F1 2026: Fabricantes rejeitaram sistema complexo para atualizações de motores

FIA revela que montadoras escolheram métrica simples para definir quem terá direito a desenvolvimento extra nos motores

27 abr 2026 - 13h46
Foto: Sona Maleterova / Mercedes AMG F1 Team

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) revelou que as fabricantes de motores da Fórmula 1 recusaram, no ano passado, uma proposta para implementar um sistema mais detalhado de avaliação de desempenho das unidades de potência. O mecanismo, criado para ajudar as marcas que ficarem para trás na nova era da categoria, será baseado apenas na potência bruta do motor de combustão interna, ignorando o impacto das diferentes características de instalação das peças no chassi.

A polêmica no paddock surge às vésperas de a FIA divulgar o aguardado ranking que acionará o sistema de Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização (ADUO, na sigla em inglês). Nas próximas semanas, a entidade avaliará as forças atuais e determinará quais marcas terão direito a concessões de desenvolvimento para se aproximarem da referência do grid.

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Contudo, equipes têm questionado a eficácia da métrica atual, que considera exclusivamente o motor a combustão e ignora o conjunto. A Ferrari, por exemplo, optou por um turbo menor que sacrifica a força bruta em troca de uma melhor dirigibilidade, além de componentes de exaustão que afetam o motor, mas beneficiam o tempo de volta do carro como um todo. Fontes do paddock argumentam que, nesses casos, o motor não é necessariamente mais fraco, mas sim comprometido intencionalmente pelas escolhas aerodinâmicas da equipe, o que exigiria uma avaliação mais complexa para nivelar o jogo.

Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA, rebateu as críticas e explicou que a entidade tentou adotar um modelo mais abrangente na primavera europeia de 2025, mas foi barrada pelas próprias montadoras.

"Sabemos que a força do motor não se resume a apenas um número. Tivemos longas discussões com eles e oferecemos a possibilidade de considerar elementos como a pressão e o diâmetro do turbo, ou a temperatura de operação. Mas a posição universal dos fabricantes naquela época foi a de manter as coisas simples. O fato de usarmos a medição atual de cavalos de força do motor a combustão foi uma escolha aprovada desde o início", detalhou Tombazis.

Apesar de nomes como Laurent Mekies, chefe da Racing Bulls, ressaltarem a enorme dificuldade de se criar uma equivalência técnica precisa devido às diferentes filosofias (como a relação entre bateria e motor a combustão), Tombazis se diz pessoalmente aberto a adotar métricas mais sofisticadas no futuro, embora reitere que a discussão foi encerrada há mais de um ano.

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Por fim, o diretor fez questão de esfriar os ânimos em relação ao impacto do ADUO e rejeitou comparações com o criticado "Balanço de Performance" (BoP) utilizado em provas de endurance.

"Por favor, não esqueçam que o ADUO não é um Balanço de Performance. Não é como se de repente alguém fosse ganhar mais fluxo de combustível ou menos lastro de peso. Estamos avaliando apenas uma oportunidade um pouco maior para que desenvolvam o motor em termos financeiros, o que é importante. Não subestimo isso, mas ainda é preciso fabricar o melhor motor para vencer. Não estamos dando pontos de bonificação só porque alguém ficou para trás", concluiu.

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