Pela primeira vez desde sua demissão em julho passado, logo após o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, Christian Horner se pronunciou publicamente. O ex-chefe da equipe Red Bull, que passou vinte anos na equipe austríaca, conquistando 14 títulos mundiais, escolheu o Salão do Automóvel Europeu em Dublin para quebrar um silêncio de meses. Após uma saída conturbada da equipe de Milton Keynes, o dirigente inglês recentemente ganhou destaque por seu forte interesse em adquirir uma participação na Alpine e já havia sido cogitado para o cargo de chefe de equipe na Ferrari e na Aston Martin.
O desejo de voltar e a fome de vitória.
Horner não escondeu sua nostalgia pelo paddock, mas esclareceu que seu eventual retorno não aconteceria sob qualquer circunstância: “Sinto que tenho assuntos inacabados na F1. Não terminou como eu queria. No entanto, não voltarei para qualquer desafio: só farei isso por um projeto que eu possa vencer. Não quero voltar ao paddock a menos que tenha algo concreto para fazer.”
O técnico acrescentou então uma reflexão sobre sua ligação emocional com o mundo das corridas: “Sinto falta do esporte, sinto falta das pessoas e sinto falta da equipe que construí ao longo de vinte e um anos incríveis. Tive uma carreira fantástica, vencendo corridas e campeonatos com pilotos e engenheiros extraordinários.”
Parceiro, não empregado: o futuro além da Red Bull
Em relação aos relatos – recentemente confirmados por Flavio Briatore – de que ele lidera um consórcio para adquirir a participação de 24% da Alpine da Otro Capital, Horner descreveu seu papel ideal: "Não preciso necessariamente voltar; poderia até encerrar minha carreira aqui. Se eu voltasse, gostaria de fazê-lo em um ambiente onde as pessoas compartilhem o mesmo desejo de vitória. Gostaria de ser um sócio, um membro, e não apenas um funcionário contratado."
Em relação aos muitos rumores que ligaram seu nome a várias equipes de F1, ele esclareceu o cronograma técnico para seu retorno à F1: “A realidade é que não posso fazer nada até a primavera, de qualquer forma, devido a restrições contratuais. É lisonjeiro ser associado a todas essas equipes, da parte inferior do grid à parte superior, mas veremos como as coisas evoluem. Não tenho pressa.”
A relação com Toto Wolff e o tempero da competição.
Por fim, Horner dedicou uma passagem interessante ao seu rival histórico, Toto Wolff, com quem travou duelos verbais que entraram para a história da F1, também graças à amplificação dada a eles pela série de TV “Drive to Survive”: “Muita gente exagerou a rivalidade entre mim e ele, mas eu tenho enorme respeito por Toto. Ele teve um sucesso incrível e é uma pessoa muito inteligente. Somos simplesmente pessoas diferentes, igualmente competitivas.”
Segundo o ex-chefe da Red Bull, as tensões entre os líderes de equipe são, na verdade, benéficas para o esporte: "O esporte é chato se todos são amigáveis e se amam. É preciso uma rivalidade que crie interesse real no público. O pior é quando todos são muito gentis e amigáveis uns com os outros. A competição precisa desse tempero."
Este artigo é uma parceria entre Parabólica e AutoRacer; você pode conferir o artigo original em italiano clicando aqui.