Venezuela provavelmente obterá empréstimo do FMI após trabalho de base necessário, diz Georgieva

17 abr 2026 - 17h50

O Fundo Monetário ‌Internacional provavelmente fornecerá à Venezuela um programa de apoio financeiro como parte do processo de sua reaproximação com o exportador de petróleo sul-americano, desde que certas condições sejam atendidas, disse a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, na sexta-feira.

Georgieva disse em uma coletiva de imprensa em Washington que a Venezuela enfrenta "um caminho muito ⁠difícil" para restaurar a estabilidade macroeconômica e financeira.

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O FMI e o Banco Mundial anunciaram ‌seu reengajamento com a Venezuela na noite de quinta-feira, depois de não terem tido relações desde março de 2019 e nenhuma avaliação econômica completa desde 2004.

"Depois de ‌uma pausa de sete anos, estamos comprometidos em ‌nos envolver ativamente com a Venezuela, para fazer nossa parte para ajudar ⁠o país a alcançar a estabilidade macroeconômica e financeira, para ajudar o povo da Venezuela a ver dias melhores", disse Georgieva.

No entanto, chegar a um programa de empréstimos exigirá muito esforço por parte da Venezuela e do FMI, disse ela, acrescentando: "Não vai ser um processo fácil".

O diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental, ‌Nigel Chalk, disse em uma reunião separada que foi formada uma equipe de missão ‌do FMI para a ⁠Venezuela e ela está ⁠se envolvendo virtualmente com o governo da presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder ⁠após a destituição do ex-presidente Nicolás Maduro ‌pelos EUA em janeiro.

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Georgieva disse ‌que o primeiro item da lista de prioridades do FMI para preparar um programa para a Venezuela é classificar a adequação dos dados do país, que, segundo ela, "está muito aquém do esperado e não é possível tomar ⁠boas decisões se não houver bons dados".

O FMI entrou em contato com o ministério das finanças, o banco central e a agência de estatísticas do país, disse Georgieva.

Dados adequados lançariam luz sobre uma complexa rede de dívidas, estimada em mais de US$150 bilhões, que precisará ‌ser reestruturada antes que qualquer programa de empréstimo possa prosseguir. O processo de aprovação de empréstimos do FMI exige uma análise detalhada da dívida para garantir ⁠que as dívidas dos países mutuários sejam sustentáveis.

Em segundo lugar, o FMI quer trabalhar em capacitação para fortalecer as instituições econômicas da Venezuela, disse Georgieva, acrescentando que as autoridades estão se engajando de forma construtiva e demonstrando "boa fé".

Georgieva também disse que o FMI está trabalhando em estreita colaboração com o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento para fornecer um apoio coordenado à Venezuela que aumente seu impacto.

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A notícia do reengajamento do FMI com a Venezuela impulsionou os preços dos títulos soberanos da Venezuela e os de sua empresa estatal de petróleo nesta sexta-feira.

A nota de 2027 da Venezuela subiu 2 centavos, para 53,5 centavos de dólar, o preço mais alto desde 2017, enquanto a nota de 2021 da PDVSA subiu 2,7 centavos, para 46,75 centavos.

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