Botafogo deixa qualquer um com estômago embrulhado

Clube vai empilhando vexames dentro e fora de campo no ano. Queda para a Chapecoense é mais um capítulo nefasto de uma crise sem precedentes

15 mai 2026 - 10h30
(atualizado às 10h30)
Foto: Vitor Silva/Botafogo - Legenda: Montoro caiu drasticamente de produção na virada do ano / Jogada10

"Não viramos SAF para isso". Nove em cada dez torcedores do Botafogo repetem constantemente esta frase. Afinal, a inadimplência, as dívidas mastodônticas, as falsas promessas, a crise administrativa, os transfer bans da Fifa, o cenário de instabilidade e os resultados esportivos não dão a mínima trégua a quem carrega uma Estrela Solitária no peito graças aos desmandos de John Textor. O botafoguense, na verdade, não tem um segundo de paz. Ser eliminado por um adversário condenado à Série B do Campeonato Brasileiro, além de estabelecer a quebra de confiança com elenco e corpo técnico, assinala, então, que 2026 é ano para olhar atentamente para o Z4. Não adianta mais tergiversar. A Chapecoense, dez vezes inferior ao Glorioso e com uma falha salarial infinitamente menor, não vencia há 12 jogos até encontrar o time de Franclim Carvalho e derrotá-lo por 2 a 0, nesta quinta-feira (14), na Arena Condá. O score foi suficiente para abreviar a jornada do Mais Tradicional na Copa do Brasil, torneio pelo qual o clube nutre ojeriza.

Desalinhamento do Botafogo com a realidade

O vexame de Chapecó é algo que nem mesmo a equipe de 2020-2021 conseguiu. A começar pela postura dentro das quatro linhas. O Botafogo disputou o primeiro tempo com uma preguiça descomunal e uma soberba condenável. Naquele ritmo de pós-feijoada, combinado com atitude blasé. Era só pisar em campo, no segundo tempo, que as coisas voltariam aos eixos. Esta é a sensação que os jogadores do escrete visitante transmitiram. Depois, pelas escolhas de Franclim Carvalho. Baixar Danilo para a saída de três é aniquilar o futebol de um futebolista de Seleção Brasileira. Júnior Santos permanece muito mal fisicamente. Bastos compromete a defesa em todos os jogos.  A retaguarda segue exposta. Tucu só serve para divulgar o lançamento das novas camisas. Barboza, atleta do Palmeiras, como capitão, foi uma ofensa ao botafoguismo. Não pela figura do beque argentino. Mas pela representatividade da faixa. São decisões que vão minando a paciência de um reles cronista que já considerou promissor o trabalho do profissional de Miranda do Corvo.

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Desculpas não colam

No Botafogo, os discursos são cuidadosamente elaborados e as narrativas bem construídas. Não aceitar os tropeços para Coritiba, Internacional e Remo pareceu, na teoria, uma boa notícia após o encontro com o Racing (ARG), na semana passada, no Estádio Nilton Santos, pela Copa Sul-Americana. Sendo assim, por alguns dias, alguém tentou acreditar que a derrota para os paraenses por 2 a 1, em pleno Colosso do Subúrbio, tinha sido um acidente de percurso, mesmo com o desempenho ruim no empate diante do Mineiro, em Belo Horizonte, antes da visita à Chapecoense. No entanto, o papelão em Santa Catarina recoloca o Glorioso em uma trilha descendente e esvazia o entusiasmo para o embate contra o Corinthians, neste domingo (17), no Engenho de Dentro, pela rodada 16 do Brasileirão. Sem contar também a grana que o clube, na pindaíba, deixa de arrecadar com a eliminação. A jornada foi, portanto, desastrosa.

A incerteza institucional do Botafogo e as finanças destruídas chegaram, enfim, ao campo, o último foco de resistência diante do tsunami arrasador da batalha societária entre Textor, social e Eagle/Ares. Nem mesmo o atleta mais profissional do planeta escaparia, aliás, de perder um pouco da concentração, algo imperdoável no futebol de alto rendimento. O quadro do Glorioso é gravíssimo. O time ainda pode perder seis pontos no Campeonato Brasileiro por conta de débitos em contratações passadas, como Almada, Santi e Rwan. Tem transfer ban para todos os gostos. O torcedor alvinegro foi feito, portanto, de palhaço em 2026.

*Esta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.

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