F1: Hamilton e Leclerc lideram reação da Ferrari; os números explicam a evolução

De brigar apenas por pódios a candidata ao título: evolução do SF-26 reduziu a vantagem da Mercedes e mudou a disputa pelo campeonato

28 jul 2026 - 12h16
Foto: Divulgação / Ferrari

Quando a temporada 2026 da Fórmula 1 começou, a Mercedes parecia caminhar para um campeonato sem adversários. A equipe venceu as primeiras corridas do ano e construiu rapidamente uma vantagem tanto no Mundial de Pilotos quanto no de Construtores. Enquanto isso, a Ferrari acumulava pódios, mas ainda não conseguia transformar seu desempenho em vitórias.

Cinco meses depois, o cenário é completamente diferente. A Ferrari já venceu duas corridas, passou a disputar vitórias de forma consistente e recolocou Lewis Hamilton na luta pelo campeonato. Mas o que mudou?

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A resposta passa por um carro que sempre foi rápido, mas que demorou para explorar todo o seu potencial.

Ainda na pré-temporada, Frédéric Vasseur evitava qualquer tipo de euforia. O chefe da Ferrari afirmava que o principal objetivo dos testes no Bahrein era acumular quilometragem e entender o comportamento do SF-26 na nova era técnica da Fórmula 1.

Foto: Divulgação / Ferrari

Na prática, porém, a equipe já sabia que havia produzido um dos melhores carros do grid em termos de chassi e aerodinâmica. O problema estava na unidade de potência.

As primeiras etapas confirmaram esse diagnóstico. Enquanto Lewis Hamilton e Charles Leclerc apareciam constantemente entre os primeiros colocados, a Mercedes utilizava sua vantagem nas retas para dominar as corridas. O próprio Hamilton foi um dos primeiros a apontar o problema, afirmando que a Ferrari perdia desempenho no fim das retas e não conseguia acompanhar a entrega de potência da rival.

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Pouco depois, Vasseur reconheceu publicamente que a equipe tinha um déficit de desempenho em linha reta. Nos bastidores, estimava-se uma diferença de aproximadamente 20 a 30 cavalos de potência para a Mercedes, além de uma desvantagem na gestão de energia.

Mesmo assim, os resultados mostravam que o SF-26 nunca esteve longe da disputa. Hamilton terminou entre os primeiros colocados em praticamente todas as etapas iniciais, enquanto Leclerc também acumulava pódios. O desempenho indicava que o problema não era o carro, mas sim o conjunto mecânico.

Foi então que a Ferrari iniciou uma reação em duas frentes.

A primeira envolvia um grande pacote aerodinâmico, com novo assoalho, redução de peso e a evolução da asa traseira conhecida internamente como asa "Macarena".

A segunda era ainda mais importante: a utilização do sistema de Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização (ADUO), criado pela FIA para permitir que fabricantes com desempenho inferior na unidade de potência recuperassem parte da diferença para os concorrentes.

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Foto: Divulgação / Ferrari

A Ferrari foi uma das equipes beneficiadas pelo mecanismo e estreou sua primeira atualização de motor no GP da Áustria. As mudanças envolveram uma nova câmara de combustão, melhorias na eficiência energética e um combustível desenvolvido em parceria com a Shell. Ao mesmo tempo, a equipe continuou refinando o pacote aerodinâmico introduzido em Barcelona.

Os resultados começaram a aparecer rapidamente.

A primeira vitória veio justamente em Barcelona, quando Hamilton encerrou a sequência invicta da Mercedes e conquistou seu primeiro triunfo com a Ferrari. Depois disso, Leclerc venceu em Silverstone e a equipe passou a disputar vitórias até mesmo em pistas que, teoricamente, favoreciam seus adversários.

Foto: Divulgação / Ferrari

Silverstone e Spa-Francorchamps são dois exemplos. Antes das etapas, a própria Ferrari acreditava que seriam circuitos difíceis por exigirem muita eficiência em reta. Ainda assim, a Scuderia deixou essas duas corridas convencida de que havia reduzido significativamente a diferença para a Mercedes, inclusive com vitória do Leclerc em Silverstone.

A evolução também mudou completamente a disputa pelo Mundial de Pilotos.

Nas primeiras etapas da temporada, George Russell aparecia como principal perseguidor de Andrea Kimi Antonelli, enquanto Hamilton ocupava apenas a quarta colocação. Com a evolução do SF-26, porém, o britânico passou a somar pódios regularmente, conquistou sua primeira vitória pela Ferrari e assumiu a vice-liderança do campeonato.

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Etapa Antonelli Hamilton Russell
Austrália 18 12 25
Miami 75 43 68
Canadá 131 72 88
Mônaco 156 90 88
Barcelona 156 115 106
Silverstone 179 147 154
Bélgica 204 159 154
Hungria 219 169 160

 

A tabela mostra como a dinâmica do campeonato mudou ao longo da temporada. Russell abriu vantagem sobre Hamilton nas primeiras etapas, mas a evolução da Ferrari permitiu que o heptacampeão revertesse esse cenário e chegasse às férias de verão como principal adversário a Antonelli.

A percepção dentro do paddock também mudou.

Antes do GP da Hungria, George Russell, Andrea Kimi Antonelli e o chefe da McLaren, Andrea Stella, apontavam a Ferrari como favorita para o fim de semana. O consenso era de que o SF-26 possuía o melhor conjunto de chassi e aerodinâmica do grid para um circuito de alta carga como o Hungaroring.

O resultado final não refletiu esse favoritismo. Leclerc terminou em quarto e Hamilton em quinto, mas a própria equipe atribuiu o desempenho às circunstâncias da corrida. O monegasco perdeu posições logo na largada, Hamilton foi prejudicado pela estratégia durante o Virtual Safety Car e ainda recebeu uma punição por excesso de velocidade nos boxes.

Mais do que os resultados isolados, a temporada mostra uma mudança de patamar da Ferrari.

No início do campeonato, a equipe tinha um carro extremamente eficiente nas curvas, mas limitado por uma unidade de potência inferior. Hoje, a combinação entre as evoluções aerodinâmicas, as atualizações permitidas pelo ADUO e uma compreensão maior do SF-26 colocou a Scuderia novamente na disputa por vitórias e pelo Mundial de Pilotos e Construtores.

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