Um estudo clínico da Moderna e da MSD revelou que a combinação de uma vacina experimental de mRNA com a imunoterapia Keytruda reduziu em 42% o risco de morte ou recorrência do melanoma, além de diminuir a disseminação do câncer em 38%. A terapia personalizada manteve 82,2% dos pacientes livres da doença após dois anos, superando o tratamento padrão isolado. As farmacêuticas pretendem solicitar a aprovação nos Estados Unidos com previsão de lançamento da vacina no mercado para 2027.
A Moderna e a MSD anunciaram nesta quinta-feira que sua vacina contra o câncer baseada em mRNA, quando combinada com a imunoterapia amplamente utilizada pela MSD, reduziu em 42% o risco de morte ou recorrência do melanoma em um grande estudo clínico, abrindo potencialmente caminho para uma nova era de tratamento personalizado.
As ações da Moderna dispararam desde que as empresas anunciaram, em agosto, o sucesso do estudo sem apresentar os dados reais, quase quadruplicando até o fechamento da quarta-feira. Elas fecharam com queda de mais de 17% após os resultados terem vazado em um site de oncologia na manhã desta quinta-feira. As ações da MSD fecharam com queda de cerca de 1,8%.
Os dados do estudo de Fase 3, envolvendo mais de 1.100 pacientes, também mostraram que a combinação reduziu o risco de disseminação do câncer em 38%.
São os primeiros dados a demonstrar que a combinação de uma vacina baseada em mutações exclusivas do tumor de cada paciente com um medicamento que ajuda o sistema imunológico a combater o câncer pode manter a doença sob controle. A vacina foi testada em conjunto com o Keytruda, a imunoterapia de grande sucesso da MSD, que está entre os medicamentos mais vendidos do mundo.
O Keytruda atua removendo um "freio" natural que as células cancerosas usam para se esconder do ataque do sistema imunológico, enquanto a vacina instrui as células do paciente a produzir cópias de mutações específicas para que o sistema imunológico as localize e destrua.
O presidente-executivo da Moderna, Stephane Bancel, afirmou que os dados sinalizam um novo capítulo no tratamento do câncer.
"Com essa capacidade de criar novas células T específicas para o seu tumor... o impacto clínico é muito profundo e, como vimos no ensaio clínico de Fase 2, muito duradouro", disse Bancel em uma entrevista.
As empresas estão se preparando para solicitar a aprovação nos EUA e esperam que a vacina contra o câncer seja lançada em 2027, disse Bancel.
Os resultados, baseados em dados dos pacientes relativos aos dois primeiros anos após o tratamento, devem ser apresentados no sábado, no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, em Madri.
Entre aqueles que receberam a vacina além do Keytruda, 82,2% ainda estavam livres do câncer após dois anos, em comparação com 70% dos pacientes que receberam apenas o Keytruda.
"Isso é altamente significativo do ponto de vista estatístico. Não é por acaso", afirmou o dr. Hussein Tawbi, especialista em melanoma e investigador do estudo no MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas, ao comentar os resultados.
Vários analistas de Wall Street afirmaram antes do encontro que os investidores esperavam que a combinação reduzisse o risco de recorrência em 40% ou mais.
"Parece estar ocorrendo aqui uma reação do tipo 'compra no boato e vende no fato'", escreveu o analista Myles Minter, da William Blair, em uma nota de pesquisa, acrescentando que as ações da Moderna acumulam alta de 525% este ano, incluindo a queda registrada nesta quinta-feira.
Minter disse que os resultados eram "ótimos dados, em nossa opinião, mas os investidores continuarão a debater a avaliação fundamental".
O estudo testou nove doses da vacina, conhecida como intismeran, em conjunto com o Keytruda, a partir de 13 semanas após a cirurgia para remoção das lesões de melanoma. A resposta ao tratamento combinado foi comparada com a dos pacientes tratados apenas com Keytruda, uma terapia padrão para o melanoma.