Por Nohria Retiel, da RFI
Em todas as Copas do Mundo, o ritual é o mesmo. Os torcedores lotam as lojas para comprar a camisa mais recente de sua seleção. Isso porque vestir a camisa da equipe nacional vai além de simplesmente torcer por um time.
"O esporte é hoje um dos principais veículos para a ideia de identidade nacional", enfatiza o historiador Paul Dietschy. O estádio "é um lugar de consenso, onde todos se identificam facilmente com seu time".
Vestir a camisa também é uma forma de demonstrar uma conexão com o país de origem ou com o país dos pais. Durante a Copa do Mundo, a camisa se torna uma forma de celebrar esse sentimento de pertencimento e de se unir em torno de uma identidade compartilhada, entre torcedores e atletas.
"Representar a seleção nacional é o que eu mais amo no futebol (...) jogar uma Copa do Mundo é algo excepcional", disse Chadi Riad, zagueiro do Marrocos, antes do início do torneio.
"Durante a Copa, a camisa ajuda a criar uma espécie de comunidade, tão forte quanto efêmera", observa Paul Dietschy.
"O futebol agora é um símbolo da nação por si só, e a camisa se tornou seu emblema", acrescenta.
No caso do Brasil, a camisa da Seleção, que nos últimos anos vinha sendo utilizada pela extrema-direita como um símbolo de nacionalismo, volta a ser usada durante a Copa do Mundo prioritariamente para torcer pelo país.
Regras de neutralidade
Mas, embora a política possa ser facilmente usada para dar identidade à camisa, a Fifa garante que ela permaneça livre de slogans partidários ou comerciais. Isso foi reiterado este ano para a seleção haitiana, que escolheu contar sua história por meio de uma camisa que celebra "o orgulho e a resiliência de seu povo", para o retorno do país à Copa do Mundo após mais de 50 anos de ausência.
De acordo com suas regras de neutralidade, a Fifa impôs a remoção de certos elementos inspirados na história da independência haitiana, considerando-os politicamente carregados demais.
Na verdade, poucos elementos caracterizam a camisa de uma seleção. "A maioria apresenta as cores do país e também um emblema", observa o historiador esportivo Paul Dietschy. Desde o início do século XX, as equipes nacionais exibem símbolos que representam a nação.
Assim como o galo, no caso da França, ou a águia alemã, muitas seleções adotam emblemas fortemente ligados à sua história nacional: os três leões ingleses, a estampa xadrez croata, as quinas portuguesas, a águia mexicana ou até mesmo o corvo de três patas da mitologia japonesa.
Para o Brasil, que conta com um grande número de torcedores da Seleção no exterior, em nações como Índia e Bangladesh, a camisa verde-amarela acaba tornando-se também um símbolo brasileiro nestes países.