A temporada 2026 da Fórmula 1 começou cercada de expectativas por conta do novo regulamento técnico, que prometia mudar a ordem de forças da categoria e abrir espaço para a ascensão de algumas equipes e pilotos, enquanto outras poderiam perder competitividade. Além disso, o campeonato marcou duas estreias: a de Arvid Lindblad, pela Racing Bulls, e da Cadillac, que passou a integrar o grid como a 11ª equipe da Fórmula 1.
As expectativas se confirmaram. As novas regras técnicas remodelaram o cenário da categoria e alteraram o equilíbrio de forças entre as equipes, evidenciando os principais vencedores e perdedores nesta primeira metade da temporada.
Vencedores
A Mercedes renasceu das cinzas após anos sofrendo com o regulamento que priorizava o efeito solo. Com o W17, a equipe alemã estreou como favorita em 2026 ao interpretar melhor o novo conceito da Fórmula 1 do que as rivais, e vem fazendo jus a esse posto até aqui. Embora a confiabilidade do carro tenha atrapalhado em alguns momentos, a equipe fechou a primeira parte da temporada com oito vitórias em 11 corridas disputadas.
Kimi Antonelli é a continuidade desse sucesso. Com apenas 19 anos e em seu segundo ano na categoria, o piloto italiano mostrou muita maturidade para enfrentar George Russell e assumir o posto de principal piloto da Mercedes. Das oito vitórias da equipe, seis foram conquistadas por Antonelli. Além disso, o italiano lidera o Mundial de Pilotos com uma confortável vantagem de 50 pontos sobre Lewis Hamilton, segundo colocado na classificação.
Após um desastroso 2025, a Ferrari também pode ser considerada uma das vencedoras até aqui. A escuderia ainda comete erros e sofre com o desempenho do motor, principalmente em circuitos com longas retas, mas ocupa a segunda posição no Mundial de Construtores e soma duas vitórias na temporada, uma com cada um de seus pilotos. Hamilton, inclusive, vem ganhando destaque. Apesar de ter perdido a chance de disputar pódios e vitórias em quatro corridas por conta de punições, ele é o único piloto do grid a terminar todas as provas na zona de pontuação e sempre entre os seis primeiros colocados, fator que o coloca na vice-liderança do campeonato.
Falando sobre evolução entre 2025 e 2026, não se pode deixar de citar Isack Hadjar. O francês assumiu a temida posição de companheiro de equipe de Max Verstappen justamente em um ano em que a Red Bull Racing aparece como uma das decepções da temporada. Mesmo assim, Hadjar vem apresentando um desempenho consistente, terminando à frente de Verstappen em alguns finais de semana, pontuando em mais da metade das corridas disputadas e ocupando a oitava colocação no Mundial de Pilotos, apenas 41 pontos atrás do companheiro de equipe. O brasileiro Gabriel Bortoleto se enquadra na mesma situação. Embora seus 10 pontos não chamem tanta atenção, o piloto da Audi vem apresentando um desempenho superior ao de seu companheiro de equipe, Nico Hülkenberg, em sua segunda temporada na Fórmula 1. Refém das limitações da equipe, Bortoleto conseguiu extrair o máximo do carro em boa parte do campeonato e mostrou evolução nas últimas corridas, acompanhando o crescimento da equipe, que demorou a marcar seus primeiros pontos na temporada.
Perdedores
A McLaren é uma das decepções de 2026. Atual campeã, a equipe iniciou a nova era da Fórmula 1 com um carro pouco competitivo e que ainda apresentou problemas de confiabilidade ao longo da temporada. O MCL40 ficou distante do desempenho de Mercedes e Ferrari, deixando Lando Norris e Oscar Piastri à mercê das limitações do equipamento. Norris conseguiu dar a volta por cima ao conquistar a vitória no GP da Hungria e mostrou um nível de pilotagem acima do potencial do carro, motivo pelo qual não pode ser considerado um perdedor individual. Já Piastri vive uma temporada bem mais discreta e ainda não conseguiu repetir o desempenho do ano passado.
A Red Bull Racing também figura entre as maiores decepções da temporada. Acostumada a disputar vitórias, a equipe perdeu competitividade com o novo regulamento. Max Verstappen precisou aproveitar oportunidades e até mesmo “sorte” para subir ao pódio em algumas corridas, enquanto em outras viu seus resultados serem comprometidos por problemas de confiabilidade e desempenho do RB22. O holandês segue fazendo sua parte, mas a equipe claramente ficou para trás na disputa técnica.
Outra equipe que decepciona é a Cadillac. Cercada de expectativa em sua estreia na Fórmula 1, a equipe americana encontrou uma realidade muito mais difícil do que o esperado. Além da falta de desempenho, o time sofre com problemas de confiabilidade e coleciona abandonos, impedindo Sergio Pérez e Valtteri Bottas de brigarem por resultados mais expressivos e até mesmo por pontos.
A Aston Martin também está longe de corresponder às expectativas. A chegada de Adrian Newey gerou grande expectativa para a nova era da categoria, mas a equipe iniciou o campeonato com um carro pouco competitivo. Em algumas etapas, os problemas foram tão grandes que afetaram até a saúde física de Fernando Alonso e Lance Stroll, consequência de um pacote que ainda está longe do esperado para uma equipe que investiu pesado visando o novo regulamento. A Williams não ganhou todo um parágrafo aqui, mas a equipe não fica atrás quando se trata de decepções na interpretação deste regulamento! Principalmente após o Grande Prêmio da Hungria onde Carlos Sainz brigava pela última posição, enquanto em 2025 estava conquistando dois pódios na temporada.
Falando sobre os pilotos, George Russell aparece como o principal nome entre os perdedores. Mesmo fazendo parte da equipe dominante da temporada, o britânico não conseguiu acompanhar o ritmo de Kimi Antonelli. Embora tenha conquistado vitórias e continue recebendo o apoio de Toto Wolff, Russell ficou atrás do companheiro tanto em desempenho quanto em regularidade. Para um competidor que era visto como líder do projeto antes do início do campeonato, a primeira metade de 2026 ficou abaixo das expectativas.
Ainda há muitas corridas pela frente e um campeonato inteiro de oportunidades para que esse cenário mude. Pilotos como Max Verstappen e Lando Norris podem voltar a brigar com mais frequência pelas vitórias, assim como a Mercedes pode enfrentar novos problemas de confiabilidade que alterem os rumos da disputa pelos títulos. Mas, até aqui, esses são os principais vencedores e perdedores da primeira metade da temporada 2026 da Fórmula 1.