PREMA: A briga pela sobrevivência está em curso

Acostumada a andar no grupo da frente, PREMA sofre desde 2025 e chegar viva sem muitos ferimentos ao fim de 2026 é o objetivo

6 fev 2026 - 16h40
(atualizado às 16h46)
PREMA comemorando o título da F4 italiana em 2022 com Kimi Antonelli. Bons tempos...voltam?
PREMA comemorando o título da F4 italiana em 2022 com Kimi Antonelli. Bons tempos...voltam?
Foto: PREMA Racing

Quem acompanha o automobilismo mais profundamente está recebendo com atenção especial o noticiário sobre a PREMA. A equipe italiana, que ficou marcada por ter um desempenho tido como "rolo compressor" nas categorias menores de monoposto, tem dado notícias não muito interessantes nos últimos tempos...

A crise na PREMA está ligada diretamente à situação do grupo suiço Iron Lynx. Em 2017, o grupo criado por Deborah Mayer, Claudio Schiavoni, Sergio Pianezzola e Andrea Piccini, tinha por objetivo criar uma base para automobiklismo, inicialmente nos GTs. No ano seguinte, o projeto teve inicio efetivo, contando inclusive com o estabelecimento das Iron Dames, projeto voltado à inclusão de mulheres no esporte.

Publicidade

Em 2019, o grupo adquiriu a PREMA. A esta altura, o time italiano já tinha uma existência muito bem estabelecida nas categorias de base, especialmente nas europeias. A PREMA chegou a ser de prioriedade de Lawrence Stroll e tinha laços muito intimos com a Ferrari, sendo considerada o time oficial da Academia de Formação de Pilotos (embora abrissse espaço para outras equipes, como Pierre Gasly, que venceu a GP2 pelo time). Como Stroll queria focar na F1, a Iron Lynx comprou o time.

Mesmo com a mudança de comando, a equipe tinha uma estrutura técnica muito sólida e ainda mantinha a participação de seus fundadores, Angelo Rosin e Giorigio Piccolo. Era uma forma de lembrar quando começaram na F3 italiana em 1983. Com a incorporação pela Irin Lynx, o escopo aumentou...

Em 2022, o time foi para os protótipos alinhando LMP2 no Europeu de Endurance. Esta ação foi feita em conjunto com a Iron Lynx e a Iron Dames. Em 2023, a Iron Lynx anunciou que estava entrando junto com a Lamborghini no desenvolvimento e operação do Hypercar SC63 para o FIA WEC e o IMSA e que estava pensando em entrar na Fórmula Indy. Aqui começou o deslizamento...

O desenvolvimento e operação do Hypercar exigia recursos financeiros e de pessoas. A Lamborghini contava com a participação da Iron Lynx como investidora e isso implicava também em montar uma estrutura para competir nos Estados Unidos. A ideia inicial era montar uma unica estrutura para atender ao projeto Indy como o Hypercar. Tudo isso mantendo os mais variados programas de monoposto nas categorias de base...

Publicidade

Além de contratar, a PREMA passou a deslocar parte do seu time existente de técnicos para os demais programas. Isso acabou ficando claro quando a F2 mudou seu carro em 2024 e o desempenho do time foi muito aquém do esperado. 

Um dos sinais que a coisa não ia bem foi quando a parceria com a Lamborghini foi desfeita e foi parar na justiça por questões financeiras e de acesso a dados técnicos. O próprio projeto Indy, que começou em 2025, chamou a atenção pela falta de patrocinadores no carro, que só apareceram em Indianápolis após a pole de Robert Shwartzman. Não à toa que, mesmo antes do término da temporada, não era mais segredo que a PREMA procurava parceiros para seguir nos Estados Unidos.

O sinal de alerta soou com força pela primeira vez quando um grande leilão de carros foi feito em 2025. O dono da coleção não foi divulgado mas as apostas eram certas de que se tratava de veículos de propriedade de Deborah Mayer. Depois, outro sinal rugiu quando Rene Rosin e Grazia Troncon, filho e esposa de Angelo Rosin, anunciaram em janeiro que não faziam mais parte dos quadros do time. Logo a seguir. Guilaumme Capietto, Diretor Técnico desde 2015, também pediu o boné.

Junte a isso a redução das atividades das Iron Dames nas pistas, não participando do FIA WEC, Europeu de Endurance e Le Mans Cup. Mesmo nas categorias menores, a busca por grana se tornou maior: Beco Bernoldi, que tinha sido anunciado pelo time para a F4 Italiana e Eurocup4, migrou para a Trident. Enzo Deligny, que também havia sido confirmado para a FIA F3 2026, mudou de ares e foi anunciado pela VAR. E se dá como certa a entrada de Nicola Marinangeli no seu lugar pela pura força do PIX.

Publicidade

A posição oficial é que o time vem trabalhando para seguir adiante. Na Indy, o time nao participou do dia de imprensa e se dá como certo que, caso consiga fechar algum acordo, o mais provável é que só entre no campeonato a partir da 5ª etapa em Long Beach. Para F2, F3 e F1 Academy, há uma participação firme de Bruno Michel, organizador das categorias, para que o time esteja no grid e faça a temporada até o fim.  

A foto que ilustra a matéria é de um tempo de pujança. E nota-se que Kimi Antonelli estava ali, junto com Rafael Camara e Ugo Ugochukwu, comemorando o título da F4 italiana de 2022. Talvez o ultimo suspiro de felicidade da PREMA tenha sido a pole position de Robert Shwartzman na Indy 500 de 2025. A ver se a PREMA consegue sobreviver... 

Fique por dentro das principais notícias de Esportes
Ativar notificações