights da Arena pertencem à Hypera Pharma desde 2020. A diretoria do Corinthians pretende usar os valores da exploração comercial do estádio na composição de um acordo com a Caixa para solucionar a dívida.
As negociações também envolvem outros produtos e operações financeiras, além dos naming rights. Entre as possibilidades estão títulos de capitalização, transferência das operações bancárias do Corinthians para a Caixa e cartões vinculados ao programa Fiel Torcedor.
Parcela da Arena foi suspensa
Em meio às negociações, Corinthians e Caixa Econômica Federal também suspenderam temporariamente o pagamento das parcelas trimestrais previstas na renegociação da dívida realizada em 2022.
Uma parcela de aproximadamente R$ 27 milhões, vencida em 25 de setembro, foi suspensa enquanto as partes negociam uma solução. A medida alivia o caixa, mas mantém a dívida da Arena como um dos principais desafios financeiros do Corinthians.
A conta-reserva funciona como garantia do financiamento e pode ser usada pela Caixa em caso de inadimplência. O fundo deve manter saldo equivalente a quatro parcelas, entre R$ 80 milhões e R$ 120 milhões, conforme os juros.
O Corinthians, portanto, conseguiu resolver o atraso salarial de setembro, mas ainda precisa avançar nas negociações com a Caixa para encontrar uma solução estrutural para o endividamento da Neo Química Arena.