RIO E SÃO PAULO - O volume de serviços prestados no País recuou 0,1% em novembro ante outubro, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em janeiro de 2011 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo em novembro interrompeu uma sequência de nove resultados positivos, período em que acumulou um ganho de 3,8%.
Os serviços prestados às famílias ficaram praticamente estáveis, enquanto os serviços às empresas seguem em crescimento, apontou a economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal.
"Ainda assim, vale destacar que o indicador já apresenta alguns sinais de enfraquecimento em um segmento que tem sido um dos principais motores da economia", ponderou Victal, em nota.
Embora o resultado de novembro reforce a avaliação de desaceleração gradual da atividade, não parece suficiente, isoladamente, para neutralizar a mensagem de um mercado de trabalho ainda mais forte, acrescentou Victal. Em termos de política monetária, os dados corroboram um início no ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, apenas em março.
O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Daniel Xavier, também vê um arrefecimento gradual da economia, como reflexo defasado da política monetária restritiva, e espaço para um afrouxamento nos juros a partir de março.
"Contudo, a tendência declinante deve se aprofundar adiante, como reflexo defasado das condições monetárias contracionistas. Reiteramos as projeções de +2,3% e +1,7% para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2025 e 2026, nesta ordem", apontou Xavier, em relatório.
Setor ainda aquecido
A ligeira queda nos serviços prestados em novembro ante outubro mostra uma manutenção do setor em níveis elevados, ainda muito perto do topo da sua série histórica, avaliou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa no IBGE.
"A gente não poderia cravar que esse -0,1% na margem seria início de uma trajetória declinante, deixando para trás os melhores momentos do setor de serviços, em que renovava mês a mês pico da série", avaliou Lobo, lembrando que é mais comum que haja uma troca de taxas, uma oscilação nos resultados. "O setor de serviços, embora tenha mostrado ligeira variação negativa, permanece muito próximo do seu ponto mais alto, alcançado em outubro", disse Lobo.
O pesquisador lembra que houve um equilíbrio de taxas positivas e negativas entre as atividades pesquisadas. Na passagem de outubro para novembro, foram registrados recuos em transportes (-1,4%) e informação e comunicação (-0,7%).
O destaque negativo foi a perda nos transportes, puxada pelo transporte aéreo, transporte rodoviário coletivo de passageiros, transporte dutoviário e logística de cargas.
Na direção oposta, houve expansão nos serviços profissionais e administrativos (1,3%) e nos outros serviços (0,5%). Já os serviços prestados às famílias ficaram estáveis (0,0%).
O setor de serviços operava em novembro em patamar 0,1% abaixo do pico alcançado em outubro. Os serviços às famílias estavam 7,4% abaixo do pico de outubro de 2013, enquanto os de informação e comunicação operavam 0,7% aquém do nível recorde de outubro de 2025. Os serviços profissionais, administrativos e complementares estavam 1,1% abaixo do ápice de dezembro de 2014, e os transportes funcionavam em patamar 1,4% aquém do recorde de outubro de 2025. O segmento de outros serviços estava 11,6% aquém do auge de janeiro de 2012.
Os avanços sucessivos no volume de serviços prestados no País, que levaram o setor a renovar patamares recordes mês a mês até outubro, permanecem calcados em apenas dois segmentos, transportes e serviços de informação e comunicação, ressaltou Rodrigo Lobo.
"O cenário é de crescimento continuado no setor de serviços, puxado por dois setores", reforçou Lobo.
O setor de serviços de tecnologia da informação "segue muito dinâmico", beneficiado por uma mudança estrutural em curso, sobretudo, desde a pandemia de covid-19. Segundo ele, variáveis conjunturais, como juro alto e inflação, não têm tanta relevância para a demanda do segmento.
Quanto aos transportes, o desempenho foi impulsionado ao longo do ano pela safra recorde, tanto para escoamento de insumos quanto de produção.
"O setor de serviços se descola de alguma forma das variáveis macroeconômicas", disse o pesquisador do IBGE.
Na comparação com novembro de 2024, o volume de serviços prestados avançou 2,5% em novembro de 2025, a 20ª taxa positiva seguida. No entanto, o índice de difusão — que mostra o porcentual de serviços com crescimento ante o mesmo mês do ano anterior — diminuiu de 50,6% em outubro para 47,6% em novembro.
"Há menor concentração de serviços com crescimento ante novembro de 2024", ressaltou Lobo.