A Ferrari precisou remover as novas miniasas instaladas no halo de seus carros durante o fim de semana do Grande Prêmio da China de Fórmula 1, após conversas de bastidores com a Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Embora a inovação aerodinâmica tenha sido aprovada na inspeção inicial e utilizada na corrida sprint, a equipe italiana optou por retirar as peças no sábado, antes da sessão de classificação. A decisão ocorreu para evitar o risco de punições na corrida principal ou protestos de rivais, visto que a interpretação das regras foi considerada no límite.
A escuderia de Maranello chegou a Xangai chamando a atenção no pitlane com duas atualizações aerodinâmicas curiosas. A principal delas, na parte dianteira, consistia em duas pequenas aletas presas em cada lado do suporte central do halo. Segundo a equipe, em documento oficial submetido à FIA, a novidade oferecia um "pequeno benefício de carga aerodinâmica", ajudando a direcionar melhor o fluxo de ar ao redor do cockpit e garantindo maior eficiência para a traseira do carro.
Apesar dos carros de Lewis Hamilton e Charles Leclerc terem passado pela inspeção técnica sem problemas após a sprint, o debate sobre a legalidade das aletas rapidamente ganhou força. De acordo com uma fonte sênior da Ferrari, as peças esbarravam em uma zona vaga do regulamento (Artigo C13.3). Acredita-se que o questionamento da FIA possa ter surgido após uma equipe rival levantar dúvidas sobre a legalidade do formato.
Como o ganho de desempenho trazido pela atualização era pequeno, calculado em apenas alguns centésimos de segundo por volta, a direção da Ferrari concluiu que o esforço não compensava o risco de sofrer uma desclassificação após a prova. Agora, o time buscará um esclarecimento definitivo sobre o regulamento junto à FIA antes de decidir se o dispositivo retornará em corridas futuras. Esta não é a primeira vez que a equipe testa os limites das regras envolvendo o halo; em 2018, no GP da Espanha, espelhos montados na estrutura também acabaram banidos por questões aerodinâmicas.
Além das asas do halo, a Ferrari também aproveitou os treinos livres na China para testar um conceito inédito de asa traseira "invertida". O componente permite que o elemento superior da asa rotacione 180 graus quando ativado na reta, reduzindo drasticamente o arrasto. A asa traseira acabou não sendo usada no resto do fim de semana por precaução, mas o chefe da equipe, Fred Vasseur, indicou que a novidade deverá retornar para testes na próxima etapa, no Grande Prêmio do Japão.