Usiminas vê cenário para melhora de rentabilidade após antidumping sobre importações de aço

13 fev 2026 - 13h46
(atualizado às 15h38)

Uma das maiores produtoras de aço plano do Brasil, a Usiminas espera ‌melhorar sua rentabilidade nos próximos meses diante de uma ocupação maior do mercado interno pela empresa, após o governo ter aprovado na véspera medidas de defesa comercial contra laminados a frio e galvanizados que chegam ao país.

"O volume de aço plano importado ano passado foi de 4 milhões de toneladas, sendo 60% vindo da China. Isso implica que temos um espaço importante para retomada... e potencial crescimento de vendas internas", disse o vice-presidente comercial da Usiminas, Miguel Camejo, em conferência ⁠com analistas e investidores após a publicação mais cedo dos resultados de quarto trimestre da siderúrgica.

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As ações da Usiminas estavam entre as ‌maiores altas do Ibovespa na tarde desta sexta-feira, avançando quase 3%, enquanto o índice recuava 0,9%.

Na noite da véspera, o governo anunciou que o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) aprovou aplicação de medida antidumping sobre laminados ‌planos a frio e laminados planos revestidos originários da China, um pleito defendido ‌pelo setor há meses.

Segundo analistas do Citi, os produtos alvo da medida de defesa comercial representam cerca de ⁠dois terços dos volumes de vendas da Usiminas.

Sobre os laminados a quente, que também possuem pedidos de antidumping de siderúrgicas locais junto ao governo, Camejo afirmou que espera a mesma decisão favorável que o governo deu aos laminados a frio na véspera.

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"Esperamos o mesmo cenário para os laminados a quente. O cronograma da medida definitiva seria em torno de julho deste ano", afirmou o executivo.

Segundo Camejo, "logicamente podemos esperar uma retomada dessa rentabilidade a partir de um melhor cenário de preços e ‌margens a partir dos próximos meses".

Mas no setor automotivo, que em sua maioria assina termos anuais de recebimento de aço da Usiminas, ‌houve redução de 2% a 3% ⁠nos preços para as montadoras com ⁠contratos que vencem em janeiro e algo similar deve acontecer no restante dos clientes do setor, com contratos que vencem em abril, ⁠disse o executivo.

Analistas do Itaú BBA citaram que o setor automotivo representa ‌60% das vendas de aço revestido da ‌Usiminas e que os negócios da empresa com montadoras devem ser pouco afetados pela decisão de antidumping da véspera.

Camejo comentou que o mix de vendas da Usiminas deste ano deve ser mais bem dividido entre os três principais setores clientes da empresa, com 30% das vendas às montadoras, outro terço para distribuidores e o restante para ⁠a indústria.

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Em janeiro, disse o executivo, a Usiminas elevou os preços de aço aos distribuidores em torno de 5%.

Questionado se o espaço de demanda que deve se abrir no mercado interno a partir da decisão de antidumping pode fazer a empresa religar algum alto-forno, notadamente o de Cubatão (SP), o presidente-executivo da Usiminas, Marcelo Chara, repetiu o mantra de que isso dependerá do comportamento do mercado brasileiro.

"Hoje, com o impacto das importações ‌e o baixo crescimento do consumo aparente...Cubatão é uma usina que tem um interessante perfil em sua estrutura porque tem área de acearia latente que pode ser reativada, mas não no curto e médio prazos." A Usiminas deixou de ⁠produzir aço bruto em Cubatão em 2016.

Sobre o alto-forno 1 da usina de Ipatinga (MG), desligado em 2023, Chara afirmou que após a Usiminas ter investido quase R$3 bilhões em uma grande reforma no alto-forno 3, e ter feito desembolsos adicionais em outras partes do complexo industrial mineiro, a companhia ganhou uma capacidade produtiva que permite substituir a produção do alto-forno 1.

A reforma do alto-forno 3 foi concluída em 2024 e o equipamento é o maior da Usiminas, com capacidade para 3 milhões de toneladas de ferro-gusa por ano. O outro forno em operação na usina de Ipatinga, o de número 2, tem capacidade para cerca de 800 mil toneladas anuais, disse Chara.

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E na mineração, Chara afirmou que o aguardado "Projeto Compactos", há anos em estudos pela companhia e que prevê investimento bilionário para produção de minério de ferro de alta qualidade "deve ter novidades este ano", com a empresa seguindo adiante no processo de licenciamento ambiental.

Em dezembro, Chara afirmou que a Usiminas poderia tomar uma decisão formal sobre ir adiante ou não com o projeto a partir da segunda metade deste ano ou 2027.

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