Betinho Marques - Via CNRD, Galo propõe acordo de R$ 43 milhões a credores

Clube tenta alongar dívidas com agentes, clubes e atletas enquanto prepara aporte de R$ 530 milhões na SAF

23 mai 2026 - 10h39
(atualizado às 10h39)
Foto: Divulgação/Atlético - Legenda: Rubens Menin, acionista da SAF do Galo / Jogada10

Com reunião do Conselho Deliberativo marcada para esta segunda-feira (25/5), o Atlético deve confirmar o aporte de cerca de R$ 530 milhões e a nova configuração acionária da SAF GALO. A tendência é que haja aquisição majoritária de ações pela família Menin e a diluição dos demais acionistas, incluindo a Associação, Ricardo Guimarães e Daniel Vorcaro.

Diante do cenário, a entrada dos "remédios" financeiros será utilizada para aliviar as dívidas onerosas com bancos, que geram juros na casa de R$ 250 milhões por ano.

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Dívidas com agentes, clubes, empresários e atletas

O FalaGalo apurou que o Atlético propôs, através da CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas), um parcelamento milionário para alongar o prazo dos pagamentos com credores.

O montante de débitos vencidos com agentes, clubes, empresários e atletas que passaram pelo CAM ultrapassa a bagatela de R$ 43 milhões, já incluídos os honorários advocatícios.

Mais precisamente, os débitos vencidos com todos os envolvidos — atletas, agentes, empresas de agenciamento e empresários — somam R$ 41.817.830,90. Já os honorários advocatícios possuem custo de R$ 1.568.892,92. O montante totaliza R$ 43.386.723,82.

A proposta do Atlético é parcelar, através da CNRD, o pagamento dos credores em oito anos, com parcelas mensais.

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O qie pensam  os  credores

Para parte dos envolvidos, o Atlético, ao propor o pagamento de algo previamente acordado em outros moldes, adota uma postura indecorosa. Uma das fontes ouvidas pela reportagem considera inadequada a proposta, já que mudanças nos acordos impactam diretamente outros compromissos assumidos pelos credores, baseados na previsão de pagamento anteriormente estabelecida.

"É, para mim, uma falta de entendimento de parceria. É como não considerar que ajudamos os clubes nas negociações.

Chego a pensar que é uma apropriação indébita de um recurso que é nosso e deveria ser repassado ao parceiro, mas o Atlético não repassa. Considero isso uma postura muito ruim e que repercute negativamente no mercado. Para mim, não é correta essa ação de um clube do tamanho do GALO. Imagine você ter compromissos e, na hora de receber, tomar um quase calote de uma SAF que vai aportar mais de R$ 500 milhões. Leva para a CNRD, mas não pode pagar menos de 10% aos seus parceiros comerciais? Isso não é legal, não dá para achar bom."

O que  diz  o Atlético

Na reunião do Conselho Deliberativo marcada para a próxima segunda-feira (25), os acionistas falarão sobre o plano de equity, no qual a família Menin comprará ações a partir do aporte de cerca de R$ 530 milhões para pagamento de dívidas onerosas. Desta forma, os outros partícipes da SAF terão seus percentuais diluídos, tornando a família Menin, que já é majoritária, ainda mais dominante na Sociedade Anônima do GALO.

Porém, segundo apuração do FG, o remédio será amargo para reduzir os juros bancários pagos anualmente pelo Atlético. O plano é que a quase totalidade dos recursos seja destinada ao pagamento de credores bancários, reduzindo de R$ 250 milhões para R$ 100 milhões as taxas anuais e dando fôlego ao fluxo de caixa a partir da entrada financeira dos Menin.

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"Não há milagre, Betinho. O remédio é amargo. Queremos e planejamos pagar todos, mas não dá para viver no mundo ideal. Vamos atacar os bancos e estamos propondo a CNRD com os parceiros para executar o melhor plano para o Atlético.

O Vasco também nos deve e vai nos pagar ao longo de muito tempo, utilizando a CNRD. O Atlético não é o único que recorre à câmara arbitral. É um problema de quase todos os clubes, mas, no Galo atual, existe muito desejo de cumprir os acordos sem dar calotes. Ainda não nos sustentamos, precisamos atacar os juros e contar com o entendimento de todos, mas o remédio é amargo.

Hoje, temos a Arena, pagamos os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários — crédito utilizado para o término da obra), que têm muito potencial e pode, em breve, gerar receitas na casa de R$ 1 bilhão. Os Menin têm a intenção de tornar o clube sustentável e, daqui a pouco, com mais estabilidade jurídica e talvez após a formação da Liga, dividir a SAF com outros investidores mais fortes ou até saírem de cena, vendendo a parte deles.No momento, não há outros investidores, apenas eles colocam dinheiro.

O foco

Apesar de várias conversas, para receber boas parcerias para a SAF é preciso que o clube esteja equilibrado. Vai demorar um pouco, mas o Atlético, apesar das dificuldades, está no caminho. Porém, neste momento, para continuar investindo no time, algo precisa ser feito e, por isso, alongar os pagamentos é o que a realidade dura nos permite. Sabemos que devemos e, ao contrário de outros, vamos pagar. Mas teremos que optar e definir caminhos. Agora, o foco é combater os juros."

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Como dito, a proposta do GALO na CNRD é alongar o pagamento por oito anos. No entanto, a comissão de arbitragem costuma reduzir os prazos. A estimativa é de que o período aceito fique entre quatro e seis anos, dependendo da deliberação do órgão vinculado à CBF.

QUEM SÃO OS CREDORES?

Clubes

Corinthians, Coritiba, Atlético-GO, Independente, Retrô, Guarani, São Paulo e Atlético Monte Azul.

Atletas

Alan Kardec, Alisson, Micael e Rubens.

Agentes e Empresas

TFM, Thinkball, A10, 4Comm, Roc Nation, Fabio Gomes, Bertolucci, Premier, GR98, Brasil Soccer, AS, Un1que, Perez e Elenko.

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