Gabriel Bortoleto: Evolução e desafios na temporada de 2026 da F1

Brasileiro enfrenta limitações do carro, mas apresenta desempenho acima das expectativas no início da parceria com a Audi

28 jul 2026 - 15h22
Gabriel Bortoleto durante o GP da Hungria
Gabriel Bortoleto durante o GP da Hungria
Foto: Divulgação / Fórmula 1

Gabriel Bortoleto estreou na Fórmula 1 em 2025, se tornando o primeiro brasileiro no grid desde a saída de Felipe Massa, no fim de 2017. Em um primeiro ano marcado pelas dificuldades com uma Sauber pouco competitiva, ele encerrou o campeonato na 19ª colocação, com 19 pontos conquistados. Para 2026, Bortoleto deu um passo à frente, mas ainda segue enfrentando desafios e evoluindo a cada etapa da temporada. 

Após conquistar de maneira consecutiva os títulos da Fórmula 3 e da Fórmula 2, Bortoleto chegou à F1 como uma grande promessa. Embora tenha enfrentado muitos obstáculos com a Sauber, o brasileiro demonstrou um grande potencial competitivo na sua temporada de estreia na categoria. Apesar da classificação final no campeonato, o piloto constantemente se via andando próximo ao seu companheiro de equipe mais experiente, Nico Hülkenberg, inclusive empatando em 12 a 12 no confronto direto de qualificações. 

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Com a chegada da Audi na categoria, projeto com desenvolvimento a longo prazo, Bortoleto passou a integrar uma equipe em fase de reconstrução, ciente de que os resultados imediatos dificilmente refletiriam o verdadeiro potencial do trabalho. Mesmo assim, depois de 11 corridas, o brasileiro já soma dez pontos, conquistados na Austrália, na Grã-Bretanha e na Bélgica. Além de ter chegado perto da zona de pontuação em outras quatro ocasiões, ao terminar na 11ª colocação. 

Mais confiante por estar em sua segunda temporada na categoria, o brasileiro passou a demonstrar maior maturidade ao longo dos fins de semana, cometendo menos erros e mostrando uma leitura de corrida cada vez mais consistente. Isso ficou mais evidente durante as etapas, em que Bortoleto vem apresentando um ritmo de corrida cada vez melhor em provas, recuperando posições e extraindo o máximo do carro, mesmo quando largava fora do top 10. 

Boa parte das dificuldades enfrentadas em 2026, no entanto, estiveram mais ligadas ao desempenho da Audi do que ao piloto. A equipe alemã sofreu com problemas de confiabilidade no início do campeonato, incluindo falhas na caixa de câmbio e no sistema hidráulico. Porém, o principal tem sido as largadas, que fizeram o brasileiro perder diversas posições nas primeiras voltas e, consequentemente, dificultaram ainda mais sua briga por pontos. 

“É uma limitação que temos tentado trabalhar em volta, até conseguir uma solução definitiva, mas que não é algo rápido. É um desenvolvimento de motor, demora um tempo e provavelmente nem vai ser para esse ano”, disse Bortoleto sobre os problemas enfrentados no início da temporada. Enquanto uma solução definitiva não chega, a Audi segue trabalhando para minimizar os prejuízos durante as primeiras voltas, permitindo ao brasileiro disputar pontos com mais frequência e reforçar a impressão de que o potencial apresentado tem sido superior ao que os resultados finais indicam. 

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O companheiro de equipe de Bortoleto, Nico Hülkenberg, também tem sofrido com os mesmos problemas. Entretanto, falando de confrontos diretos, tanto em qualificação quanto em corrida, o brasileiro está na frente. Em 2026, ele já somou dez pontos no campeonato, contra apenas dois do alemão, além de ter terminado à frente do companheiro em seis das nove corridas em que ambos completaram a prova. O confronto em qualificações também mostra um equilíbrio entre os dois, com o brasileiro conseguindo acompanhar um piloto experiente com mais de 200 Grandes Prêmios na carreira. 

“Eu não estaria no nível em que estou agora nas classificações e nas corridas se não fosse, provavelmente, o Nico me pressionando tanto”, afirmou Bortoleto sobre sua relação com Hülkenberg dentro da equipe. “Tenho aprendido com ele, tenho estudado ele, analisado os dados e trabalhado em mim mesmo, e tem funcionado muito bem”. 

Essa evolução do piloto de 21 anos também ficou evidente em algumas atuações ao longo de 2026. Na Austrália, Bortoleto conquistou seus primeiros pontos na abertura da temporada após uma prova consistente. Enquanto na Grã-Bretanha e na Bélgica mostrou forte ritmo de corrida, recuperando posições e aproveitando as oportunidades mesmo com as limitações do R26. Os resultados recentes reforçaram a impressão de que o brasileiro vem conseguindo extrair mais do carro do que o desempenho geral da Audi indicava. 

Ainda assim, Bortoleto tem pontos para desenvolver em sua segunda temporada na Fórmula 1. O principal desafio está em transformar o bom ritmo de corrida que vem apresentando em melhores posições no grid, além de buscar mais consistência nas sessões qualificatórias. Ele próprio já reconheceu que esse processo de aprendizado faz parte de sua trajetória na categoria e que entender cada vez melhor os limites do carro será fundamental para aproveitar as oportunidades que surgirem. 

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Com a segunda metade do campeonato pela frente, o brasileiro terá ainda mais tempo para entender o comportamento do R26 e seguir trabalhando junto à Audi em seu desenvolvimento. A equipe alemã ainda precisa encontrar um equilíbrio maior entre desempenho e confiabilidade, porém, a evolução apresentada por Bortoleto demonstra que ele está conseguindo acompanhar o crescimento do projeto mesmo em uma fase inicial. 

Enquanto a equipe busca alcançar um novo patamar dentro da F1, o piloto segue construindo seu caminho na categoria e mostrando que pode ser um nome importante para o futuro da Audi.

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