Os Jogos Olímpicos da Juventude de Dakar reúnem 2.700 atletas no Senegal, marcando a primeira edição olímpica na África e com igualdade de gênero. O Brasil conta com 35 competidores em 16 modalidades, apostando no torneio como base formativa e preparatória para futuras Olimpíadas. Apesar de desafios climáticos e logísticos locais, a delegação brasileira, que inclui nomes promissores do tênis de mesa, badminton e judô, chega focada em ganhar experiência e superar as 15 medalhas conquistadas em 2018.
Neste fim de semana começam os Jogos Olímpicos da Juventude de Dakar, no Senegal. Entre 31 de outubro e 13 de novembro, 2.700 atletas de 14 a 18 anos, representando quase 300 delegações, participam da competição, adiada em 2022 devido à pandemia de Covid-19.
Desde a primeira edição, em 2010, diversos brasileiros que disputaram os Jogos da Juventude alcançaram destaque no cenário olímpico.
Entre eles está Tiago Braz, medalhista de ouro no salto com vara nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, após conquistar a prata na edição juvenil de 2010. Também se destacam Ana Patrícia e Duda, campeãs dos Jogos da Juventude de Nanquim-2014 e medalhistas de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris dez anos depois.
A ginasta Flávia Saraiva e o mesa-tenista Hugo Calderano também passaram pela competição. Diferentemente dos Jogos Olímpicos tradicionais, o evento vai além do desempenho esportivo e tem um caráter formativo, ao proporcionar aos jovens atletas experiência internacional e contato com grandes competições.
Para Sebastián Pereira, chefe da missão brasileira e ex-judoca olímpico, essa vivência é fundamental para o amadurecimento dos atletas e pode servir como preparação para uma futura participação nos Jogos Olímpicos.
"Quando o atleta chega a uma Vila Olímpica nos Jogos adultos, a gente fala que é uma grande Disneylândia. Se você não estiver focado, realmente acaba se dispersando. Então, a possibilidade de participar ainda jovem de uns Jogos Olímpicos, no caso os da Juventude, ajuda nesse processo de amadurecimento", diz.
"Essa experiência e essa vivência vão acostumando esses atletas a ter a mentalidade necessária para pensar nos Jogos Olímpicos e entregar sua melhor performance, já que se prepararam e esperaram por isso durante a vida inteira."
O Brasil participa da competição com 35 atletas distribuídos em 16 modalidades, sendo 22 homens e 13 mulheres. Entre eles está Bianca Borges, mesa-tenista paraense de 14 anos e campeã sul-americana sub-15 em 2025 e 2026. Ela afirma ter se adaptado à Vila Olímpica e pretende aproveitar ao máximo a estreia nos Jogos da Juventude.
"Acho que, dentro da competição, é tentar aproveitar ao máximo, jogar como nunca joguei antes, enfrentar adversárias fortes e fazer bons jogos. Fora dela, quero aproveitar a experiência, fazer amigos de outros esportes e explorar bastante a vila."
Também integra a delegação brasileira o piauiense Klecivan Zaidan, de 17 anos. Vice-campeão pan-americano júnior e campeão invicto do Aberto Júnior de Badminton da Colômbia, ele chega confiante e fala sobre suas expectativas para a competição."Quero ganhar experiência, representar bem o meu time, avançar na competição e tentar conquistar uma medalha para o Brasil."
Embora os Jogos levem o nome da capital senegalesa, as disputas serão realizadas em Dakar, Diamniadio e Saly. O chefe da missão brasileira elogiou a estrutura do evento, mas, assim como os atletas entrevistados, apontou o calor como um desafio.
"Tivemos a preocupação de solicitar uma hospedagem em uma área da vila que fosse mais ventilada, já que não temos ar-condicionado nos quartos. Apesar das temperaturas elevadas durante o dia, as noites têm sido mais frescas, o que traz algum alívio."
Pereira também apontou a logística de transporte como uma das principais dificuldades para a delegação brasileira. "Os deslocamentos entre a Vila Olímpica e os locais de competição que não ficam em Diamniadio são mais demorados. O trânsito de Dakar é bastante complicado", afirmou o gerente-executivo de Educação e Fomento do Comitê Olímpico do Brasil.
Esta edição dos Jogos é considerada histórica por diversos motivos. Será o primeiro evento olímpico realizado em solo africano e a primeira competição olímpica com igualdade total de gênero, reunindo 1.350 meninos e 1.350 meninas.
O programa também incorpora novas modalidades, como o wushu, arte marcial chinesa, o baseball5 e a luta de praia. Além disso, conta com a Equipe Olímpica da Juventude Refugiada, formada por atletas do continente africano.
Outros destaques da delegação brasileira são a judoca Clarisse Vallim, de 16 anos, campeã dos Jogos Sul-Americanos da Juventude, e o velocista Kevin Aguerro, de 17 anos, recordista sul-americano sub-18 dos 400 metros. Também chama atenção Ana Beatriz Fraga, que, aos 17 anos, ocupa a sétima colocação do ranking mundial júnior de esgrima.
No Senegal, o Brasil tentará superar o desempenho obtido em Buenos Aires-2018, quando encerrou sua participação com 15 medalhas.